Indústria

Rio e de SP apresentam ao governo propostas para melhorar competitividade

Em uma iniciativa inédita, as federações da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Rio de Janeiro (Firjan) divulgaram ontem (1º) um documento com propostas que serão encaminhadas ao governo federal, com o objetivo de tornar a economia brasileira mais competitiva. O estudo avalia quatro

Agência Brasil
02/12/2011 10:13
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Em uma iniciativa inédita, as federações da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Rio de Janeiro (Firjan) divulgaram ontem (1º) um documento com propostas que serão encaminhadas ao governo federal, com o objetivo de tornar a economia brasileira mais competitiva. O estudo avalia quatro áreas consideradas estratégicas para o país: logística, com destaque para portos; energia; tecnologia da informação (TI), com ênfase na banda larga; e educação.

Na área de energia, por exemplo, as federações defendem que o governo licite as concessões que vencerão por volta de 2015, sendo 28% de geração, 80% de transmissão e 41% de distribuição. Frisou que o patrimônio retorna, dessa forma, à União, que poderá promover novos leilões, sem necessidade de novos investimentos. Com isso, a tarifa brasileira, que hoje é 53% superior à média de 27 países, tenderá a cair.

Com as novas licitações, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, estimou que a redução na conta de luz dos brasileiros poderá chegar a 20%. Ele propôs à Firjan intensificar na internet a campanha Energia a Preço Justo, visando a atingir 1 milhão de assinaturas. “O objetivo é baixar a conta de luz para todos os brasileiros, não só para a indústria”.

Ainda na área de infraestrutura, o documento faz referência especial à situação dos portos brasileiros. Considerando uma lista de 142 países citada pelo estudo, o Brasil está na 130ª posição em relação à eficiência. “Perde para os países do Mercosul, para todos os parceiros comerciais na qualidade da infraestrutura”. O tempo de desembaraço das mercadorias nos portos brasileiros, tanto para exportação como para importação, é 5,5 dias, ante a média mundial de 2,9 dias, “o que é incompatível para o desenvolvimento do país”, salientou Paulo Skaf.

A proposta da Firjan/Fiesp é ampliar para 24 horas o funcionamento de todos os órgãos envolvidos no desembaraço de cargas, para diminuir os custos. E que, de início, pelo menos os dez principais portos nacionais adotem o funcionamento ininterrupto.

No âmbito da TI, o estudo propõe a inclusão no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) de um pacote empresarial que chegue a todas as indústrias do país, oferecendo serviços com velocidade de 15 megabytes a preços competitivos internacionalmente, para permitir o tráfego de dados de forma confiável. “Tecnologia da informação é ferramenta de trabalho. Nós não podemos mais trabalhar com ferramentas do século passado”, disse o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

No que se refere à educação, a ideia da Firjan/Fiesp é oferecer ao governo a colaboração das duas entidades na área de formação e qualificação profissional. Nos últimos dez anos, Fiesp e Firjan formaram 10 milhões de trabalhadores. Os números poderiam ser maiores se não fosse a baixa qualidade do ensino público na educação básica, segundo avaliaram os presidentes das duas maiores federações. industriais do país.

Para vencer o déficit de conhecimento, as entidades vão oferecer cursos de iniciação à nanotecnologia para alunos das escolas públicas. Serão 100 mil alunos atendidos em quatro anos. O custo com escolas móveis, estimado em R$ 5 milhões, será coberto pelas duas federações.

As entidades também anunciaram que vão patrocinar um curso MBA (Master in Business Administration) em Gestão Empreendedora para todos os diretores das 4,9 mil escolas estaduais de ensino médio de São Paulo e do Rio de Janeiro. O custo de R$ 35 milhões também será coberto pelas duas federações. “Nós podemos mudar a qualidade do ensino nos dois estados”, disse Gouvêa Vieira. Skaf completou dizendo que “essa é a forma de estender a mão e melhorar o ensino público”.
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