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Gás de xisto e a importância das fontes previsíveis de energia

Falta de energia elétrica é uma questão urgente e importantíssima.

TN Petróleo
10/12/2013 09:08
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GÁS DE XISTO E A IMPORTÂNCIA DAS FONTES PREVISÍVEIS DE ENERGIA
 
* Mikio Kawai Jr.
 
No final do último mês de novembro, foi realizado o primeiro leilão para a extração de gás de xisto no Brasil, fonte polêmica de energia e motivo de discussão entre as esferas econômica e ambiental ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, contribui para o que muitos chamam de “revolução energética”, já que é mais barato que o carvão e reduz as importações de combustíveis fósseis ao país; já em outras nações, como França e Bulgária, sua exploração foi vetada, principalmente pelos riscos de poluição à água.
 
A busca pelo gás não convencional, como também é conhecido, em nosso país ainda não teve as regulações definidas. Entretanto, o governo definiu abrir licitações ao ofertar 240 blocos terrestres onde acredita-se que exista o gás natural, num total de 168.348,42 km², em bacias sedimentares espalhadas por 12 estados: Amazonas, Acre, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Maranhão, Paraná e São Paulo. Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil possui uma das dez maiores reservas de gás de xisto do mundo, com cerca de 7 trilhões de m³ em bacias geológicas.
 
Encontrado em rochas, o gás de xisto é extraído por meio de fraturamento no subsolo, técnica comum na indústria de petróleo, porém muito questionada por ambientalistas. Isso porque ela aumenta as chances de contaminação ao lençol freático e também de explosões por vazamento de gás metano, além de muitos acreditarem que também podem ampliar o risco de terremotos.
 
A exploração do gás de xisto é mais um ponto da constante discussão sobre as fontes de nosso sistema energético, muitas vezes questionadas por ambientalistas. Apesar dos constantes questionamentos, é preciso entender que é absolutamente inviável, em nações com a população e a economia do tamanho das do Brasil, um sistema energético sem as chamadas fontes previsíveis, como água, carvão e o próprio gás de xisto. Ou seja, não há garantia de vento e luz solar, fontes absolutamente sustentáveis, o tempo todo, mas conhecemos nosso estoque de carvão, conseguimos estimar o tamanho dos poços de gás e sabemos a quantidade de água da chuva estocada nos reservatórios de nossas hidrelétricas. 
 
A partir dessas informações, podemos planejar toda a distribuição de energia e minimizar os riscos de problemas no abastecimento de energia, como racionamento e grandes apagões. O que deve ser apontado é que, mesmo quando a opinião da maioria tende a ser contra esses investimentos - única e exclusivamente por serem menos benéficos à natureza -, sempre há um contraponto. Claro que as preocupações ambientais devem existir o tempo todo e ninguém pode ser contra isso, no entanto a falta de energia elétrica em nossos lares e indústrias é uma questão urgente e importantíssima.
 
* Mikio Kawai Jr. é economista e Diretor-Executivo do Grupo Safira
 
Mais informações sobre Mikio Kawai Jr.: é economista pela FEA-USP (1995), mestre em economia pela Unicamp (1999 - dissertação sobre gestão de riscos) e Advanced Executive Management pela IESE Business School (Espanha 2011). Iniciou a carreira no mercado financeiro em bancos de investimentos, tanto nacional como estrangeiro, migrou para o mercado de energia na sua gênese, em 1998. Trabalhou na CPFL Energia até 2004, atuou como gerente de suprimento de energia na AES Brasil, gerente de operações na Openlink (Nova York e SP). Desde 2008, ocupa o cargo de Diretor-Executivo do Grupo Safira, companhia que atua na comercialização de energia, além de consultoria e prestação de serviços em representação de entidades no âmbito da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

No final do último mês de novembro, foi realizado o primeiro leilão para a extração de gás de xisto no Brasil, fonte polêmica de energia e motivo de discussão entre as esferas econômica e ambiental ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, contribui para o que muitos chamam de “revolução energética”, já que é mais barato que o carvão e reduz as importações de combustíveis fósseis ao país; já em outras nações, como França e Bulgária, sua exploração foi vetada, principalmente pelos riscos de poluição à água.
 
A busca pelo gás não convencional, como também é conhecido, em nosso país ainda não teve as regulações definidas. Entretanto, o governo definiu abrir licitações ao ofertar 240 blocos terrestres onde acredita-se que exista o gás natural, num total de 168.348,42 km², em bacias sedimentares espalhadas por 12 estados: Amazonas, Acre, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Maranhão, Paraná e São Paulo. Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE), o Brasil possui uma das dez maiores reservas de gás de xisto do mundo, com cerca de 7 trilhões de m³ em bacias geológicas.
 
Encontrado em rochas, o gás de xisto é extraído por meio de fraturamento no subsolo, técnica comum na indústria de petróleo, porém muito questionada por ambientalistas. Isso porque ela aumenta as chances de contaminação ao lençol freático e também de explosões por vazamento de gás metano, além de muitos acreditarem que também podem ampliar o risco de terremotos.
 
A exploração do gás de xisto é mais um ponto da constante discussão sobre as fontes de nosso sistema energético, muitas vezes questionadas por ambientalistas. Apesar dos constantes questionamentos, é preciso entender que é absolutamente inviável, em nações com a população e a economia do tamanho das do Brasil, um sistema energético sem as chamadas fontes previsíveis, como água, carvão e o próprio gás de xisto. Ou seja, não há garantia de vento e luz solar, fontes absolutamente sustentáveis, o tempo todo, mas conhecemos nosso estoque de carvão, conseguimos estimar o tamanho dos poços de gás e sabemos a quantidade de água da chuva estocada nos reservatórios de nossas hidrelétricas. 
 
A partir dessas informações, podemos planejar toda a distribuição de energia e minimizar os riscos de problemas no abastecimento de energia, como racionamento e grandes apagões. O que deve ser apontado é que, mesmo quando a opinião da maioria tende a ser contra esses investimentos - única e exclusivamente por serem menos benéficos à natureza -, sempre há um contraponto. Claro que as preocupações ambientais devem existir o tempo todo e ninguém pode ser contra isso, no entanto a falta de energia elétrica em nossos lares e indústrias é uma questão urgente e importantíssima.
 
* Mikio Kawai Jr. é economista e Diretor-Executivo do Grupo Safira.

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