Eletricidade

Bahia tem primeiro estádio com geração solar

Valor Econômico
02/04/2012 09:34
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Em uma interpretação livre do jargão futebolístico, é razoável supor que o termo "caldeirão" foi cunhado para definir, em uma palavra, o potencial de geração de calor e energia de um estádio abarrotado. Quase todo torcedor brasileiro se orgulha de seu alçapão, seja ele amplo ou modesto, próprio, alugado ou concedido. Desde domingo (1º), porém, somente os fãs do tradicional Esporte Clube Bahia poderão dizer que tiveram o caldeirão promovido a usina, literalmente.

Está em fase final de testes a operação da primeira arena autossuficiente em energia elétrica da América Latina. O projeto foi desenvolvido pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) no Estádio Governador Roberto Santos, mais conhecido como Pituaçu. Localizada no bairro de mesmo nome, no norte de Salvador, a arena recebeu R$ 5,5 milhões em investimentos para a instalação de 1,7 mil módulos de painéis de captação de raios solares, que poderão gerar até 630 MWh de energia por ano.

O volume é suficiente para suprir toda necessidade do estádio, que passou a ser a casa do "Tricolor de Aço" pouco mais de um ano após a interdição da Fonte Nova, em 2007. De acordo com a Coelba, a arena consome atualmente algo em torno de 360 MWh por ano. A energia excedente será utilizada por repartições do governo baiano, que entrou com 30% do investimento. A maior parte do desembolso ficou a cargo do grupo Neoenergia, controlador da Coelba, que está desenvolvendo um projeto semelhante em Pernambuco.

Os últimos testes no sistema foram realizados nas últimas semanas de março, sob um calor de mais de 30 graus. Diferente do que se possa pensar, a temperatura não é primordial para a geração de eletricidade. Pelo contrário, pode até atrapalhar. "O essencial é a incidência de luz (radiação). Alguns lugares muito quentes, como a região amazônica, não têm tanto potencial de geração por conta da grande nebulosidade", explicou Daniel Sarmento, engenheiro responsável pela unidade de eficiência energética da Neoenergia.

Os painéis solares ocupam uma área total de 6 mil m², distribuídos em diversas áreas do estádio, como as coberturas das arquibancadas, dos vestiários e de parte do estacionamento. Pela impossibilidade técnica de ser armazenada, a energia solar gerada durante o dia é despachada automaticamente para a rede de distribuição da Coelba, através das três subestações instaladas em Pituaçu.

A autossuficiência não significa, contudo, que o estádio utilize a mesma energia que gera. "Trata-se de uma compensação. Ele joga a energia na rede e depois recebe de volta, sem custo", explicou Sarmento. De acordo com a Coelba, o governo baiano vai economizar cerca de R$ 120 mil anuais referentes à conta de luz da arena.

Pituaçu não receberá jogos da Copa do Mundo de 2014, mas é candidato a centro de treinamento. Palco baiano dos jogos do Mundial, a Arena Fonte Nova não apresenta as condições de estrutura ideais para a instalação dos painéis de energia solar. Já a Arena Pernambuco, erguida pela Odebrecht em São Lourenço da Mata, no Grande Recife, receberá R$ 13 milhões para geração solar. Quando for inaugurado - a previsão é início de 2013 -, o estádio estará gerando até 1.500 MWh por ano. Outros estádios que estão sendo construídos ou reformados em função da Copa, como o Maracanã, no Rio, e o do Corinthians, em São Paulo, também adotarão a energia solar.

Na avaliação do presidente do grupo Neoenergia, Marcelo Corrêa, o aproveitamento de estádios de futebol como usinas de geração de energia a partir dos raios do sol pode ajudar a popularizar no Brasil esta fonte energética complementar. Ele ressalta, no entanto, que sua utilização em grande escala ainda é uma realidade distante. "A gente investe especialmente para a absorção de know how nesta área", afirmou o executivo.

O grande entrave da energia solar no país ainda é o preço, muito superior ao das principais fontes. A produtividade dos parques solares - medida pela capacidade de geração por m² de painéis - ainda tem de avançar bastante para tornar o sistema competitivo perante as demais fontes.

Além das duas arenas, a Neoenergia está instalando painéis solares em uma base da Aeronáutica na Ilha de Fernando de Noronha (PE), um investimento de R$ 5 milhões. A companhia fechou ainda um contrato com a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) para a geração de energia a partir de resíduos de esgoto. A operação está em fase embrionária.
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