Siderurgia

Aperam troca coque e GLP por carvão vegetal e gás natural

A Aperam, companhia nascida da cisão da divisão de aço inoxidável da ArcelorMittal, ganha a partir do próximo mês uma nova matriz energética. Vai operar com 100% de carvão vegetal de reflorestamento próprio em seus dois altos-fornos e co

Valor Econômico
02/06/2011 07:30
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A Aperam, companhia nascida da cisão da divisão de aço inoxidável da ArcelorMittal, ganha a partir do próximo mês uma nova matriz energética. Vai operar com 100% de carvão vegetal de reflorestamento próprio em seus dois altos-fornos e com gás natural nas linhas de produção. Essa mudança, que visou redução de custos para ter mais competitividade, está demandando investimentos de US$ 120 milhões.
 
 
"Vamos ter uma economia expressiva", disse Clênio Afonso Guimarães, presidente da Aperam na América do Sul. A companhia, listada em três bolsas na Europa desde janeiro, quando foi criada, tem sede em Luxemburgo e faturou US$ 7,2 bilhões no ano passado. Segundo o executivo, a troca de GLP por gás natural trará economia de 30% e o uso de carvão vegetal, substituindo coque mineral nos altos-forno, representará outros 15% a 20%.
 

O investimento na subsidiária brasileira é o maior em curso dentro da Aperam, sexta maior produtora de aço inoxidável do mundo. A empresa tem capacidade de fazer 2,5 milhões de toneladas de aço bruto por ano, sendo 1,7 milhão de produtos acabados. Tem seis sites de produção e laminação: dois na Bélgica, três na França e um no Brasil.
 

No processo de troca do gás GLP por natural, a empresa gastou US$ 25 milhões na adaptação das instalações da usina localizada em Timóteo, no Vale do aço mineiro, e na construção de dutos, junto com a Gasmig, para escoar o gás até a siderúrgica.
 

Na transformação do alto-forno 2, que é responsável por dois terços da produção da subsidiária brasileira e que será paralisado no meio deste mês, a Aperam está gastando mais US$ 95 milhões. A empresa já tem florestas plantadas e vai instalar mais de cem fornos de produção de carvão junto a elas no Norte de Minas Gerais. O volume de carvão vai passar de 220 mil toneladas para 450 mil toneladas até o fim de 2011, informou Guimarães.
 

O executivo, com uma carreira de 30 anos feita na empresa, destacou que uma grande vantagem desses dois projetos é o corte na emissão de gás carbono (CO2). "Vai significar metade de tudo que é gerado hoje na usina", informou Guimarães. Somando, serão quase 750 mil toneladas de CO2 que deixarão de ser emitidas na atmosfera.
 

A Aperam, que substitui a ArcelorMittal Inox (antiga Acesita), mas manteve muitos dos mesmos acionistas, como a família Mittal, é especializada em aço inox, aços elétricos e aços carbono especiais. No Brasil tem capacidade de fazer 900 mil toneladas de aço bruto por ano e domina 75% do mercado de aço inox. Na América do Sul, de 35% a 40%, disse Frederico Ayres Lima, diretor comercial da unidade brasileira. Neste ano, informou, a expectativa é vender 670 mil toneladas dos três produtos, com liderança do inox.
 

Guimarães informa que está em fase de estudos, para depois ser levado ao conselho da companhia, a expansão da unidade de aços elétricos. Com aplicações em motores elétricos, transformadores de energia, hidrogeradores e até na fabricação de automóveis híbridos, no grupo planeja investimento, de algumas centenas de milhões de dólares, para atender o crescimento da demanda.
 

No ano passado, as vendas de elétricos somaram 190 mil toneladas. Projeções da Aperam apresentadas em janeiro indicavam aumento de demanda de 90% no período de 2009 a 2015, apenas no mercado brasileiro.
 

Lima diz que neste ano a subsidiária brasileira deverá vender o mesmo volume do ano passado dos três tipos de aço. "Estamos reduzindo a exportação para atender a demanda interna, que crescerá por volta de 8%". Segundo ele, ao fazer isso, a Aperam vai ampliar sua fatia no mercado doméstico, que não é pequena, mas sofre ataque dos importados.
 

A companhia enfrenta a concorrência dos estrangeiros desde 2008, disse Guimarães. Vem desde fabricantes da China até da Coreia do Sul e da Alemanha. Até o ano passado, a empresa tinha de exportar de 25% a 30% da produção, principalmente de inox.
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