Investigação

Usiminas vai pedir ação contra aço chinês

Valor Econômico
11/02/2009 03:01
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A Usiminas vai solicitar ao governo pedido de investigação antidumping contra a importação de chapas grossas da China para a industria naval, disse ao Valor Marco Antonio Castello Branco, presidente da siderúrgica. A decisão de encaminhar o pleito surge depois de uma queda-de-braço entre a empresa e a Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, em torno da compra de 42 mil toneladas de aço para a construção de navios no estaleiro Atlântico Sul (PE). Ontem, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, informou que a estatal fechou a compra de 24 mil toneladas de aço com fornecedor chinês e de 18 mil com a Usiminas. O próximo passo é o recebimento do aço pelo estaleiro.

 

Mas apesar do acordo selado entre as partes, a Usiminas sente-se na obrigação de defender-se contra a concorrência que considera “predatória”. “Existe um problema. E o que nós (Usiminas) devemos fazer é usar os instrumentos disponíveis para provar que há uma prática desleal de comércio “, disse Castello Branco, que visitou ontem o Atlântico Sul. O executivo considera legítima a necessidade da Transpetro, como empresa pública, de buscar o menor preço nas compras de insumos e equipamentos. “Não posso questionar o administrador público que compra por preço mais baixo”. Mas argumenta que a Usiminas tem que defender também seu mercado. “Para a Usiminas, a China não serve como referência de preço internacional”, afirmou.

 

“Não pode haver comprovação de dumping. É mais fácil comprovar o dano ao resto da cadeia produtiva nacional (do que à Usiminas)”, disse Sérgio Machado, presidente da Transpetro, ao ser indagado sobre a possibilidade de abertura de um processo de defesa comercial pela Usiminas. A estratégia da Transpetro de garantir o menor preço do aço para construção dos petroleiros busca manter a competitividade da indústria naval nacional. Para Machado, não se trata de dumping, mas de um caso de concentração de mercado. “É o monopólio querendo impor preço caro e aí mata a cadeia produtiva nacional”, declarou ele.

 

Na visão de Castello Branco, no entanto, a Usiminas tem pedir a abertura de investigação antidumping, pois, na situação atual de recessão econômica, a tendem a ocorrer políticas “predatórias” no comércio mundial. No processo, que deve ser instalado após a entrada do aço chinês no Brasil, a Usiminas terá de fornecer ao Ministério do Desenvolvimento, responsável pelos casos de defesa comercial, referências de preços do que ela considera mercados “livres”, caso de Roterdã (Holanda). A partir daí, cabe ao governo fazer análise e decidir se aplica ou não uma tarifa antidumping sobre a empresa chinesa que vendeu o aço para a Transpetro.

 

Neste embate, diz Machado, a Transpetro ganhou, como compradora de 680 mil toneladas de aço (para construir 49 navios no Brasil até 2011), grande visibilidade internacional. Ele confirmou que foi procurado por várias siderúrgicas mundiais interessadas em fornecer aço à estatal. A ArcelorMittal, que colocou à disposição da Transpetro 100 mil toneladas de aço “a preço mundial”, segundo informou o executivo, se dispôs a vender as 18 mil toneladas caso a Usiminas não se dispusesse a fazê-lo. Mas a negociação não foi fechada porque a Usiminas aceitou reduzir seu preço. “Não estou querendo realimentar um processo que terminou”, avaliou Machado.

 

O presidente da Usiminas concorda: “Duas empresas do porte de Usiminas e Transpetro não podem bater boca, baixar o nível da discussão.” Para Castello Branco, é preciso diferenciar a defesa comercial, pela qual a empresa está lutando, e a proteção do mercado. “Queremos competir em condições de igualdade (em relação aos fornecedores chineses).” O argumento da siderurgia é de que o setor não é contrário a importação, mas contra a importação predatória. “Estão (os chineses) vendendo aço no Brasil a preços inferiores ao que vendem no mercado deles”, denunciou Castello Branco.

 

Ele informou que o preço da chapa grossa no mercado do Sudeste dos Estados Unidos estava a US$ 850 por tonelada, na semana passada. Fonte próximas da Transpetro revelaram ao Valor que a empresa chinesa que ganhou parte do último lote de aço ofereceu US$ 750 por tonelada CIF (posto no estaleiro em Pernambuco).

 

Na última tomada de preços feita pela Transpetro, 11 empresas de diversos países concorreram. A Usiminas ficou em último lugar na licitação, com um preço que, segundo a Transpetro, ficou 60% FOB e 35% CIF acima da melhor proposta, que foi dos chineses. A Usiminas foi convidada a apresentar um novo preço e nessa negociação a siderúrgica aceitou baixar a oferta a padrões equivalentes aos dos chineses para um lote de 18 mil toneladas. Mas se negou a negociar outras seis mil toneladas nas mesmas condições.

 

Em 2008, a Transpetro fez outras três licitações para comprar aço nas quais adquiriu o produto de siderúrgicas da Ucrânia e da China, além da Usiminas, vencedora da licitação para fornecer 12 mil toneladas. Este ano, a partir de junho, a Transpetro deve fazer mais duas rodadas internacional para compras de aço.

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