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Um pré-sal de dúvidas é o que afunda Petrobras

Valor Econômico
20/08/2010 09:44
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Petrobras PN cai 3,25% com risco de adiamento de capitalização e preço do barril do pré-sal acima do esperado. Ibovespa recua 1,11%, a 66.887 pontos


A bolsa ontem foi contaminada pelo mau humor externo - o Ibovespa cedeu 1,11%, a 66.887 pontos -, mas o choque veio mesmo da Petrobras. Um pré-sal de dúvidas, conforme bem definiu um gestor de fundos, continua pesando sobre as ações da companhia. As preferenciais (PN, sem voto) perderam 3,25%, cotadas a R$ 26,78, e as ordinárias (ON, com voto), menos 3,65%, a R$ 30,36.


A possibilidade de novo adiamento da capitalização para 2011 e o risco de o preço do barril de petróleo do pré-sal ficar muito acima dos US$ 5 a US$ 6 esperados pelo mercado afastaram os investidores. Tanto que as PNs de Petrobras lideraram o giro financeiro ontem, com R$ 712,5 milhões. As ONs movimentaram mais R$ 178,6 milhões. O volume total da bolsa foi de R$ 5,304 bilhões.


Segundo reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo", a certificadora contratada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) teria avaliado o barril entre US$ 10 e US$ 12. Esse preço, na visão do gestor da Victoire Brasil Investimentos, André Caminada, está acima da expectativa do mercado e é considerado alto para os riscos que cercam a extração do óleo no pré-sal. "Mas, minha percepção é que o preço de US$ 5 a US$ 6 ficou barato demais."



Caminada diz que o barril na casa dos US$ 8 é razoável. Segundo um gestor que pediu não ser identificado, para o estrangeiro, o preço de US$ 7 a US$ 8 o barril já "desce quadrado", US$ 6 seria um preço justo, mas o barril pode acabar saindo em torno de US$ 9.


Quanto maior o valor do barril, maior a chance de o minoritário ser diluído. Isso porque muita gente vai ficar de fora, ou seja, não vai acompanhar o aumento de capital, por achar que o preço não vale o risco ou pelo tamanho do aporte. "O preço do barril é a isca para fisgar o acionista minoritário", diz Caminada. Se ele for alto demais, pode sobrar ação e aí a empresa teria duas opções: abrir mão de parte da capitalização ou baixar o preço das ações na oferta. "Nos dois casos, seria muito ruim."


Na visão de um gestor que pediu para não ser identificado, a diluição não é problema para o governo, já que ele quer ter fatia maior, e, portanto, a capitalização vai sair independente do preço. Só não pode haver uma diferença grande entre as avaliações para evitar questionamento jurídico. "Mas, como a Petrobras precisa do dinheiro do acionista, o ajuste vai acontecer no preço das ações na oferta." Para esse gestor, com o desconto, as ações PNs podem sair por R$ 24,00 ou até abaixo disso.


A Petrobras, segundo ele, tem um "furo" de caixa de R$ 10 bilhões por trimestre. E, como não há sinais de diminuição nos investimentos, o adiamento da capitalização por dois, três trimestres traz risco de a empresa ter a nota de crédito rebaixada.


Não há sentido algum em comprar o papel hoje, afirma esse gestor. E, quanto maior a pressão sobre ele, menor tende a ser seu preço na oferta. Mas vale um alerta: a Petrobras depois da capitalização será completamente diferente. O lucro a ser capturado com a exploração do pré-sal só vai aparecer em quatro a cinco anos, se tudo der certo. "A empresa será negociada com múltiplos mais altos até conseguir obter retorno dos investimentos no pré-sal", diz.


Caminada acrescenta: a história de Petrobras passou a ser de longo prazo, já que ficou mais difícil avaliar a empresa por conta da subjetividade de mensurar custos e receitas potenciais. "O investidor que colocar dinheiro agora vai ter de esperar cinco anos para ter lucro", diz. Mas ele é categórico em afirmar que Petrobras tem valor, especialmente no médio e longo prazo, além de estar barata. "A experiência e a capacidade de extração de petróleo da Petrobras a um custo competitivo valem muito", diz Caminada.


* Por Alessandra Bellotto, repórter de Investimentos.
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