Aço

Usiminas pede ação contra importações

A entrada desenfreada de aço tipo chapa grossa no mercado interno, oriunda de diversos países, levou a Usiminas a solicitar ao governo que analise a abertura de um processo antidumping contra o material importado. Após uma série de estudos sobre o impacto do aço

Valor Econômico
13/08/2010 07:13
Visualizações: 871
A entrada desenfreada de aço tipo chapa grossa no mercado interno, oriunda de diversos países, levou a Usiminas a solicitar ao governo que analise a abertura de um processo antidumping contra o material importado. Após uma série de estudos sobre o impacto do aço estrangeiro sobre os negócios da siderúrgica mineira, o pedido foi entregue ao Departamento de Comércio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
 
 
Sérgio Leite, vice-presidente de negócios da Usiminas, confirmou ao Valor que o pedido atinge chapa grossa de sete países - Rússia, Coreia do Sul, México, Espanha, Taiwan, Romênia e Turquia. "Demos o primeiro passo, com entrega de amplo estudo de entrada de material de 2006 a 2009; agora, vamos aguardar a análise e o parecer final do Decom", afirmou.
 
 
Até junho, segundo dados do Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as importações de chapa grossa atingiram 220 mil toneladas, 34% superior ao de igual período do ano passado, e isso já preocupa técnicos do banco, conforme reportagem do Valor. Esse volume é mais da metade do total vendido no mercado nacional pela Usiminas de janeiro a julho - 410 mil toneladas, conforme dados do balanço financeiro da empresa.
 
 
A medida já começa a inquietar os distribuidores independentes de aços planos do país.
 
 
"Agimos como reguladores do mercado, uma vez que a Usiminas prioriza o grandes consumidores de chapa grossa e pratica o preço de venda desse produto mais elevado do mundo", afirma um executivo de uma empresa.
 
 
O preço da Usiminas, informa, é de R$ 2,23 mil a toneladas, incluindo PIS Cofins, mas sem frete, ICMS e IPI. "Esse valor é cerca de 15% superior ao preço da chapa grossa importada e internada no mercado interno", explica. "Até as siderúrgicas locais estão importando para atender seus clientes".
 
 
Segundo Leite, a empresa analisou vários aspectos de impacto na indústria nacional de aço, como forte queda de vendas e capacidade de ocupação das linhas de produção e retração nos empregos. "A partir da eclosão da crise mundial, houve expressivo aumento de aço importado, lastreado por preços baixos", diz.
 
 
Nos estudos feitos pela empresa, informa o executivo, foram constatados indícios de prática de preços abaixo do custo de produção nas siderúrgicas dos países-alvo do processo. Além disso, acrescentou, o câmbio brasileiro (segundo maior valorizado do mundo) é um fator de incentivo à importação, bem como a alta carga tributária e gargalos logísticos. "E isso encarece nossa produção e tira a competitividade do setor".
 
 
Conforme apurou o Valor, a medida visa atingir principalmente material oriundo de Rússia e Coreia do Sul. De acordo com distribuidores, esses dois países tem produtos com alta qualidade. Algumas usinas desses países, informadas da iniciativa de abertura de processo, já estariam suspendendo vendas do produto.

"Não somos contra a livre competição, mas desde que seja saudável, sem práticas desleais de concorrência no mercado", rebate Leite. Segundo ele, a indústria do aço não é a única que enfrenta uma enxurrada de produtos importados. Um exemplo é o setor de autopeças, atacado por material chinês.
 
 
Nas linhas de chapa grossa - uma fábrica em Ipatinga (MG) e outra em Cubatão (SP) - a Usiminas opera com ociosidade maior que a de outras linhas, voltadas para automotivo e linha branca. O produto é aplicado no setor naval, de óleo e gás (plataformas, gasodutos) e em máquinas agrícolas.


Mais Lidas De Hoje
veja Também
Combustíveis
ANP participa da "Operação Fluxo Oculto" para combater d...
28/05/26
Investimentos
Retomada dos investimentos da Petrobras no Amazonas
27/05/26
BOGE 2026
BRAVA Energia marca presença no Bahia Oil & Gas Energy 2...
27/05/26
IBP
Brasil pode ampliar protagonismo como fornecedor global ...
27/05/26
Etanol de milho
Etanol de milho avança no país e muda a dinâmica de merc...
27/05/26
Parceria
Grupo Bravante anuncia associação à Abeemar e reforça co...
27/05/26
Firjan
No Dia da Indústria 2026, Firjan anuncia medidas para im...
27/05/26
Negócio
Vallourec conquista importantes contratos de line pipe c...
25/05/26
Bahia
Desenvolvimento Econômico impulsiona industrialização e ...
25/05/26
BOGE 2026
John Crane lança Performance Plus™ para otimizar manuten...
25/05/26
BOGE 2026
Começa nesta quarta (27) o maior evento de petróleo e gá...
25/05/26
BOGE 2026
Com produção em alta, independentes lideram debates na B...
25/05/26
Combustível
Etanol fecha a semana em recuperação moderada, mas merca...
25/05/26
ANP
Workshop debate dinamização da exploração de petróleo e ...
22/05/26
BOGE 2026
ANP participa do Bahia Oil & Gas Energy 2026, em Salvador
22/05/26
Etanol
Com aumento na oferta, preço do etanol acelera queda e a...
22/05/26
Negócio
NUCLEP celebra 46 anos com a assinatura de novo contrato...
22/05/26
Energia Elétrica
ANEEL homologa leilões de reserva de capacidade na forma...
22/05/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente: ANP abre 6º ciclo para concessão e 4º...
22/05/26
Saúde, Segurança e Meio Ambiente
IBP debate impactos da revisão da NR-1 sobre saúde menta...
21/05/26
Energia elétrica
TAESA anuncia a aquisição de cinco concessões de transmi...
21/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25