Opinião

Usina atômica traz "perigo permanente", diz ex-diretor de empresa que projetou Angra

Valor Econômico
26/04/2011 09:55
Visualizações: 616
"A energia nuclear é um perigo permanente." O engenheiro Joaquim Francisco de Carvalho, também professor da USP, autor da frase, tem conhecimento de causa. Mestre em energia nuclear, na década de 70, Carvalho foi o primeiro diretor-industrial da Nuclen, a empresa de engenharia que nasceu binacional (Brasil-Alemanha) e que foi responsável pela tecnologia de projeto das usinas Angra 1 e 2.


Carvalho e Ildo Sauer, que vêm trabalhando juntos na USP, ponderam que, com a possibilidade, prevista pelo IBGE de estabilização da população brasileira em 219 milhões de pessoas no ano de 2043, um sistema hidroeólico, complementado por termelétricas a bagaço de cana poderia assegurar disponibilidade de energia elétrica para o Brasil atingir um consumo de até 8,65 kilowatts/hora (Kw/h) por habitante, mais do que o consumo atual da França, por exemplo. Hoje o consumo per capital é de 2,5 Kw/h por habitante.


Edmar Almeida, outro especialista em energia, professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e indicado para ocupar uma diretoria na Agência Nacional do Petróleo (ANP), tem posições mais próximas das de Tolmasquim, da EPE. Ele reconhece o impacto que virá do desastre japonês, mas pondera: "Não acredito que a energia nuclear é uma carta fora do baralho no contexto atual de restrições às emissões e insegurança do abastecimento dos recursos energéticos convencionais. As outras opções também apresentam problemas de impactos ambientais ou custos elevados. Minha visão é que, após um período de muito debate e indecisões, os projetos nucleares voltarão à agenda do planejamento energético."


Quando ocorreu em Goiânia um acidente com uma cápsula abandonada contendo césio 137 (elemento químico radioativo), e que provocou pelo menos 40 mortes e centenas de pessoas contaminadas - até hoje o mais grave do país -, Joaquim Carvalho coordenou a Comissão Consultiva de Rejeitos Radioativos criada pelo governo federal para estudar o evento e sugerir medidas a serem tomadas.


Hoje, Carvalho concorda com a avaliação de Sauer de que o Brasil não precisa de usinas nucleares para geração elétrica, embora defenda a posição de que o país deve concluir Angra 3 e operar as usinas de que dispõe até elas atingirem seus prazos de vencimento.


Ele frisa que o risco de acidente em uma usina atômica é muito pequeno, na casa de um sobre dez bilhões, mas ressalta ser um risco que o Brasil não precisa correr. "Não há porque copiar o sistema da França, porque nós não precisamos", afirma.


A França tem mais de 70% da sua geração elétrica de origem nuclear. Carvalho acha que o Brasil deve até exportar combustível nuclear para países como França e Japão, que não têm muitas alternativas de fontes energéticas, mas propõe que o aproveitamento doméstico da tecnologia nuclear seja apenas para fins médicos onde, segundo ele, os riscos de acidentes são bem menores, apesar da dramática história do césio 137.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
GLP
Prime Energy amplia parceria com Supergasbras no Mercado...
19/05/26
Comunicação
Os bastidores da história da comunicação e da publicidad...
19/05/26
Resultado
Produção total de petróleo em regime de partilha bate re...
19/05/26
Biometano
Naturgy debate cenário de gás natural e oportunidades co...
19/05/26
BOGE 2026
Impacto da geopolítica global no setor de petróleo loca...
19/05/26
Dia Internacional da Mulher
IBP celebra Dia Internacional da Mulher no Mar e reforça...
19/05/26
Meio Ambiente
Refinaria de Mataripe acelera agenda ambiental com uso e...
19/05/26
Etanol
Diretor da Fenasucro & Agrocana debate avanço da bioener...
19/05/26
Leilão
PPSA comercializa cargas de Atapu e de Bacalhau em junho
18/05/26
Participação especial
Valores referentes à produção do primeiro trimestre de 2...
18/05/26
Apoio Offshore
Petrobras assina contrato de R$ 11 bilhões para construç...
18/05/26
Logística
Wilson Sons planeja expansão do Tecon Rio Grande para at...
18/05/26
Combustíveis
Etanol mantém baixa na semana, mas Paulínia esboça reaçã...
18/05/26
Fertilizantes
Fafen celebra retomada da produção de fertilizantes na Bahia
18/05/26
Conteúdo Local
ANP abre consulta prévia sobre regras de preferência a f...
15/05/26
Etanol
Alteração de normas sobre comercialização de etanol anid...
15/05/26
Descomissionamento
ANP aprova realização de consulta e audiência públicas p...
15/05/26
Resultado
Vallourec registra alta eficiência operacional no Brasil...
15/05/26
Energia Elétrica
Encontro das Indústrias do Setor Elétrico reúne mais de ...
15/05/26
Apoio Marítimo
Wilson Sons lança novo rebocador para operar no Porto de...
14/05/26
Hidrogênio
ANP e OCDE realizam wokshop sobre gerenciamento de risco...
14/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23