Estiagem

Seca em São Paulo já causa perdas à indústria do Estado

Desemprego, racionamento e produção afetada.

O Globo
30/10/2014 11:11
Visualizações: 377

 

cerâmica, amarga prejuízo de R$ 4 milhões com a queda da produção pela escassez de água.
Grandes empresas, como a JBS, localizada em Barretos, a 440 km da capital, anteciparam as férias coletivas e paralisaram a produção após a prefeitura decretar o racionamento. Em Guarulhos, na Grande São Paulo, a fabricante de motores Cummins compra todos os dias seis carros-pipa para evitar que a produção pare. Cada um custa cerca de R$ 1 mil.
— A crise hídrica está muito severa em São Paulo, portanto há impacto na indústria. Muitas empresas, em diferentes áreas do estado, estão administrando e racionando o uso da água para evitar paralisações — afirma Nelson Pereira dos Reis, diretor de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Ao menos 54 municípios paulistas já decretaram racionamento. Ainda assim, a Fiesp não consegue estimar de quanto será o prejuízo da crise para o Produto Interno Bruto (PIB) paulista, atualmente em R$ 1,2 trilhão. Reis detalha que as indústrias já vinham produzindo em ritmo mais lento com a economia fraca, o que acaba reduzindo os possíveis efeitos da crise hídrica na atividade. Ele também salientou que as indústrias têm alternativas ao fornecimento regular de água, com a utilização de técnicas de reúso, captação de rios e perfuração de poços artesianos.
As perdas começam a surgir. O presidente do Conselho de Logística e Infraestrutura da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Renato Pavan, explica que o transporte da soja pela Hidrovia Tietê/Paraná custa R$ 86 por tonelada. Com o rio seco em alguns trechos, a alternativa foi levar por rodovia cerca de 2 milhões de toneladas de São Simão até Pederneiras, a um custo de R$ 101 a tonelada. Depois, a soja vai por ferrovia até o Porto de Santos.
— Até agora, já foram R$ 30 milhões de gastos a mais, e agora começa a safra do milho. A capacidade de transporte da hidrovia é de 6 milhões de toneladas/ano — diz Pavan.
Calcula-se que na região da hidrovia entre Araçatuba e Barra Bonita, que compreende 42 municípios, mais de três mil trabalhadores já perderam o emprego.
Outro setor fortemente impactado pela estiagem é o têxtil. Metade das produtoras têxteis do país está em São Paulo. A água é usada, por exemplo, no processo de coloração dos tecidos. Embora não divulgue o nome de empresas com problemas, procurada pelo GLOBO, a Associação Brasileiras da Indústria Têxtil (Abit) reconhece que muitas associadas passam por dificuldades.
Em Barretos, a unidade do frigorífico JBS antecipou do dia 4 de novembro para a última segunda-feira o início das férias coletivas dos cerca de mil funcionários por causa do racionamento de água na cidade, decretado no último dia 20. Os empregados ficarão parados por 20 dias, e a empresa informa que as férias já estavam programadas. Todos os abates estão paralisados e a demanda deverá ser suprida por outras unidades da empresa.
Em Guarulhos, a fabricante de motores e geradores de energia Cummins, está comprando seis carros-pipa de água por dia para não paralisar a produção, depois que a vazão das torneiras foi reduzida. A cidade está em racionamento. A água comprada pela empresa está sendo utilizada nos processos de fabricação, no restaurante e até nos banheiros, informa Cintia Rignani, supervisora de segurança e meio ambiente.
— Desde maio, comprávamos dois carros-pipa por dia. Há dois meses, começamos a comprar quatro e, desde a semana passada, são seis. Ainda recebemos água da rede pública, mas se a situação piorar serão necessários dez carros-pipa por dia para evitar a paralisação da unidade, que tem 1.500 funcionários — diz ela.
Parte da semana a portas fechadas
Na cidade de Tambaú, a 298 km da capital, as 70 indústrias do ramo ceramista têm dificuldade em manter o quadro de funcionários. Em razão da falta d’água, são obrigadas a fechar as portas em alguns dias da semana.
— A situação está muito difícil. A seca dos últimos meses vai afetar o resultado de toda nossa indústria — diz Luiz Caetano de Castro, diretor executivo da Associação Industrial de Tambaú.
A Rhodia foi a primeira a acender a luz amarela na produção. Até a semana passada, a empresa havia instituído um sistema de rodízio em quatro das suas 22 unidades localizadas em Paulínia, interior de São Paulo. A empresa do grupo belga Solvay informou que houve um “aumento considerável da disponibilidade de água que a empresa capta do Rio Atibaia” e, por isso, “reiniciou a produção nas quatro unidades”. Segundo a empresa, a situação foi mais complicada em fevereiro, quando houve paralisação total de uma destas mesmas unidades, por duas semanas.

Os prejuízos da maior seca em São Paulo nos últimos 80 anos já começam a chegar ao caixa das empresas do estado.

No agronegócio, o transporte de soja por rodovia, após a paralisação da Hidrovia Tietê/Paraná, custou R$ 30 milhões a mais aos produtores.

A cidade de Tambaú, polo da indústria cerâmica, amarga prejuízo de R$ 4 milhões com a queda da produção pela escassez de água.

Grandes empresas, como a JBS, localizada em Barretos, a 440 km da capital, anteciparam as férias coletivas e paralisaram a produção após a prefeitura decretar o racionamento.

Em Guarulhos, na Grande São Paulo, a fabricante de motores Cummins compra todos os dias seis carros-pipa para evitar que a produção pare. Cada um custa cerca de R$ 1 mil.

— A crise hídrica está muito severa em São Paulo, portanto há impacto na indústria. Muitas empresas, em diferentes áreas do estado, estão administrando e racionando o uso da água para evitar paralisações — afirma Nelson Pereira dos Reis, diretor de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ao menos 54 municípios paulistas já decretaram racionamento. Ainda assim, a Fiesp não consegue estimar de quanto será o prejuízo da crise para o Produto Interno Bruto (PIB) paulista, atualmente em R$ 1,2 trilhão.

Reis detalha que as indústrias já vinham produzindo em ritmo mais lento com a economia fraca, o que acaba reduzindo os possíveis efeitos da crise hídrica na atividade.

Ele também salientou que as indústrias têm alternativas ao fornecimento regular de água, com a utilização de técnicas de reúso, captação de rios e perfuração de poços artesianos.

As perdas começam a surgir. O presidente do Conselho de Logística e Infraestrutura da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Renato Pavan, explica que o transporte da soja pela Hidrovia Tietê/Paraná custa R$ 86 por tonelada. Com o rio seco em alguns trechos, a alternativa foi levar por rodovia cerca de 2 milhões de toneladas de São Simão até Pederneiras, a um custo de R$ 101 a tonelada.

Depois, a soja vai por ferrovia até o Porto de Santos.

— Até agora, já foram R$ 30 milhões de gastos a mais, e agora começa a safra do milho. A capacidade de transporte da hidrovia é de 6 milhões de toneladas/ano — diz Pavan.

Calcula-se que na região da hidrovia entre Araçatuba e Barra Bonita, que compreende 42 municípios, mais de três mil trabalhadores já perderam o emprego.

Outro setor fortemente impactado pela estiagem é o têxtil. Metade das produtoras têxteis do país está em São Paulo.

A água é usada, por exemplo, no processo de coloração dos tecidos. Embora não divulgue o nome de empresas com problemas, procurada pelo GLOBO, a Associação Brasileiras da Indústria Têxtil (Abit) reconhece que muitas associadas passam por dificuldades.

Em Barretos, a unidade do frigorífico JBS antecipou do dia 4 de novembro para a última segunda-feira o início das férias coletivas dos cerca de mil funcionários por causa do racionamento de água na cidade, decretado no último dia 20.

Os empregados ficarão parados por 20 dias, e a empresa informa que as férias já estavam programadas.

Todos os abates estão paralisados e a demanda deverá ser suprida por outras unidades da empresa.

Em Guarulhos, a fabricante de motores e geradores de energia Cummins, está comprando seis carros-pipa de água por dia para não paralisar a produção, depois que a vazão das torneiras foi reduzida.

A cidade está em racionamento. A água comprada pela empresa está sendo utilizada nos processos de fabricação, no restaurante e até nos banheiros, informa Cintia Rignani, supervisora de segurança e meio ambiente.

— Desde maio, comprávamos dois carros-pipa por dia. Há dois meses, começamos a comprar quatro e, desde a semana passada, são seis. Ainda recebemos água da rede pública, mas se a situação piorar serão necessários dez carros-pipa por dia para evitar a paralisação da unidade, que tem 1.500 funcionários — diz ela.

Parte da semana a portas fechadas

Na cidade de Tambaú, a 298 km da capital, as 70 indústrias do ramo ceramista têm dificuldade em manter o quadro de funcionários. Em razão da falta d’água, são obrigadas a fechar as portas em alguns dias da semana.

— A situação está muito difícil. A seca dos últimos meses vai afetar o resultado de toda nossa indústria — diz Luiz Caetano de Castro, diretor executivo da Associação Industrial de Tambaú.

A Rhodia foi a primeira a acender a luz amarela na produção. Até a semana passada, a empresa havia instituído um sistema de rodízio em quatro das suas 22 unidades localizadas em Paulínia, interior de São Paulo. A empresa do grupo belga Solvay informou que houve um “aumento considerável da disponibilidade de água que a empresa capta do Rio Atibaia” e, por isso, “reiniciou a produção nas quatro unidades”.

Segundo a empresa, a situação foi mais complicada em fevereiro, quando houve paralisação total de uma destas mesmas unidades, por duas semanas.

 

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