GLP

Aquisições aumentam a concentração

Valor Econômico
09/07/2004 00:00
Visualizações: 1201

Há exato um ano, a Shell vendeu sua empresa de GLP para a Ultragaz por US$ 170 milhões. Mês passado, foi a vez da italiana Liquigás/Agip vender seu ativo para a Petrobras. Agora, a família Lemos de Moraes vendeu os 51% que tinha na Supergasbras para seu sócio minoritário, a holandesa SHV, por US$ 100 milhões. Os holandeses poderão pagar mais a depender do resultado da companhia entre 2005 e 2007. A SHV, que também é dona da Minasgás, deve integrar os ativos das duas companhias. Ontem, as ações da Supergasbras dispararam 7,8%, fechando a R$ 4 por lote de mil.
Na avaliação de um executivo do setor, os três negócios foram fechados a preços mais baixos se comparadas a aquisição feita na Argentina. A Repsol comprou a Algas por US$ 700 a tonelada/ano, enquanto a Supergasbrás foi vendida por US$ 200 a tonelada/ano. "O mercado está ruim. As margens estão apertadas", diz o executivo. "As multinacionais estão saindo do Brasil porque esse negócio não dá lucro."
Com a saída de empresas, o setor, já oligopolizado, vem aumentando sua concentração. Em 2003, as cinco maiores empresas tinham cerca de 85% do mercado. Hoje, as quatro maiores detêm quase 90%. "É um setor que hoje exige muita escala e, em outros países, essa concentração é normal", diz Sérgio Bandeira de Mello, superintendente do Sindigás, que reúne 13 distribuidoras.
Um estudo da consultoria Trevisan, encomendado pelo Sindigás, mostra que, na Argentina, onde existem 40 empresas, apenas 5 detêm 80% do mercado. Na Inglaterra, quatro das 50 distribuidoras possuem os mesmos 80%, situação que se repete em maior ou menor grau em 24 países, segundo a Trevisan.
O estudo mostra que, aparentemente, o negócio de GLP no país deixou de ser atraente. A margem bruta das empresas é de R$ 7,13. Com as despesas operacionais, as empresas, segundo a Trevisan, operam com prejuízo de R$ 0,59 por botijão.
Bem tido como de primeira necessidade para as camadas mais pobres, o gás de botijão teve o preço liberado em 2002 com o fim do subsídio. A Petrobras, maior produtora de GLP, adotou como parâmetro o preço de paridade com importação. Mas, naquele mesmo ano, os preços saltaram de R$ 15 para R$ 30, por conta principalmente da alta cambial no período pré-eleitoral.
Diante da impopularidade, o governo baixou o preço do botijão de 13 quilos, desvinculando da paridade. Mesmo assim, o consumo não reagiu diante da perda de renda de população. De 2000 para 2003, o consumo caiu paulatinamente, recuando 12%. No setor industrial, as distribuidoras de GLP perderam espaço para o gás natural. Segundo o Sindigás, a expectativa neste ano é que o mercado cresça 2,5%, mas abaixo da previsão de expansão do Produto Interno Bruto. (PIB).
A entrada da Petrobras no setor de GLP, maior fornecedora da matéria-prima às distribuidoras, foi interpretada como uma estatização. A Petrobras descarta a possibilidade de fazer guerra de preços.
O setor privado faz cara feia para a estatal, mas prefere não opinar publicamente sobre o negócio. A agenda das distribuidoras prevê a desoneração de impostos e o aumento do valor pago no auxílio-gás, que integra o Bolsa Família, o pacote assistencial do governo federal. O vale sai por R$ 7, o mesmo valor desde o início do programa. Aposta também no combate à informalidade para aumentar a margem das empresas. São 70 mil revendas credenciadas, mas acredita-se que existam 200 mil informais, de bancas de jornais a postos de combustíveis.
O futuro não está garantido. Para Ueze Zahran, dono da Copagaz, que possui 7% do mercado, as empresas precisam se preocupar mais com a rentabilidade do que o volume. "Se ficar forçando para aumentar mais e mais os volumes, as empresas vão destruir o preço." Zahran diz que, apesar do constante assédio, não pensa em vender a Copagaz. "Vou lutar até o fim. A luta que se perde é aquela você abandona."

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
02/05/26
Combustíveis
Diesel lidera alta dos combustíveis em abril, mostra Mon...
30/04/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
30/04/26
Etanol
E32 impulsiona etanol e reforça liderança do Brasil em b...
30/04/26
Meio Ambiente
Brasil aparece entre maiores emissores de metano em ater...
30/04/26
Oferta Permanente
Audiência pública debate inclusão de novos blocos no edi...
30/04/26
Exportações
Setor de óleo e gás e parlamentares discutem Imposto de ...
29/04/26
Evento
PortosRio participa do Rio de Janeiro Export 2026 e dest...
29/04/26
Royalties
Valores referentes à produção de fevereiro para contrato...
29/04/26
Resultado
Foresea registra melhor ano de sua história e consolida ...
29/04/26
Internacional
OTC Houston: ANP participa de painéis e realiza evento c...
29/04/26
Apoio Offshore
Wilson Sons revoluciona logística offshore com entrega p...
29/04/26
Internacional
PPSA e ANP promovem evento em Houston para apresentar o...
28/04/26
Segurança no Trabalho
Gasmig bate recorde de 1300 dias sem acidentes do trabalho
28/04/26
Workshop
ANP realiza workshop sobre proposta de novo modelo de li...
28/04/26
GLP
Subvenção ao GLP: ANP publica roteiro com orientações ao...
27/04/26
Diesel
Subvenção ao óleo diesel: ANP altera cálculo do preço de...
27/04/26
Combustíveis
E32 reforça estratégia consistente do Brasil em seguranç...
27/04/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Partilha (OPP): ANP aprova estudos ...
27/04/26
Royalties
Hidrelétricas da ENGIE Brasil repassam R$ 49,8 milhões e...
23/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste te...
23/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23