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O papel da tecnologia na indústria antes e depois da crise, por Angela Maria Gheller


19/05/2020 09:34
O papel da tecnologia na indústria antes e depois da crise, por Angela Maria Gheller Imagem: Divulgação Visualizações: 1091

No início de 2020, o segmento de manufatura no Brasil era um dos mais otimistas, considerando os desafios vividos nos últimos anos. Havia uma expectativa na retomada da indústria brasileira e alguns resultados positivos já vinham sendo percebidos. Além disso, o setor era o que havia projetado os maiores investimentos em tecnologias para transformação digital na América Latina e importantes projetos de modernização já haviam sido iniciados. Ou seja, o cenário era de aquecimento e retomada gradual no investimento na indústria brasileira.

Em meio a esse clima positivo, a pandemia causada pela COVID-19 surgiu como um grande 'balde de água fria', não apenas para o Brasil, mas para toda a economia global. A crise afetou imediatamente todos os segmentos e as formas de consumo, em um momento único da história atual da economia. Com a indústria não foi diferente, nas primeiras semanas já era perceptível uma grande desaceleração do setor manufatureiro no Brasil, em decorrência de diferentes dificuldades de cada elo da cadeia de suprimentos.

Dentro desta nova realidade imposta pelo isolamento social, uma certeza ficou evidente: as empresas mais digitalizadas estavam mais preparadas para gerenciar suas operações em meio à crise. Logo no primeiro momento já foi percebido um grande aumento na procura por soluções em nuvem (Cloud Computing), pois com elas os sistemas podem ser acessados de qualquer lugar com grande escalabilidade, proporcionando aumento na segurança da informação e permitindo a redução de custos com infraestrutura. Algumas projeções já falam que o crescimento do mercado de Cloud deverá ser de dois dígitos em um ano e que será historicamente lembrado pela retração de investimentos.

As empresas de manufatura que não tinham uma boa gestão e digitalização dos seus processos, sentiram já nas primeiras semanas da crise um forte impacto nas operações, ficou evidente a necessidade de ter tudo no sistema e não nas "mãos" ou nos "HDs" de cada colaborador. Soluções de GED e BPM, integradas ao ERP se tornaram essenciais, fazendo empresas investirem em tecnologia no meio da crise. Muitas empresas se preocuparam em investir em ferramentas para melhorar a experiência do home office, como a solução de ponto eletrônico por reconhecimento facial, permitindo mais segurança na coleta deste dado, integrando ao sistema de gestão de ponto.

Mas toda crise faz com que as empresas revisem seus processos em busca de redução de custos e aumento de produtividade. Com a COVID-19 não foi diferente, nessa fase difícil a indústria brasileira voltou a valorizar a gestão de seus processos em busca de redução dos riscos da cadeia, mantendo o foco na redução de custos e ganhos de produtividade. Nesse cenário, soluções de compras e gestão de fornecedores se tornaram essenciais, pois houve rupturas no abastecimento e a necessidade de buscar novos fornecedores de matérias primas foi evidenciado.

A falta dessas ferramentas ficou evidente na pesquisa encomendada pela TOTVS, intitulada de Índice de Produtividade Tecnológica das empresas brasileiras, que apontou que apenas 42% das indústrias respondentes utilizam soluções para a área de produção e manutenção integradas ao ERP.

No momento, é ainda mais importante que a indústria invista na implantação e integração das ferramentas de manutenção, planejamento e produção. Somente desta forma as empresas poderão aproveitar as oportunidades geradas por lead times mais curtos de compra, como estoques de segurança menores. A gestão de entrada de demanda também é essencial na manufatura, seja por meio de uma plataforma de e-commerce, seja pela automação da força de venda. Além disso, a automatização da manufatura voltou a ganhar força, pois ela gera uma grande diminuição de retrabalho e uma maior acuracidade nas informações coletadas no chão de fábrica, melhorando a eficiência global e reduzindo os custos de produção.

Apesar das incertezas sobre a retomada pós-pandemia, a indústria vislumbra algumas novas possibilidades, como um movimento de reavaliação das cadeias de suprimentos que podem gerar novos negócios no mercado nacional e regional. Porém, muitas empresas nacionais ainda não possuem maturidade de processos e produtos para aproveitarem essas oportunidades, esse pode ser o momento ideal para entrar de vez na jornada da Indústria 4.0.

Sobre a autora: Angela Maria Gheller é diretora de manufatura, logística e agroindústria da TOTVS

 

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