Minério de Ferro

Vale fecha acordo com Mitsui para Vale Moçambique e Corredor Logístico de Nacala

Projeto ferroviário para escoamento da produção.

Reuters
09/12/2014 09:17
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A Vale fechou acordo com a japonesa Mitsui para a trading de commodities assumir uma participação na mina de carvão Moatize, em Moçambique, assim como uma fatia no projeto ferroviário para escoamento da produção, em negócio que evitará uma saída de caixa de 3,65 bilhões de dólares da companhia brasileira.

Sob o acordo anunciado nesta terça-feira, a Mitsui deterá 15 por cento da participação da Vale na Vale Moçambique (VM), com valor atribuído de 450 milhões de dólares. Os termos da transação podem fazer o montante final variar entre 330 milhões e 480 milhões de dólares, disse a Vale em fato relevante. A VM é dona de 95 por cento da mina de Moatize.

A Mitsui ajudará a bancar investimentos em Moatize em um momento em que a Vale vem sendo fortemente afetada pela derrocada dos preços do minério de ferro, sua principal fonte de lucro.

Segundo a Vale, a empresa japonesa será responsável por financiar, de forma proporcional à sua participação, parcela no investimento requerido para completar a expansão da mina, cujo valor é estimado em 188 milhões de dólares.

Mais cedo neste mês, duas fontes haviam informado à Reuters que a mineradora venderia uma fatia de seu projeto de carvão para a Mitsui, após a Vale afirmar há cerca de um ano que pretendia vender de 15 a 25 por cento de seus ativos de carvão, espalhados entre Austrália e Moçambique.

A mina de Moatize produz carvão desde julho de 2011 e concentra os maiores investimentos da Vale no segmento.

Adicionalmente, a Vale informou que a Mitsui passará a deter 50 por cento da participação de 70 por cento da Vale no Corredor Logístico de Nacala (CLN), projeto que prevê conectar Moatize ao porto de Nacala. A linha terá 912 quilômetros no total.

De acordo com o comunicado da Vale, a Mitsui contribuirá com 313 milhões de dólares em instrumentos de equity e quasi-equity, passando a deter 50 por cento desses instrumentos e a compartilhar o controle do CLN com a Vale.

Até a conclusão da transação, a mineradora brasileira continuará a financiar o CLN com empréstimos ponte da própria Vale. O investimento total projetado é de 4 bilhões de dólares, dos quais 1,9 bilhão haviam sido executados até o final do segundo trimestre.

A mineradora acrescentou ainda que negocia um "project finance" com a Mitsui, com meta de captar até 2,7 bilhões de dólares, de modo a financiar os investimentos de capital restantes e permitir o resgate de parte dos empréstimos contraídos pelo CLN junto à Vale.

Após a conclusão da transação, que envolverá aumento de capital e transferência parcial da dívida contraída por Moatize e pelo CLN junto à Vale, a companhia brasileira passará a deter indiretamente 81 por cento da mina de Moatize e aproximadamente 35 por cento do CLN, compartilhando o controle com a Mitsui.

A conclusão do negócio com a Mitsui está prevista para 2015, informou a Vale, pontuando considerar o acordo essencial para a continuidade do investimento em Moçambique e Malaui e prevendo que, com ele, a companhia evitará uma saída de caixa de 3,65 bilhões de dólares.

"A transação também suporta a estratégia da Vale de operar ativos de classe mundial, melhora o seu balanço e reduz sua necessidade de aporte de recursos futuros, ao passo que diminui sua exposição ao risco do projeto", completou a companhia.

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