Protesto

Trabalhadores do polo naval reivindicam direitos

A crise que se desenha em Rio Grande com a demissão em massa de trabalhadores do polo naval continua provocando desdobramentos. Após a conclusão das plataformas P-53, P-55 e P-63, entregues nos últimos meses, o fim dos trabalhos na P-58 nos próximos dias deve fazer

Jornal do Commercio (POA)
22/10/2013 09:21
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A crise que se desenha em Rio Grande com a demissão em massa de trabalhadores do polo naval continua provocando desdobramentos. Após a conclusão das plataformas P-53, P-55 e P-63, entregues nos últimos meses, o fim dos trabalhos na P-58 nos próximos dias deve fazer com que o total de trabalhadores no polo, que chegou a 24 mil em agosto e hoje está com cerca de 19 mil, caia para menos de 8 mil até o final deste ano, calcula o  Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Rio Grande e São José do Norte (Stimmerg). Além disso, segundo a entidade, os empregados demitidos não estariam recebendo direitos trabalhistas como FGTS e multa rescisória.
 
 
A situação, complicada ainda mais pelo fato de muitos desses trabalhadores estarem vinculados a dezenas de pequenas empresas terceirizadas, quarteirizadas e até quinteirizadas por Ecovix, Quip e CQG (Consórcio Queiroz Galvão), contratadas inicialmente pela Petrobras para a construção das plataformas, foi tema da reunião de ontem no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, em Porto Alegre (TRT4). No encontro, estiveram presentes o secretário estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social, Luís Augusto Lara, o presidente do Stimmerg, Benito de Oliveira Gonçalves, a vice-presidente do TRT, desembargadora Rosane Serafini Casa Nova, além de representantes da Caixa Econômica Federal, do Ministério Público do Trabalho, do Foro de Rio Grande e de outros sindicatos da área.
 

Na reunião, foram expostos casos de trabalhadores que estariam procurando o Stimmerg pedindo ajuda para conseguir que as empresas pagassem pelo menos as passagens de retorno dos funcionários às suas cidades, já que muitos são de outros estados - apenas 7 mil seriam gaúchos. Esse, aliás, foi um dos principais problemas apontados pelos presentes. “As empresas apostam na realidade, infelizmente, da morosidade dos poderes”, relatou a juíza-diretora do Foro de Rio Grande, Simone Silva Ruas. “Elas sabem que, quando forem chamadas para audiência, o trabalhador provavelmente já não esteja mais em Rio Grande e o processo seja arquivado”, concluiu, lembrando que as primeiras audiências em casos do tipo estão sendo marcadas somente para abril de 2014.
 

As três principais empresas (Ecovix, Quip e CQG) e os representantes da Petrobras e do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) serão convocados para um próximo encontro, na segunda-feira. A ideia é que apresentem o histograma de mobilização e desmobilização de trabalhadores até o fim de 2013. Já os representantes da Caixa informaram que a partir de 4 de novembro uma unidade móvel será deslocada a Rio Grande, e as agências do banco na região abrirão uma hora antes para atender ao grande volume de pedidos de seguro-desemprego na cidade.
 

 “Queremos garantir a rescisão, o seguro-desemprego e todos os direitos a essas pessoas, que trabalharam de forma correta e entregaram as plataformas”, afirmou. “Também estamos procurando formas de recolocá-los no mercado, nos estaleiros de São José do Norte e Charqueadas”, informou o secretário Lara. “Como são mão de obra muito qualificada, grande parte desses trabalhadores é itinerante, trabalham alguns meses em cada local do País, o que dificulta ainda mais esse processo”, afirmou o presidente do Stimmerg, Benito de Oliviera Gonçalves, lembrando que apenas um terço dos trabalhadores que foram ou serão demitidos já atingiu um ano de serviço, tempo mínimo para que a homologação da rescisão seja acompanhada pela entidade sindical.
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