Biodiesel

Vale fará testes nos trens de Vitória a Minas

Valor Econômico
15/06/2005 00:00
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A Vale do Rio Doce (CVRD) anunciou ontem que começará a fazer testes com biodiesel em locomotivas em operação na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Em uma primeira etapa, prevista para durar seis meses, a mineradora planeja adicionar 20% do biocombustível, produzido a partir da soja e da mamona, ao diesel usado nos trens. "O objetivo da empresa é estar apta a usar o biodiesel, mas ainda não é possível dimensionar os ganhos econômicos com o uso desse combustível", avaliou Eduardo Bartolomeo, diretor de operações logísticas da CVRD.
Segundo o diretor, a Vale fez testes com biodiesel em duas máquinas e os resultados foram satisfatórios. Bartolomeo informou que, a partir de agosto ou setembro, começarão as obras para montar estruturas de armazenagem e abastecimento do produto. Serão instalados tanques para depósito em Tubarão (ES) e Nova Era (MG).
Na fase de testes com o biodiesel, que ainda depende de autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Vale pretende contratar a consultoria de uma universidade. Bartolomeo disse que a tecnologia do biodiesel é necessária e tem impactos positivos social e ambientalmente, já que a oleaginosa, a partir da qual se obtém o produto, pode ser produzida em solo semi-árido. Ele fez o anúncio durante a 8ª Conferência Internacional de Ferrovias de Transporte de Carga Pesada, que vai até amanhã no Riocentro. Um dos objetivos do evento é desenvolver tecnologia para ferrovias de carga pesada, com a EFVM, a Ferrovia Carajás, também da Vale, e a MRS Logística.
Bartolomeo advertiu, porém, que a viabilidade econômica do uso do biodiesel ainda precisará ser melhor avaliada. Ele salientou que a adição nas locomotivas de 20% de biodiesel ao diesel ultrapassa as metas fixadas no Programa Nacional de Produção e Uso de Biocombustíveis. O programa prevê inserção de 2% até 2008. A Vale já estuda sua produção em fazendas no Maranhão e no Pará.
O diretor também confirmou o início da operação, no terceiro trimestre de 2006, de um trem com 312 vagões, num comboio que terá 3,2 quilômetros e capacidade de carga de 39 mil toneladas brutas, na Ferrovia Carajás.
Hoje, os trens que operam em Carajás são compostos por 208 vagões e capacidade de 25 mil toneladas. Carajás está aumentando a produção de minério de ferro e chegará a 100 milhões de toneladas nos próximos anos. Daí a importância de soluções rápidas que sirvam de opção à duplicação da ferrovia e desafoguem a malha, avalia Bartolomeo. Ele salientou que a operação do novo trem exigirá a expansão de pátios e treinamento dos operadores de locomotivas, que são equipadas com muita tecnologia de bordo.
Nos próximos três anos, a Vale investirá US$ 120 milhões em ferramentas de tecnologia nas suas ferrovias. Para 2005, o valor no negócio de logística será de US$ 760 milhões, dos quais US$ 560 milhões nas ferrovias.
O diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, acrescentou que as ferrovias brasileiras vão investir R$ 7,1 bilhões até 2008 - R$ 2,1 bilhões só neste ano, em melhorias da malha e compra de material rodante. Vilaça voltou a cobrar uma solução do governo para gargalos enfrentados pelas concessionárias, como a invasão de faixas de domínio, problemas que reduzem o nível de produtividade das ferrovias.

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