Artigo Exclusivo

Perspectivas da retomada (Linkedin pulse), por Armando Cavanha

Armando Cavanha
29/10/2017 09:31
Perspectivas da retomada (Linkedin pulse), por Armando Cavanha Imagem: Divulgação Visualizações: 1432

Começam a vir à tona discussões de como serão os investimentos que se aproximam, com os resultados dos últimos leilões de 2017. Ainda com alguma cautela, os diversos atores de supply chain de bens e serviços se perguntam como será a retomada. Como dizem alguns fornecedores, “quando vou ter o meu contrato na mão?”.

As licitações de blocos exploratórios trazem boas perspectivas para os negócios e para a geração de empregos locais. No entanto, há uma sequência natural nos investimentos que seguem a cadeia produtiva de óleo e gás:

A Exploração, primeira e indispensável atividade, requer de 1 a 2 anos para a aquisição sísmica, processamento, interpretação, locação, etc… São contratos de petroleiras ou consórcios operadores com prestadores de serviços tecnológicos, todos estrangeiros, com conteúdo local quase que inviável no Brasil. Empresas como PGS, CGG, SPECTRUM, dentre outras americanas e européias. Seus navios especializados percorrem linhas pré desenhadas em mar, obtendo dados do subsolo e permitindo estudos de geólogos e geofísicos sobre possíveis acumulações e suas dimensões de potenciais reservatórios de óleo e/ou gás. Terminados os trabalhos, retornam ao seu país de origem ou se deslocam para outras regiões do planeta para novos trabalhos.

Após isto, caso os indicativos sejam positivos, ocorre o “drilling” ou perfuração. São contratadas sondas, normalmente afretadas de mercado bastante especializado, onde por 1 a 3 anos são feitos poços para “descobrir” os hidrocarbonetos. Os provedores de servicos sao muitos, de origem estrangeira e grande porte, apenas com representação e suporte local. Dentre eles estão Seadrill, Transocean, Diamond, Maersk, etc.

São feitas medições sofisticadas de “logging” ou perfilagem, obtendo-se dados das formações laterais da formação rochosa a partir de um poço, em profundidades de 3 a 7 mil metros. Empresas típicas são Schlumberger, Halliburton, Baker, com pouquíssimo conteúdo local. Ainda podem ser requeridos poços adicionais de delimitação. Mais tempo ainda demandado em atividade de tecnologias importadas, pelo menos meses ou anos.

Se tudo for positivo, segue-se para o desenvolvimento da produção. São feitas a Engenharia Conceitual, Engenharia Básica, Engenharia de Detalhamento, gastando-se mais 1 a 3 anos, seriam tempos típicos.

Ou seja, normalmente 5 ou mais anos após as licitações de blocos exploratórios iniciam-se as contratações de afretamento de FPSOs, possíveis contratos e compras locais, parciais, de topside, subsea e poços adicionais. Está fase pode durar de 0 a 3 anos, tipicamente, mas tempos diferentes são possíveis.

Acresce-se a isto tempos para licenças ambientais, nem sempre imediatas atualmente.

Portanto, há duas considerações importantes para fornecedores.

 

A primeira, diz respeito ao tempo para se obter um contrato de máquinas e equipamentos, a partir de uma licitação de blocos exploratórios, que pode ser longo, no casa de 3 a 12 anos.

A segunda, que o modelo de contratação tende a ser, no Brasil, mais por empresas construtoras e prestadoras de serviços do que petroleiras ou consórcios. Como exemplo, SBM, MODEC, TEAKEY, etc. Ou seja, menos compras, mais prestação de serviços com bens e equipamentos embutidos.

Assim, “o investimento pesado vem depois”, ou seja, 70% do valor total de um projeto de E&P se inicia em não menos que 3 anos após um leilão.

Aqueles projetos já mais avançados no processo exploratório e de produção devem demandar tempos mais curtos para bens e serviços. Os iniciais, puramente exploratórios ainda, terão de cumprir a sequência natural dos negócios.

Com a diversificação de donos de blocos e ativos no país, cada vez mais a tendência é termos modelos de atividade e contratação do tipo globais. Cada vez mais fornecedores de classe mundial. Cada vez mais modelo Indústria e menos modelo Estado. Cada vez mais OPEX do que CAPEX.

Muitas mudanças nos esperam, podemos nos preparar para convivermos cada vez de forma mais harmônica com isso.

Sobre o autor: Armando Cavanha (cavanha.com) é professor convidada da FGV/MBA

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
Mayekawa do Brasil presente na Bahia Oil & Gas Energy
03/06/26
Meio Ambiente
TIM amplia geração própria de energia renovável e usa in...
03/06/26
Investimento
Projeto de coleta de óleos e gorduras residuais irá rece...
03/06/26
BOGE 2026
WIKA apresenta soluções para medição e controle de proce...
03/06/26
Etanol
Brasil pode mais que dobrar produção de etanol até 2040 ...
03/06/26
GLP
Posicionamento do Sindigás sobre reunião da Diretoria Co...
03/06/26
Combustíveis
Petrobras aprova adesão à nova subvenção econômica e pre...
03/06/26
Resultado
Com 5,640 milhões de barris de óleo equivalente por dia ...
02/06/26
BOGE 2026
Bahia Oil & Gas Energy encerra edição histórica e projet...
02/06/26
Bolsa de Valores
Com mercado volátil, ações de petróleo, combustíveis e g...
02/06/26
BOGE 2026
NETZSCH do Brasil reforça liderança no setor de óleo e g...
01/06/26
BOGE 2026
Clark Solutions reforça atuação em eficiência Bahia Oil ...
01/06/26
Firjan
PIB cresce, mas custo estrutural continua limitando o Brasil
01/06/26
Combustíveis
Petrobras ajusta preço da gasolina
01/06/26
Parceria
Grupo Bravante firma parceria oficial com a WISTA Brazil...
01/06/26
Combustíveis
Etanol encerra maio com mercado atento ao avanço da safra
01/06/26
Bacia de Sergipe-Alagoas
A SBM Offshore assinou contratos para as FPSOs SEAP-I e ...
31/05/26
BOGE 2026
Bahiagás destaca protagonismo da Bahia na Transição Ener...
29/05/26
BOGE 2026
Benel marca presença no Bahia Oil & Gas Energy e anuncia...
29/05/26
Investimentos
Petrobras anuncia aportes de mais de R$ 70 bilhões em Se...
29/05/26
BOGE 2026
Oil States reforça compromisso com inovação e excelência...
29/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25