Protesto

Trabalhadores portuários podem ser retirados à força de navio invadido

A Polícia Federal (PF) cogita retirar à força os trabalhadores portuários, que invadiram o navio chinês Zhen Hua 10. Agentes da PF negociam a saída pacífica dos 46 estivadores e cinco operários que estão a bordo da  embarcaç&a

A Tribuna
20/02/2013 09:00
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A Polícia Federal (PF) cogita retirar à força os trabalhadores portuários, que invadiram o navio chinês Zhen Hua 10. Agentes da PF negociam a saída pacífica dos 46 estivadores e cinco operários que estão a bordo da  embarcação, porém há resistência. O navio, que está atracado no Terminal da Embraport, na Ilha Barnabé, no Porto de Santos, está carregado com equipamentos que serão utilizados nas instalações da empresa.

"Estamos negociando para que eles deixem o navio de forma pacífica, mas se não for possível, o Grupo Tático autorizado pela Cesportos (órgão estadual responsável pela segurança pública nos portos) vai retirá-los da embarcação", disse o delegado da PF, Luiz Carlos de Oliveira, que participa das negociações a bordo do Zhen Hua 10.

A invasão teve início às 3h20 de segunda-feira (18). Cerca de 50 trabalhadores chegaram de barco ao cais da Embraport, invadiram o navio e não permitiram a continuidade do trabalho de descarregamento dos equipamentos, que é feito por trabalhadores chineses.

A medida foi tomada porque a empresa não requisitou profissionais do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) do Porto de Santos para realizar o trabalho executado pelos asiáticos. Durante toda a segunda-feira os TPA's fizeram manifestações por toda a cidade contra a Medida Provisória 595, a MP dos Portos.

A embarcação chegou na sexta-feira (15) carregando três portêineres, equipamentos usados na remoção de cargas dos navios, e 11 transtêineres, utilizados para movimentar a carga já desembarcada. A previsão é a de que os trabalhos de remoção dos equipamentos durem, aproximadamente, 22 dias.


Cruz Vermelha

Há mais de 36 horas a bordo do navio, os trabalhadores receberam água e mantimentos da Cruz Vermelha Brasileira. Eles estão sem comer desde às 9h30 desta segunda-feira. Equipamentos para aferir pressão e alguns medicamentos também serão levados para a embarcação pela entidade.

Na manhã de terça-feira (19), a Embraport cedeu um galão de 20 litros de água aos 46 estivadores e cinco operários portuários que ocupam o navio, mas a água servida pela empresa veio sem gelo.

“Nesse calor insuportável”, reclamou o vice-presidente do Sindicato dos Operários Portuários, Claudiomiro Machado ‘Miro’, às 10h20, “o pessoal bebeu água quente como se estivesse no deserto”.

Segundo ele, alguns trabalhadores, com problemas de diabetes, já passaram mal, “mas, graças a Deus, se recuperaram. O que querem fazer com a gente? Isso não se faz nem com prisioneiro de guerra".

O Sindicato dos Estivadores tentou levar água e mantimentos para os trabalhadores, durante a madrugada, mas foi impedido por uma lancha da Capitania dos Portos.
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