Paralisação

Usiminas paralisa operação de alto-forno em Cubatão

Valor Econômico
05/03/2009 03:34
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A Usiminas decidiu nesta semana paralisar a partir do próximo dia 9, por tempo indeterminado, o alto-forno nº 1 da usina de Cubatão, na baixada santista. Com isso, a companhia passará a ter três unidades de produção paradas, das cinco que opera. Em dezembro, duas instalações da usina de Ipatinga, em Minas Gerais, foram paralisadas e entraram em processo de reforma.

 

“Não vemos entrada de pedidos suficientes dos consumidores nem sinais mais consistentes da demanda no segundo trimestre”, afirmou Marco Antônio Castello Branco, presidente da empresa, ao Valor. Com a nova medida, a Usiminas reduz sua capacidade total de aço bruto ao nível de 50% - até agora estava operando entre 60% e 70% -, para pouco mais de 4 milhões de toneladas ao ano. “Até fevereiro, ainda apostamos no revigoramento do mercado, principalmente pelo efeito Obma (Barack, presidente dos EUA, que tomou posse em 20 de janeiro), mas isso não aconteceu”, disse o executivo.

 

A Usiminas não está sozinha. A Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), outra produtora nacional de aços planos, conforme informações, também vai paralisar um alto-forno, o de nº 2, a partir do próximo dia 15 pelo período de 40 dias. A instalação responde por cerca de 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ), da ordem de 5,6 milhões de toneladas por ano.

 

Segundo Castello Branco, a Usiminas ainda enfrenta demanda deprimida, queima de estoques em poder dos consumidores e, para complicar a situação, a concorrência de aço importado. Ele estima que a siderúrgica fará vendas no trimestre ao redor de 1 milhão de toneladas, metade do volume normal da empresa nos últimos anos em igual período. “A situação não é nada boa”, comentou.

 

Em janeiro, para um consumo aparente de 612 mil toneladas de aço plano no país, que foi 46% inferior ao do mesmo mês em 2008, as importações responderam por 150 mil toneladas, informou o executivo. “Houve um crescimento de 46%, que fugiu completamente aos padrões de antes”. Ele apontou que em 2007 a média foi de 5%, em 2008, de 7,5%, e em janeiro deste ano saltou para 19%.

 

Por conta disso e da depressão do mercado, o setor, representado pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), esteve esta semana no Ministério da Fazenda. Conforme Castello Branco, foi uma visita para esclarecer e alertar as autoridades (grupo de gestão da crise) sobre possíveis práticas desleais de entrada de aço e chamar atenção para uso de instrumentos que possam evitar isso. “A siderurgia do país começa a ser atacada pela penetração de material de fora, principalmente da China”, afirmou.

 

Em 2005, o governo zerou as alíquotas de importação de uma cesta de 15 tipos de aços planos. O setor pediu o retorno do índice de 14%, mas não foi atendido.

 

O executivo, à frente da Usiminas desde junho, disse que por conta dos ajustes feitos com o aprofundamento da crise, em outubro, já teve de cortar 700 pessoas em Cubatão e Ipatinga (entre aposentados e aposentáveis). Com a nova medida, busca formas de amenizar decisões semelhantes com aproveitamento de funcionários em obras de expansão, já em fase adiantada, na própria usina.

 

“Estamos enfrentando uma queda drástica de demanda no país”, disse, observando que a perda de venda do setor, considerando as importações, chega a 55%, comparando janeiro deste ano com o mesmo mês de 2008. “O que resolvemos foi ser mais severos e cortar a produção, usar mais estoques de material semi-acabado (placas) nas usinas e apertar a gestão do capital de giro”. Os estoques são hoje o dobro do normal.

 

Na visão de hoje, afirmou, não vislumbra recuperação de demanda no próximo trimestre acima de 25% sobre o trimestre atual.

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