Exploração

Risco no pré-sal tende a zero

Jornal do Commercio
11/06/2008 08:40
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O risco de exploração da camada pré-sal para as outras empresas de petróleo é praticamente zero, disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, em Nova York. E, por isso, o governo deveria ter uma parcela maior no controle da riqueza potencial. "Não é um problema ideológico, (trata-se de) quem toma o risco e de quem vai ser recompensado", afirmou. "A situação atual é que grande parte do globo tem PSA (Acordo de Compartilhamento de Produção), apenas poucos países têm concessão, e o Brasil é o único entre os 15 maiores que tem tipos tão livres de contratos orientados para investimentos. Ninguém tem coisas como o Brasil tem, nem mesmo os Estados Unidos", disse em entrevista após palestra organizada pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.

 

Gabrielli pontuou que há perspectiva muito grande para riqueza no futuro. "Acredito que o governo brasileiro deveria ter o direito da decisão sobre o que fazer, mantendo as condições atuais. As companhias que aí já estão tomaram o risco quando tiveram de tomar", argumentou. Para ele, a questão não se trata particularmente de investidores estrangeiros. "O problema é quem vai tomar o risco exploratório", reiterou.

 

De acordo com Gabrielli, a participação da indústria de petróleo no PIB brasileiro tem aumentado significativamente. "Acredito que hoje devemos ter saído de algo em torno de 6% para uma contribuição em torno de 10%", completou. As estimativas oficiais, citou ele, apontam a participação em torno de 2% a 4%, ao ressalvar que são baseadas em números antigos e ha indícios de que a participação é muito maior do que os índices estão captando.

 

O executivo observou que a alta do petróleo no mercado internacional não é passada diretamente ao mercado brasileiro há cinco anos. "Mantemos as variações dos preços dos derivados no Brasil com uma relação de longo prazo, não aumentamos no curto prazo". Segundo ele, isto não prejudica a Petrobras, "não só porque aumentamos a eficiência da produtividade, mas também porque a taxa de câmbio tem sido favorável e minimizado o impacto para o consumidor final". Assim, acrescenta, o efeito é mais de longo prazo e o impacto demora para chegar ao mercado brasileiro. "Dessa maneira, não acredito que a variação trimestral do preço do petróleo vai impactar a variação trimestral do PIB. Se tiver impacto, vai ser de longo prazo", acredita.

 

Gabrielli disse também que as duas refinarias premium da companhia estão em "fase final de estudos", uma com produção diária estimada em 600 mil barris e outra com 300 mil barris. "Vão ser construídas em fases é a única coisa que posso confirmar. As outras coisas (seguem) processo de decisão interno", informou em entrevista após palestra organizada pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.

 

Para financiar os projetos, a empresa vai olhar para os mercados de capitais, disse Gabrielli ao argumentar que "a abordagem será a mesma" do passado. "Temos perspectiva sólida, podemos gerar recursos o bastante para pagar a dívida de juros fixos que pudermos ter". Ele acrescentou que por ser grau de investimento a empresa pode ter acesso a diferentes investidores. As fontes para os financiamentos devem ser títulos, caixa e dívida bancaria, ponderou.

 

A Petrobras quer que os navios que ainda precisa contratar sejam construídos no Brasil. "Queremos minimizar os efeitos da doença holandesa", disse Gabrielli em evento em Nova York. A doença holandesa é um conceito econômico que tenta explicar a aparente relação entre a exploração de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro. Além dos 59 navios em leasing atualmente, o executivo afirmou que a empresa precisa de mais 175 embarcações. Assim como os navios, a companhia quer que as sondas de perfuração sejam construídas no País. A empresa planeja ter 72 sondas de perfuração até 2017 e vai anunciar processo de licitação para 28 novas sondas.

 

"Somos auto-suficientes em produção de petróleo, precisamos importar óleo leve. Vamos aumentar nossa capacidade de refino", completou.

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