Produção

Siemens investe R$ 130 milhões

Jornal do Commercio - RS
19/09/2008 07:05
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A Siemens vai investir R$ 130 milhões no Brasil entre 2008 e 2009 para estender as linhas de produção de suas fábricas. Um dos principais aportes será na unidade de Jundiaí (SP), onde fabrica equipamentos de energia. No Rio Grande do Sul, a empresa vai direcionar R$ 10 milhões em sua unidade industrial de Canoas visando ao lançamento de novas linhas de tomadas e interruptores.

 

O aporte na Iriel, adquirida há cinco anos, começou neste ano e deverá resultar em modelos mais avançados que entrarão no mercado no início de 2009. "Investiremos R$ 70 milhões em Jundiaí, onde ampliaremos a capacidade de fabricação de turbinas em 50% e de transformadores em 20%", informou o presidente do Grupo Siemens para o Mercosul, Adilson Primo. Recentemente, a unidade aplicou R$ 200 milhões em expansão e modernização. Na quinta-feira, o executivo participou de reunião-almoço promovida pela Câmara Brasil-Alemanha em Porto Alegre.

 

De acordo com Primo, praticamente todas as unidades da Siemens no País estão com a capacidade de produção próxima ao limite. No Brasil, a empresa atua fornecendo equipamentos para três grandes segmentos: energia, a partir de diversas fontes (no qual fatura R$ 2 bilhões), indústria (faturamento de R$ 2,5 bilhões) e saúde (faturamento de R$ 700 milhões). "Com o crescimento do País e o avanço das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nossos negócios têm crescido em todos os segmentos", comentou Primo.

 

Neste ano, a Siemens deve apresentar um crescimento de receita de 20% sobre 2007 em território brasileiro - completando sete anos seguidos de ampliação de dois dígitos na receita. O bom momento nos negócios já faz a empresa planejar a abertura de novas unidades no Brasil. Até 2009, poderá ser definida a abertura de uma fábrica de pequenos aparelhos médicos para serem usados em exames de ultra-som e mamografia. Seria a primeira fábrica de equipamentos médicos da multinacional no Brasil.

 

"Estamos analisando essa possibilidade, mas ainda é cedo para falar sobre montante de recursos ou destino do investimento", despistou Primo. Um dos fatores que anima a empresa é a perspectiva de crescimento de 5% da economia brasileira nos próximos anos. Em duas décadas, o País deverá se tornar a quinta principal economia mundial - hoje, é a décima. Ao mesmo tempo, as linhas de financiamento estão em franco crescimento. Só o Bndes deverá liberar R$ 76 bilhões neste ano para investimentos produtivos.

 

Por outro lado, o presidente da empresa demonstra preocupação com a falta de uma política industrial que favoreça o crescimento do setor de alta e média intensidade no Brasil. "O déficit comercial do Brasil com produtos mais avançados dobrou em 2007, chegando a US$ 25 bilhões, e essa é uma situação que exige atenção", observou. Ele cita, também, a taxa de juros real brasileira, a mais alta do mundo, como um movimento na contramão do que se vê em outras nações, que tratam de estimular o consumo.

 

Quanto à crise na economia internacional, Primo reconhece a gravidade no momento e teme pela continuidade da turbulência. No entanto, explica que parte da crise nos Estados Unidos será compensada pelo crescimento das economias emergentes, embora o atenuante não reverta totalmente os efeitos da crise. "O que se pode concluir é que o vôo de brigadeiro da economia mundial chegou ao fim", falou.

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