Gabrielli

Tamanho dos reajustes foi adequado

Jornal do Commercio
02/05/2008 08:57
Visualizações: 127

Um dia após o anúncio do aumento de 10% do preço da gasolina e de 15% do diesel nas refinarias, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, classificou como "adequado" o tamanho dos reajustes, em entrevista exclusiva à Agencia Estado, em Nova York. O executivo afirmou que não seria "correto" repassar ao mercado brasileiro aumento dos combustíveis em magnitude semelhante às elevações no mercado internacional, disse que "eficiência" é a chave para não reajustar os preços no Brasil junto com a oscilação do petróleo no mercado internacional e garantiu que não há novas elevações a caminho.

 

Desde o último aumento de preços implementado pela Petrobras, em 2005, o petróleo teve escalada de US$ 60 por barril para mais de US$ 100 no mercado internacional - nas máximas atingidas no começo desta semana, chegou perto dos US$ 120.

 

O executivo apontou que mais de 70% dos custos da Petrobras na área de produção de petróleo estão ligados ao preço da commodity no mercado externo, sendo que 50% de impostos seriam pagos a preços internacionais. Ao ser questionado se isto não justificaria que os reajustes no mercado brasileiro fossem mais freqüentes, Gabrielli emendou que "não necessariamente". "Significa que temos de ser mais eficientes."

 

Quanto à discrepância entre o forte avanço dos preços internacionais do petróleo e o nível dos aumentos anunciados na última quarta-feira, o presidente da Petrobras acredita que, no caso particular do Brasil, "defasagem (de preços) é um conceito que precisa ser analisado a longo prazo". Para o País, "o ajuste de preços foi adequado na conjuntura atual", disse Gabrielli, na sede da ONU, em Manhattan, onde estava reunido com outros 19 lideres da iniciativa privada, ONGs e sindicatos para o primeiro encontro de 2008 do Conselho-Diretor do Pacto Global, do qual faz parte.

 

Gabrielli fez questão de destacar que o aumento de preços foi uma "decisão comercial". Uma atividade normal da empresa, que define preços em função das condições do mercado e dos custos. "É uma decisão absolutamente normal, não tem nada de excepcional", afirmou. Segundo o executivo, como a empresa não alterava os preços da gasolina no Brasil por muito tempo, a decisão provocou repercussão na sociedade. "Mas é uma atividade absolutamente normal em uma empresa, a de definir preços", reiterou.

 

Gabrielli, contudo, elogiou a equipe econômica, dizendo que "o governo agiu corretamente" para minimizar os impactos do aumento (às pressões inflacionárias), ao reduzir a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) - na gasolina, a Cide cairá de R$ 0,28 por litro para R$ 0,18; no diesel, de R$ 0,07 para R$ 0,03 por litro. Com isso, acrescentou Gabrielli, "o aumento da gasolina não deve ter nenhum impacto para o consumidor e o impacto do diesel é muito pequeno no IPCA". O anúncio do aumento foi feito na quarta-feira horas depois da realização de uma reunião de Gabrielli com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

 

Para Gabrielli, a política de preços da empresa "continua a mesma". "Não pretendemos fazer com que o mercado brasileiro seja um mercado que represente exatamente, a cada segundo, o que acontece no mercado internacional. Consideramos que a situação no mercado brasileiro é muito diferente da situação do mercado internacional", completou.

 

O executivo enumerou diferenças para justificar por que os preços domésticos não precisam acompanhar as variações internacionais. "No caso do Brasil, mais da metade do combustível para veículos leves não é gasolina. Temos um grande refinador, com grande número de distribuidoras. Portanto, é um mercado completamente diferente dos mercados internacionais. Temos ainda uma situação em que a empresa produtora de petróleo, a Petrobras, é a única grande empresa do mundo que tem a produção de petróleo associada ao refino e voltada, fundamentalmente, para o mercado nacional. (Estas) são situações especiais, pelas quais não consideramos correto tentar transferir para o mercado brasileiro qualquer flutuação no mercado internacional", acrescentou.

 

O presidente da Petrobras descartou a possibilidade de novos ajustes próximos aos anunciados na quarta-feira. "Não vamos fazer novos reajustes. Nossa política é a política de acompanhar o longo prazo. Nós não mudamos nossa política", afirmou. Segundo Gabrielli, os ajustes anunciados refletem "uma mudança que consideramos que foi consolidada como um novo patamar de preços internacionais". "Ou seja, estamos mantendo a mesma política dos últimos cinco anos."

 

O Pacto Global foi proposto em 1999 e teve inicio em 2000, na gestão do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan. De acordo com Gabrielli, o Pacto conta com cerca de 5 mil participantes. O objetivo é lançar medidas concretas para que os países possam compartilhar de forma mais equilibrada dos benefícios gerados pela globalização.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
GNV
Sindirepa: preço do GNV terá redução de até 12,5% no Rio...
30/01/26
Descomissionamento
SLB inaugura Centro de Excelência em Descomissionamento
30/01/26
Apoio Offshore
Wilson Sons lança rebocador da nova série para atender d...
30/01/26
Gás Natural
Firjan lança publicação e promove debate sobre futuro do...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 terá programação diversa e foco na pro...
28/01/26
Internacional
Petrobras amplia venda de petróleo para a Índia
28/01/26
Offshore
Projeto Sergipe Águas Profundas tem plano de desenvolvim...
28/01/26
Royalties
Valores referentes à produção de novembro para contratos...
28/01/26
Gás Natural
Petrobras reduz preços do gás natural para distribuidoras
28/01/26
Gás Natural
Renovação das concessões de gás no Rio exige transparênc...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 antecipa grandes debates e inicia cont...
27/01/26
Gás Natural
Firjan: Rio de Janeiro consolida papel de "hub do gás" e...
27/01/26
Combustíveis
Petrobras reduz preços de gasolina em 5,2% para distribu...
26/01/26
Brasil-Alemanha
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos com f...
26/01/26
Etanol
Hidratado registra valorização no mercado semanal e diário
26/01/26
Logística
Terminais Ageo captam R$ 450 milhões em debêntures incen...
23/01/26
Petrobras
Alta eficiência amplia refino e aumenta produção de comb...
22/01/26
Combustíveis
IBP: Decisão da ANP garante segurança de abastecimento e...
22/01/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 174 mil barris por ...
21/01/26
Apoio Offshore
Fundo da Marinha Mercante destina R$ 2,3 bilhões à const...
21/01/26
Drilling
Navio-sonda Norbe IX, da Foresea, passa por manutenção p...
21/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.