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Satélites de baixa órbita permitem às plataformas offshore de petróleo ‘extrair’ lucro do espaço, por Jayme Ribeiro

Redação TN Petróleo/Assessoria
19/10/2023 13:32
Satélites de baixa órbita permitem às plataformas offshore de petróleo ‘extrair’ lucro do espaço, por Jayme Ribeiro Imagem: Divulgação Visualizações: 5304

Desde a pizzaria da esquina até os grandes conglomerados corporativos de todos os setores, nenhuma empresa consegue obter a sonhada lucratividade sem desenvolver a habilidade de produzir mais e melhor utilizando metodologias que permitam fazer isso com os menores custos.  

Quando uma tecnologia surge tendo como grande oferta justamente proporcionar esse tipo de habilidade ela é vista como potencialmente capaz de provocar transformações profundas nos mercados onde ela pode ser usada.

É neste contexto que as chamadas constelações de satélites de baixa órbita estão sendo vistas como absolutamente transformadoras para o mercado de exploração de petróleo e gás em alto mar.

Essas estruturas, conhecidas como offshore, quando operam mais próximas da costa, costumam ter suas conexões de internet baseadas em fibra submarina e neste caso os novos satélites produzem pouco impacto. 
Mas, quando se trata de plataformas em distâncias mais longas, onde, por exemplo, se busca extrair petróleo do pré-sal, a coisa muda completamente de figura. Nesta dimensão, a fibra simplesmente não existe e a comunicação só ocorre mesmo com a ajuda dos satélites. É neste ponto que está ocorrendo uma verdadeira revolução. 

Ocorre que até pouco tempo, o tipo de satélite utilizado para essa atividade eram os chamados GEO Estacionários, que são estruturas que ficam estáticas em uma determinada posição da órbita, obrigando a todos que querem captar seus sinais a terem equipamentos robustos para fazer isso. 

Na prática, são antenas que precisam ficar rastreando o satélite e apontando para eles, o que se torna uma tarefa complexa considerando que essas antenas, no mercado offshore, estão em um barco ou em uma plataforma que se movimenta. Quando ocorre o movimento, a antena precisa ter um mecanismo repleto de motores e engrenagens mecânicas que a permita acompanhar a movimentação e continuar apontando para o satélite de forma a não perder a captação de seus sinais. 

Como é fácil presumir, essas exigências tornam não só a aquisição dessas antenas um investimento alto, assim como uma manutenção cara. O custo do segmento espacial também é muito alto, o que leva à necessidade de um gasto total elevado para os proprietários destas plataformas, mesmo que eles sejam empresas do porte de Petrobrás e outras do seu tamanho. 

Com a chegada das constelações de baixa órbita, das quais atualmente a Starlink é principal estrela, toda essa lógica descrita acima é modificada.
Os satélites de baixa órbita estão em movimento contínuo e passando por cima da embarcação ou da plataforma. Isso permite que seus sinais sejam captados por antenas planas, sem a necessidade de engrenagens e motores para sua movimentação reduzindo significativamente o custo de sua aquisição e manutenção.  

Este tipo de antena simplesmente fica parada olhando para o céu e à medida que a constelação vai passando, ela se comunica com os satélites oferecendo uma velocidade de 200 megabits por segundo para um custo muito mais acessível que o custo de manter a comuicação com um satélite GEO Estacionário.
Além disso, a latência oferecida pela baixa órbita também é muito menor. Ela opera num intervalo entre 50 a 100 milissegundos enquanto no satélite GEO Estaconário a latência é acima de 600 milissegundos.

Todas essas vantagens combinadas estão fazendo com que o mercado de exploração de petróleo e gás em plataformas offshore encontre nas constelações de satélites de baixa órbita a condição de melhorar a qualidade de sua conexão, viabilizando o uso de ferramentas tecnológicas emergentes numa velocidade maior e com um custo significativamente inferior. 

Sabendo que o objetivo final de toda empresa é o lucro e considerando que a principal fonte de lucro dessas empresas é o petróleo, analogicamente pode se dizer que aumentar a eficiência na comunicação gastando menos é como capturar petróleo no espaço. 

Sobre o autor: Jayme Ribeiro é diretor executivo de Vendas e Marketing Latam da Sencinet. Master of Business Administration pela Coppead, pós-graduado em Computer Systems Networking and Telecommunications pela PUC-Rio e graduado em Engenharia pela UFRJ, tem mais de 20 anos de atuação no mercado de telecomunicações, atuando nas áreas de engenharia, produtos e comercial.

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