Artigo

É hora de, todos juntos, reconstruirmos o Brasil, por Paulo Skaf

Paulo Skaf, Fiesp
01/09/2016 10:50
Visualizações: 865

O Brasil vive hoje um dia histórico. Em total respeito à Constituição e às leis, e dentro das normas do Estado Democrático de Direito, o Congresso Nacional concluiu o julgamento da presidente da República, aprovando seu afastamento definitivo e dando posse ao presidente Michel Temer.

Não é hora de comemoração! É o fim de um longo e desgastante processo. A denúncia que originou o processo de impeachment foi apresentada ao Congresso há exatamente um ano, no dia 31 de agosto de 2015. Nesse período, o debate político se acirrou, opondo apoiadores e contrários ao impeachment. Amizades foram desfeitas. Familiares brigaram. O Brasil se dividiu.

A economia, já combalida, experimenta seus piores dias: o desemprego atinge 12 milhões de trabalhadores, e mais de 100 mil lojas e quase 10 mil fábricas foram fechadas. O recuo do PIB chega a 8%, o consumo das famílias também diminuiu 8%, e o investimento despencou 25%. O crédito está travado, a inflação chegou a 11%, e a taxa de juros, a 14,25% ao ano.

A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) não só acompanhou, como apoiou o processo de impeachment na condição de representante de importantes setores da sociedade brasileira. O processo terminou. Agora é hora de virar a página, deixar as diferenças para trás, arregaçar as mangas e, de braços dados, reconstruir o Brasil.

A confiança está sendo retomada, mas é preciso mais. A reconstrução do Brasil demandará grande esforço da sociedade. O Ajuste fiscal é a mãe de todas as reformas. O governo deve controlar seus gastos, eliminar os desperdícios e combater a corrupção. O equilíbrio fiscal deve ser feito sem aumento de impostos. Os brasileiros não admitem aumento de impostos.

Por isso, não podemos esperar para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional que institui o teto para os gastos públicos, limitando-os à inflação do ano anterior. Não há alternativa. Se tivéssemos aprovado o teto há dez anos, a dívida pública, que hoje é de quase R$ 4 trilhões, estaria em R$ 700 bilhões, ou seja, seis vezes menor. Não gastaríamos os R$ 500 bilhões de juros por ano, e a taxa de juros poderia ser igual à do resto do mundo.

Precisamos também reformar a Previdência para ter capacidade de continuar pagando nossos aposentados. Para fazer isso com justiça, é necessário definir regras de transição para garantir direitos de pessoas que estão mais próximas de se aposentar.

A taxa de juros deve cair. No início do ano, a Selic era de 14,25% ao ano, quando a inflação era de 11%. Agora a inflação está em pouco mais de 7%. Isso significa que a taxa de juros real passou de pouco mais de 3,5% para quase 7% ao ano, ou seja, quase dobrou.

O governo deve tomar medidas para aumentar a oferta de crédito, pois o crédito está travado pelo sistema bancário.

Para incentivar as exportações, que começam a se recuperar e são extremamente importantes para a retomada da economia, o Banco Central deve cuidar para que o real não se valorize demais em relação ao dólar.

Temos ainda que destravar as obras de infraestrutura no país, acelerando as concessões e Parcerias Público-Privadas. É fundamental permitir rentabilidade adequada para os projetos, adotando regras claras e estáveis. Precisamos atrair mais investidores, aumentar a concorrência de forma saudável e combater a corrupção.

Nos últimos anos, o Brasil andava como um trem descarrilhado. Chegou a hora de voltar aos trilhos da confiança, do desenvolvimento, da gestão eficiente, da boa governança, do crescimento e da geração de empregos e riquezas para o país. Os desafios são grandes, as medidas necessárias são complexas, e os resultados serão obtidos com o tempo. O novo governo chega com um voto confiança da nação. Mas deve, com a ajuda de todos, ser firme no esforço diário para reconstrução do nosso Brasil. É hora de, todos juntos, reconstruirmos o Brasil.

 

Sobre o autor: Paulo Skaf é presidente da Fiesp e do Ciesp

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
Energy Summit
Lemon Energia recebe Ouro em Sustentabilidade no Energy ...
25/06/26
Pré-Sal
Campo de Búzios supera próprio recorde e produz 1 milhão...
25/06/26
Energy Summit
ABDI destaca redução no tempo de contratação em compras ...
24/06/26
Energy Summit
Binatural conquista Energy Summit Awards e reforça prota...
24/06/26
Energy Summit
Tauil & Chequer | Mayer Brown reúne representantes da AN...
23/06/26
Internacional
Petrobras e Pemex firmam parceria para cooperação em E&P
23/06/26
Fenasucro
Pela primeira vez, Brasil recebe congresso latino-americ...
23/06/26
Energy Summit
Com quatro prêmios, ENGIE é destaque no Energy Summit Awards
23/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.