GTL

Solução do Qatar para o pré-sal

Jornal do Commercio
09/10/2008 04:36
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A Petrobras estuda adotar a tecnologia de transformação de gás natural em óleo sintético como forma de melhor aproveitar o montante do combustível existente no pré-sal da Bacia de Santos. A alternativa, segundo especialistas do setor, permite comprimir um maior volume de gás em menor espaço, o que facilita seu transporte.

 

Atualmente, a tecnologia do GTL está presente principalmente nas áreas em que se encontram as maiores reservas mundiais de gás natural. Com 26 trilhões de metros cúbicos em seus reservatórios, a Qatar Petroleum é, de longe, a líder na produção do óleo sintético no seu país, sempre em parceria com empresas internacionais. Desde o final dos anos 90, a empresa começou a investir nesta tecnologia que antes só tinha sido adotada em épocas da crise do petróleo (1973 e 1979) pelas majors BP, Exxon e Shell.

 

No total, são produzidos no mundo todo em média 84 mil barris por dia com esta tecnologia atualmente. Porém, há programados mais de 20 projetos para implantação do sistema GTL, especialmente na região do Qatar, que devem somar a este volume outros 980 mil barris por dia entre 2009 e 2011, segundo estudo desenvolvido pela BP Statistic em 2007.

 

Hoje, uma das principais dificuldades para utilização do gás do pré-sal é a logística necessária para transportá-lo para o mercado consumidor, devido à distância dos reservatórios da costa (cerca de 300 quilômetros) e o elevado custo para liquefazer este gás em grandes proporções em alto mar.

 

De olho nesta tecnologia criada na década de 20 na Alemanha chamada Gas To Liquid (GTL), a Petrobras firmou contrato com a empresa britânica CompactGAS, uma primeira unidade de processamento de pequeno porte em seu complexo industrial de Atalaia, no Sergipe, no primeiro semestre de 2009. Segundo uma fonte da empresa, a idéia de estudar este tipo de tecnologia já vinha sendo pensada desde 2006, mas a necessidade de desenvolvimento do pré-sal acelerou o cronograma.

 

A unidade de GTL vai ser instalada inicialmente em terra durante seis meses, processando 280 metros cúbicos de gás natural por dia, o que renderia em torno de 20 barris. Em grande escala, segundo técnicos do setor, a proporção usual é de que para cada 30 milhões de metros cúbicos sejam produzidos 100 mil barris diários. O valor do investimento em uma unidade deste porte seria em torno de US$ 3 bilhões.

 

Como comparação, a tecnologia para a produção do GNL (Gás Natural Liquefeito), que pode também ser transportado em navios e precisa ser regaseificado no local de destino, tem um custo estimado em torno de US$ 2 bilhões para uma unidade que processa 7 milhões de metros cúbicos por dia.

 

O gerente executivo de Exploração e Produção da Petrobras, José Antonio de Figueiredo, não confirma os testes em Atalaia, mas diz que a estratégia da empresa é testar o GTL na unidade de Pipa 3 - projeto itinerante de produção antecipada - que vai ser licitado até o final do ano e não necessariamente será levado à área do pré-sal da Bacia de Santos. "Podemos fazer estes testes em outros pontos de exploração no Brasil abaixo ou acima da camada de sal", disse, lembrando que a unidade Pipa 3 é uma das plataformas genéricas que a Petrobras vem encomendando ao mercado e que pode ser utilizada em várias áreas exploratórias numa primeira fase antes da instalação da plataforma definitiva.

 

Ao contrário das outras duas unidades de produção antecipada da petroleira - Seillean, em operação, e Pipa 2, em construção - o sistema de Pipa 3 será o primeiro a contemplar o aproveitamento do gás. A unidade terá capacidade para a produção de 30 mil barris por dia de óleo e 800 mil metros cúbicos de gás natural por dia.

 

Além do custo menor de instalação da unidade de processamento, a vantagem do sistema GTL, segundo especialistas, é o elevado valor que se pode agregar a ele. Isso porque o óleo sintético produzido a partir do GTL possui uma quantidade menor de enxofre.

 

Embora não possa ser comercializado sem ser misturado, o produto adicionado ao diesel permite uma melhor qualidade final, atendendo às recentes especificações dos Estados Unidos e Europa que exigem uma emissão máxima de 50 partículas por milhão (ppm) ante as 500 ppm emitidas hoje no diesel nacional.

 

"O GTL é uma tecnologia importante e que deve ser adotada em larga escala na área do pré-sal, porque pode ser embarcado para exportação direta dali para os mercados europeu e norte-americano", disse Figueiredo.

 

Ele lembra, porém, que outras tecnologias estão sendo estudadas para serem adotadas em conjunto na área do pré-sal na Bacia de Santos. "É bem provável que tenhamos um mix de uma série de tecnologias, entre elas o GTL, o GNL, oleodutos e até a construção de usinas térmicas em alto-mar para o abastecimento das plataformas que atuarem na região", afirmou.

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