América do Sul

Venezuela toma dois campos de petróleo de multinacionais

Valor Econômico com
04/04/2006 00:00
Visualizações: 809

 A Venezuela retomou no final de semana o controle de dois campos petrolíferos operados por multinacionais estrangeiras, a francesa Total e a italiana Eni. As empresas chegaram a um acordo com o governo dentro do período estipulado por Caracas para a migração de contratos, de forma que as petroleiras privadas formassem joint-ventures, cedendo à estatal venezuelana PDVSA a participação majoritária. A Eni ameaçou tomar medidas judiciais.

"Assumimos o controle direto dos dois campos de petróleo [da Total e da Eni] no sábado", afirmou o ministro do Petróleo, Rafael Ramírez. "Estamos resolvendo os problemas com essas empresas, já que estão encerradas as possibilidades de [elas] entrarem nas companhias mistas", disse Ramírez, que também é presidente da PDVSA. "Estamos estudando como compensar as empresas, mas é certo que não aceitaremos mais ficarmos como minoritários nas operações."

A francesa Total disse estar procurando um acordo com o governo, mas a italiana Eni ameaçou ir aos tribunais.

"A Eni considera que essa ação da PDVSA é uma violação dos direitos contratuais da Eni. É intenção da empresa oferecer à PDVSA um período de tempo para acordarmos a reparação total de todos os direitos contratuais", disse um comunicado da empresa italiana. "Se não chegarmos a um acordo, a Eni buscará as ações legais para garantir seus direitos."

Ramírez foi irônico ao comentar a ameaça da Eni: "Eles podem procurar até mesmo o tribunal celestial se quiserem". "Não estamos aqui para chantagear ninguém, este governo não faz chantagens. Queremos impor a lei. Tanto França quanto Itália são países amigos, com os quais temos excelentes relações."

A maioria das petroleiras que operam na Venezuela assinou até a última sexta acordos com o governo do presidente Hugo Chávez concordando em converter seus antigos contratos de operação em companhias mistas (joint-ventures). Para a Venezuela, os 32 contratos de operação em vigor com petroleiras privadas são ilegais e prejudiciais à economia do país. A ação de retomada dos poços de petróleo faz parte do esforço do governo para fortalecer o controle estatal no setor energético e de uma campanha para coletar impostos retroativos ao início dos contratos com as petroleiras privadas.

Segundo Ramírez, estes acordos lesavam os interesses da Venezuela, quinto exportador mundial de petróleo, já que estabeleciam um imposto sobre a renda de 36% e royalties de 1%, enquanto que a Lei de Hidrocarbonetos (aprovada em 2001) passou a fixar uma tributação de 50% e royalties de 16,6%.

No fim de semana, outros cinco campos foram devolvidos voluntariamente: dois pela espanhola Repsol; um pela japonesa Teikoku; um pela colombiana Hocol; e um pela venezuelana Inemaka. As empresas continuam como minoritárias em outros campos de extração.

Nos sete campos de petróleo, a produção total atinge 115 mil barris/dia. No campo que foi tomado da Eni, a produção chega a 50 mil barris/dia; no da Total, a 33 mil barris/dia. As novas regras para empresas privadas afetam 500 mil barris diários dos 2,7 milhões de barris/dia que o país produz.

Empresas como a americana Chevron e a norueguesa Statoil já haviam chegado a acordos com o governo no mês passado.

A Petrobras Energia, subsidiária da Petrobras que opera alguns poços na Venezuela, assinou a migração em setembro passado, durante visita de Chávez ao Brasil. Petrobras e PDVSA estão desenvolvendo uma série de projetos em parceria.

Já a americana Exxon Mobil não aceitou os novos termos propostos pela Venezuela e vendeu suas operações no país à Repsol.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
Bacia de Campos
Petrobras irá investir R$ 25,4 milhões em novos projetos...
26/03/26
IBEM26
ABPIP destaca papel dos produtores independentes na inte...
25/03/26
Workshop
Governo de Sergipe e FGV Energia debatem futuro do offsh...
25/03/26
iBEM26
Bahia Gás aposta em gás natural e biometano para impulsi...
25/03/26
iBEM26
iBEM 2026 começa em Salvador com debates sobre segurança...
25/03/26
Indústria Naval
BR Offshore lança pedra fundamental de complexo logístic...
24/03/26
Resultado
Constellation Oil Services registra EBITDA ajustado de U...
24/03/26
Bacia de Campos
Equinor inicia campanha de perfuração do projeto Raia
24/03/26
Macaé Energy
Atlas Copco Rental tem participação destaque na Macaé En...
24/03/26
Energia Eólica
Equinor fortalece portfólio de energia no Brasil
23/03/26
Macaé Energy
LAAM Offshore fortalece presença estratégica no Macaé En...
23/03/26
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
P&D
Pesquisadores da Coppe desenvolvem técnica inovadora par...
20/03/26
Leilão
TBG avalia como positivo resultado do LRCAP 2026 e desta...
20/03/26
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23