Internacional
Jornal do Commercio
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assinou na quarta-feira à noite um decreto de lei que ordena a nacionalização da siderúrgica ítalo-argentina Ternium-Sidor, a principal da região andina e do Caribe. Antes de entrar em vigor, a lei deve ser ratificada pela Suprema Corte de Justiça, a principal instância judicial venezuelana, destacou o governante.
"Estamos seguindo todos os procedimentos que manda a soberana Constituição", disse Chávez. Ele destacou que o mesmo decreto "nomeia uma comissão para tomar o controle da empresa e colocá-la à ordem dos interesses da nação, do desenvolvimento econômico do país". "Agora recuperada pelo governo revolucionário, eu tenho certeza de que os trabalhadores da Sidor se unirão conosco e com o povo para que a Sidor se ponha à frente, como um grande motor, da construção do socialismo", acrescentou.
A nacionalização da Sidor foi decidida no começo de abril, após um grave conflito na siderúrgica, após mais de 15 meses de negociações infrutíferas de trabalhadores com os agora ex-donos, o que gerou uma onda de greves. "Trabalhadores da Sidor: vamos transformar a siderúrgica em uma empresa socialista, do Estado socialista, dos trabalhadores socialistas, para impulsionar a revolução bolivariana", afirmou Chávez, um dia depois do fim do prazo que estipulou no domingo passado para que se acordasse um preço de compra e venda.
A Sidor (Siderúrgica del Orinoco) foi privatizada em 1997, dois anos antes da chegada de Chávez ao poder, quando o grupo Amazônia, integrado pelas empresas Ternium (86%) e Siderar (14%), pagou US$ 1,2 bilhão pelo controle de 60% de suas ações. O Estado da Venezuela e um grupo de funcionários e aposentados da Sidor controlam até agora em partes iguais os 40% restantes.
No último domingo, Chávez ameaçou expropriar a siderúrgica. "Não vou pagar quatro, nem três bilhões de dólares, se não se chegar a um acordo justo", disse na ocasião. O presidente venezulano disse que não quer "prejudicar" os sócios da Techint, mas insistiu que não pagará a oferta apresentada pelo consórcio argentino, que chamou de "risível".
Segundo Chávez, lembrando-se do processo de privatização há dez anos, a Ternium-Sidor custou "cerca de US$ 1,5 bilhão (...) quando a Sidor que eles compraram era maior, e muitos equipamentos sofreram desvalorização". Na semana passada, o ministro venezuelano de Indústrias Básicas e Mineração, Rodolfo Sanz, estimou em US$ 800 milhões o valor do pacote acionário da Techint.
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