Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
A posição do Brasil entre os dez maiores produtores de óleo e gás do mundo é amplamente conhecida, com perspectivas concretas de alcançar o top 5 em um futuro próximo. Os volumes cada vez maiores de exportação acompanham a curva de produção ascendente do país. Ao mesmo tempo, nossa dependência externa para itens derivados de óleo e gás e que são essenciais para a economia nacional – como fertilizantes para o agronegócio e produtos petroquímicos para a cadeia de plásticos - expõe uma contradição que desafia a lógica de mercado.
É um cenário a ser revertido. As transformações energéticas em curso abrem caminho para novas fábricas de fertilizantes e uma maior produção petroquímica no Brasil. E o Rio de Janeiro é o ponto de partida para o futuro dessas indústrias. Isso se deve ao aumento da oferta de gás natural, impulsionado pela plena operação do Complexo de Energias Boaventura e pelo novo gasoduto que conectará o campo de Raia à Macaé, com volumes que em muito irão ampliar a oferta nacional. Além disso, o estado possui um grande potencial para a produção de hidrogênio e biometano. Todos esses energéticos podem ser usados como matéria-prima nessas indústrias.
A indústria petroquímica fluminense é a mais competitiva do país. O estado se consolidou como protagonista na balança comercial de polipropileno e ampliou sua relevância em polietileno, superando tradicionais polos industriais como São Paulo e Rio Grande do Sul. Ainda há amplo espaço tanto para ampliar a fabricação desses polímeros quanto para estimular a produção de outros, como poliestireno, PET e PVC. Cabe aqui ressaltar o efeito multiplicador em empregos perenes e na geração de rendas a partir dessas indústrias. Por outro lado, é preciso criar um ambiente de incentivos com foco em competitividade para o estado estar apto a suprir o mercado no próximo ciclo de aumento de demanda na cadeia produtiva.
Para fertilizantes, o desafio é maior, com uma produção praticamente inexistente hoje, o que se traduz em uma promissora oportunidade. A decisão da Petrobras de retomar suas atividades no segmento com a reativação de plantas e projetos hibernados mostra um caminho para o melhor aproveitamento do gás natural como insumo para a produção de fertilizantes nitrogenados.
De maneira complementar, o Poder Público tem concentrado esforços com a Nova Indústria Brasil (NIB), o Plano Nacional de Fertilizantes e toda a atuação do CONFERT, com destaque para sua carteira de projetos, que contempla uma planta para o município de Macaé capaz de responder por 10% da demanda nacional de fertilizantes. Também a fábrica de amônia verde no Porto do Açu, de iniciativa 100% privada e com parceria internacional, e que deverá utilizar hidrogênio de baixo carbono como insumo, se soma nesse esforço.
O Rio de Janeiro irá sediar também o Centro de Excelência de Fertilizantes e Insumos para Nutrição de Plantas (CEFENP), com foco no desenvolvimento de inovação aplicada à realidade do país, atendendo às necessidades e especificidades regionais. O hub do CEFENP no Rio não só poderá escalonar tecnologias para a produção de fertilizantes, como também interagir com outros estados, que terão diferentes demandas, conforme suas vocações.
O diferencial competitivo do estado fluminense vai muito além dos projetos já anunciados e de toda competência energética e diversidade de fontes disponíveis para concretizar novos empreendimentos. Reconhecidamente um polo logístico, sua localização privilegiada e infraestruturas existentes evidenciam a capacidade de acessar o centro de consumo do país, ao mesmo tempo que tornam viáveis rotas de exportação para o mundo.
Não à toa, a Federação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) tem trabalhado no desenvolvimento dessas indústrias, dedicando competências internas e realizando parcerias estratégicas. Em seu estudo ‘Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2024’, são destacadas uma série de dados que permitem vislumbrar um horizonte de como será o futuro da economia local. Serão ao menos R$ 20 bilhões em investimentos, com potencial para criar 10 mil postos de trabalho durante as obras e mais de mil empregos perenes quando as plantas estiverem operacionais.
Para além de se incentivar e trabalhar na construção de novos negócios, em tempos que o mote é descarbonizar, resta lembrar que essas indústrias também atuam como fixadoras de carbono, ao dar uma finalidade distinta de gerar emissões e ainda poder fazer uso do carbono da atmosfera. O futuro do Rio de Janeiro está intrinsicamente conectado à capacidade de transformar seu vasto potencial energético em valor agregado, consolidando-se como referência sustentável na petroquímica e nos fertilizantes.
A boa notícia é que o Rio de Janeiro está em plena construção do seu futuro em uma rota que une tecnologia, energia e sustentabilidade.
Sobre o autor: Thiago Valejo é gerente de Projetos de petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan.
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