Artigo

Empregos do futuro: como se manter mais relevante que as máquinas? por Alexandre Pierro

Alexandre Pierro
18/03/2019 15:08
Visualizações: 931

Desde a 1ª Revolução Industrial, existe uma tensão na relação entre homens e máquinas. Enquanto a tecnologia avança, do tear mecânico à inteligência artificial, movimentos ludistas tomam formas diferentes, e a obsolescência humana força uma evolução de pensamento que mantenha na humanidade um recurso valioso para os processos produtivos.

Por um lado, a tecnologia se desenvolve para servir de aliada, enquanto que por outro, ela se torna aparente uma ameaça. Há um impasse que parece jamais ser resolvido, ou que ao menos ainda precisa de mais variáveis para chegar a uma solução completa. A verdade é que já temos os meios de resolvê-lo, mas isso demanda uma certa mudança na postura humana com relação ao trabalho.

Precisamos das máquinas para sustentar a crescente de nossa sociedade, mesmo que isso custe empregos. Entretanto, a própria economia depende de humanos com poder aquisitivo para funcionar. É um impasse que atinge o trabalhador, o detentor do meio de produção, o consumidor e, basicamente, toda a atividade socioeconômica humana.

Em 2013, um famoso artigo de Carl Benedikt Frey e Michael Osborne, ambos pesquisadores da Universidade de Oxford, mexeu com a visão que temos da tecnologia em crescente desenvolvimento. O estudo apontava que 47% dos empregos nos Estados Unidos estavam ameaçados por robôs que fariam as tarefas de forma mais eficiente, eficaz e lucrativa, dispensando a mão de obra humana.

É a metade dos empregos de uma nação. Não à toa, o estudo motivou milhares de outros trabalhos semelhantes, que se utilizam de análises, métodos e variáveis distintas. Hoje, já temos números que indicam uma mudança, mas que não é exatamente tão catastrófica.

Já sabemos que muitos trabalhos podem ser substituídos por máquinas, sejam elas robôs, algoritmos, etc. Porém, há muito mais trabalhos surgindo, indicando algumas mudanças na atuação humana, ao invés de sua obsolescência. O impacto tecnológico já mudou o modo como o mundo funciona e continuará mudando.

Logicamente, a maneira como os profissionais são formados também precisa mudar, assim como os espaços de trabalho, as composições de equipes e, acima de tudo, a mentalidade dos profissionais. Não há volta. Não se pode impedir o progresso, mas se pode progredir com ele.

É preciso haver movimentos que incentivem mais e mais uma evolução do pensamento humano. Não falo de uma alteração genética, nem nada vindo de uma história de ficção científica, mas de uma melhor utilização do potencial e capacidades humanas. Atualmente, lemos em um único dia mais do que nossos bisavôs leram em suas vidas inteiras. Interagimos com mais pessoas em uma semana do que eles em anos.

Exercitamos a mente de formas diferentes. Temos maios acesso à informação e, com tudo isso, já mudamos a maneira como nossos cérebros funcionam. Estamos mais produtivos e capazes do que nunca. Os papas da inovação afirmam que todas as atividades repetitivas, vazias de criatividade, deverão ser substituídas por máquinas.

O fato é que as máquinas imitam o homem, mas elas ainda não tem a capacidade de criatividade e imaginação humana. Por mais impressionante que seja um robô que sabe tudo sobre um determinado assunto, nossos cérebros ainda são superiores, mais eficientes e complexos. Eles só são diferentes.

Uma máquina pode analisar inúmeros livros jurídicos e dominar as leis, aplicar atenuantes. Contudo, o julgamento, a criação das leis, as considerações éticas, morais e a compreensão sociológica, demandam um tipo de abstração que ainda é apenas humana. O que é mecânico será sim substituído, mas novas portas serão abertas porque o valor humano está em coisas intangíveis e complexas. As profissões do futuro são as que demandam um pensamento abstrato, a arte, a imaginação, a criatividade.

Ser mais relevante que uma máquina inclui ainda saber usá-las da melhor forma possível, alimentar sua mente com informação, com criatividade, com uma postura e pensamento capaz de retirar o melhor das situações. Enquanto seu bisavô se preocupava em apertar um parafuso, você pode observar toda a cadeia de produção e como ela pode ser melhor.

Seus netos poderão melhorar produtos, métodos de produção, gerenciamento de recursos, dentre diversas outras coisas, de maneira ágil, descomplicada e simplesmente porque sua mente está preparada para lidar com problemas mais complexos. O chão de fábrica se tornará lugar dos qualificados a pensar além, gerenciar grandes quantidades de problemas e ideias. A evolução das máquinas, na verdade, representa apenas mais um passo da evolução humana.

Sobre o autor: Alexandre Pierro é fundador da Palas, consultoria em gestão da qualidade e inovação, engenheiro mecânico pelo Instituto Mauá de Tecnologia e bacharel em física nuclear aplicada pela USP. Passou por empresas nacionais e multinacionais, sendo responsável por áreas de improvement, projetos e de gestão. É certificado na metodologia Six Sigma/Black Belt, especialista e auditor líder em sistemas de gestão de normas ISO. É membro de grupos de estudos da ABNT, incluindo riscos, qualidade, ambiental e inovação. Atualmente, cursa MBA em inovação.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP divulga empresas aptas a particip...
26/06/26
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
Energy Summit
Lemon Energia recebe Ouro em Sustentabilidade no Energy ...
25/06/26
Pré-Sal
Campo de Búzios supera próprio recorde e produz 1 milhão...
25/06/26
Energy Summit
ABDI destaca redução no tempo de contratação em compras ...
24/06/26
Energy Summit
Binatural conquista Energy Summit Awards e reforça prota...
24/06/26
Energy Summit
Tauil & Chequer | Mayer Brown reúne representantes da AN...
23/06/26
Internacional
Petrobras e Pemex firmam parceria para cooperação em E&P
23/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.