Artigo

Petrobras: o orgulho brasileiro perde seus alicerces

Empresa vem enfrentando dificuldades na geração de caixa.

Revista TN Petróleo
07/01/2014 09:43
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A Petrobras - Petróleo Brasileiro S.A. - uma das maiores e mais respeitadas, internacionalmente, empresas brasileiras vem apresentando dificuldades na geração de caixa. Motivo: necessita honrar compromissos relativos a investimentos no pré-sal, cujo retorno, sabidamente, poderá demorar entre cinco a 10 anos. Devido a uma política nacional fragilizada, a Petrobras engessa parte do seu capital de giro, enfrentando, também, dificuldades com o auto-financiamento das importações de petróleo dos países parceiros, tendo que alinhar, ainda dentro desse panorama, o cumprimento das metas fixadas no mercado internacional.
Por conta de uma política populista, a Petrobras repassa combustíveis às distribuidoras por um preço menor do que importa, gerando prejuízos em suas operações internas. Isso, certamente, trará problemas futuros para a organização e para o país.
A posição da Petrobras vem atrelada a uma avalanche de situações complexas e de desimobilização, principalmente, com subsidiárias no exterior, algumas sendo encerradas e outras incorporadas sem transparência. O resultado é claro, muitas empresas que estão sendo incorporadas estão sofrendo denúncias de prováveis desvios de finalidade, inclusive, a inexistência de uma auditoria externa para analisar os valores efetivos. Vale lembrar que algumas delas estão localizadas em paraísos fiscais, o que, indiscutivelmente, facilita fraudes e má gestão de recursos da própria empresa.
E agora, eis que surge, um acionista minoritário a desempenhar o papel de pedra no sapato dos presentes às assembleias de acionistas da Petrobras. O senhor Romano Allegro acusa - e torna pública - a possibilidade de má gestão do recurso da empresa aliada à participação de membros do governo federal nas aprovações de manutenção do preço do petróleo a ser aplicado aos preços da distribuidoras. Situação incômoda para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos participantes do Conselho de Administração da Petrobras e que acaba, naturalmente, desempenhando o papel de  ministro da Economia defendendo interesses particulares do governo e prejudicando, assim, os pequenos acionistas que deveriam ser defendidos pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários.
A política de aumento dos combustíveis, por meio de gatilho, não agradou ao mercado, uma vez que não há transparência em suas ações o que torna fragilizado qualquer processo de busca de  resultado positivo, redução do endividamento e geração de fluxo de caixa sustentável permitindo à empresa lograr perspectivas futuras de manutenção dos seus negócios. A situação agrava-se e a Petrobras poderá perder, irremediavelmente, seu grau de investimento. Agências de risco enxergam como iminente a redução da nota no curto prazo tornando-se um investimento arriscado.
Um mercado tenso e preocupado gera instabilidade nos preços dos papéis em bolsa, que oscila, a todo momento, de modo inconstante, algumas vezes favorável, noutras desfavorável. Tanto é que o valor patrimonial, com resultados encerrados no 3º trimestre de 2013, foi de R$ 26,30 por ação significativamente maiores que o próprio valor de mercado das ações que tem oscilado entre R$ 16,84 a R$ 17,05 por ação, em 19/12/2013; fato que chama a atenção.
Outro aspecto, que agora poderá tornar-se pauta na avaliação, refere-se aos custos de produção do petróleo: qual será o custo de extração do petróleo e por quanto a empresa conseguirá importá-lo? Não se descarta a possibilidade de que se chegue à conclusão de que o custo de importação ainda possa ser menor do que o da produção no país, fazendo com que todos esses investimentos possam não gerar resultados e acabar descontinuados no tempo.
Os recentes escândalos, sem identificação dos culpados, como o de Passadena, a incorporação de empresas sediadas no Exterior como a PFICO e da RNEST são latentes. Existe a robusta suspeita de problemas de passivo oculto. O descontrole dos custos é tão significativo que pode gerar ainda mais problemas no fluxo de caixa, como é o caso de uma das refinarias cujo custo de obra foi orçado em US$ 2,3 bilhões e já ultrapassa a casa dos US$ 17 bilhões.
Em virtude da dificuldade da geração de caixa e falta de recursos para investimentos, em médio e longo prazo com juros para financiamentos, que poderão ficar mais caros em consequência da ameaça de rebaixamento da nota pelas agências de risco, o questionamento que se faz é: não seria o momento de se discutir a privatização e permitir que a empresa possa voltar a ser um negócio rentável e assim gerar dividendos para os investidores e produtos de qualidade, com preços competitivos para os diversos consumidores? A realidade é que seria inadmissível haver perdas provocadas por má gestão.
*Reginaldo Gonçalves, coordenador de ciência contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM).

A Petrobras - Petróleo Brasileiro S.A. - uma das maiores e mais respeitadas, internacionalmente, empresas brasileiras vem apresentando dificuldades na geração de caixa. Motivo: necessita honrar compromissos relativos a investimentos no pré-sal, cujo retorno, sabidamente, poderá demorar entre cinco a 10 anos. Devido a uma política nacional fragilizada, a Petrobras engessa parte do seu capital de giro, enfrentando, também, dificuldades com o auto-financiamento das importações de petróleo dos países parceiros, tendo que alinhar, ainda dentro desse panorama, o cumprimento das metas fixadas no mercado internacional.

Por conta de uma política populista, a Petrobras repassa combustíveis às distribuidoras por um preço menor do que importa, gerando prejuízos em suas operações internas. Isso, certamente, trará problemas futuros para a organização e para o país.

A posição da Petrobras vem atrelada a uma avalanche de situações complexas e de desimobilização, principalmente, com subsidiárias no exterior, algumas sendo encerradas e outras incorporadas sem transparência. O resultado é claro, muitas empresas que estão sendo incorporadas estão sofrendo denúncias de prováveis desvios de finalidade, inclusive, a inexistência de uma auditoria externa para analisar os valores efetivos. Vale lembrar que algumas delas estão localizadas em paraísos fiscais, o que, indiscutivelmente, facilita fraudes e má gestão de recursos da própria empresa.

E agora, eis que surge, um acionista minoritário a desempenhar o papel de pedra no sapato dos presentes às assembleias de acionistas da Petrobras. O senhor Romano Allegro acusa - e torna pública - a possibilidade de má gestão do recurso da empresa aliada à participação de membros do governo federal nas aprovações de manutenção do preço do petróleo a ser aplicado aos preços da distribuidoras. Situação incômoda para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos participantes do Conselho de Administração da Petrobras e que acaba, naturalmente, desempenhando o papel de  ministro da Economia defendendo interesses particulares do governo e prejudicando, assim, os pequenos acionistas que deveriam ser defendidos pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários.

A política de aumento dos combustíveis, por meio de gatilho, não agradou ao mercado, uma vez que não há transparência em suas ações o que torna fragilizado qualquer processo de busca de  resultado positivo, redução do endividamento e geração de fluxo de caixa sustentável permitindo à empresa lograr perspectivas futuras de manutenção dos seus negócios. A situação agrava-se e a Petrobras poderá perder, irremediavelmente, seu grau de investimento. Agências de risco enxergam como iminente a redução da nota no curto prazo tornando-se um investimento arriscado.

Um mercado tenso e preocupado gera instabilidade nos preços dos papéis em bolsa, que oscila, a todo momento, de modo inconstante, algumas vezes favorável, noutras desfavorável. Tanto é que o valor patrimonial, com resultados encerrados no 3º trimestre de 2013, foi de R$ 26,30 por ação significativamente maiores que o próprio valor de mercado das ações que tem oscilado entre R$ 16,84 a R$ 17,05 por ação, em 19/12/2013; fato que chama a atenção.

Outro aspecto, que agora poderá tornar-se pauta na avaliação, refere-se aos custos de produção do petróleo: qual será o custo de extração do petróleo e por quanto a empresa conseguirá importá-lo? Não se descarta a possibilidade de que se chegue à conclusão de que o custo de importação ainda possa ser menor do que o da produção no país, fazendo com que todos esses investimentos possam não gerar resultados e acabar descontinuados no tempo.

Os recentes escândalos, sem identificação dos culpados, como o de Passadena, a incorporação de empresas sediadas no Exterior como a PFICO e da RNEST são latentes. Existe a robusta suspeita de problemas de passivo oculto. O descontrole dos custos é tão significativo que pode gerar ainda mais problemas no fluxo de caixa, como é o caso de uma das refinarias cujo custo de obra foi orçado em US$ 2,3 bilhões e já ultrapassa a casa dos US$ 17 bilhões.

Em virtude da dificuldade da geração de caixa e falta de recursos para investimentos, em médio e longo prazo com juros para financiamentos, que poderão ficar mais caros em consequência da ameaça de rebaixamento da nota pelas agências de risco, o questionamento que se faz é: não seria o momento de se discutir a privatização e permitir que a empresa possa voltar a ser um negócio rentável e assim gerar dividendos para os investidores e produtos de qualidade, com preços competitivos para os diversos consumidores? A realidade é que seria inadmissível haver perdas provocadas por má gestão.


*Reginaldo Gonçalves, coordenador de ciência contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM).

 

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