Finanças

Revisão de contratos de álcool em NY

Valor Econômico
14/02/2005 00:00
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Ainda com baixa liquidez e poucos participantes no mercado, os contratos futuros de álcool negociados na bolsa de Nova York deverão ganhar um novo formato para atrair investidores. "Estamos elaborando estudos para melhorar as operações do produto na bolsa", afirma Patricia Hemsworth, diretora de álcool e produtos agrícolas da New York Board of Trade (Nybot).
Os problemas com o contrato foram detectados no fim do ano passado, mas a Nybot e analistas acreditavam que a liquidez aumentaria com o tempo. Entre as alternativas, a Nybot estuda nomear novos portos para entregas nos Estados Unidos, sobretudo na Costa Leste, onde cresce a demanda por álcool combustível.
Hemsworth diz que a Nybot descarta encerrar as operações com álcool. A grande questão, disse, é saber os motivos que ainda afastam produtores brasileiros e players internacionais da bolsa. A estratégia da Nybot será a de atrair produtores americanos para o mercado com o objetivo de elevar os volumes das operações para garantir liquidez.
Para analistas brasileiros, as características dos contratos negociados na Nybot - álcool derivado de milho - e o fato de o Brasil ser o principal formador de preço do produto no mercado internacional tornam a bolsa americana pouco interessante.
Manoel Fernando Garcia, presidente da trading brasileira S/A Fluxo, que participa da comissão de álcool da Nybot, informa que uma nova reunião será marcada nas próximas semanas para dar continuidade às discussões. Atualmente, os contratos do álcool em Nova York são FOB, com entrega em portos de nove países.
No Brasil, os futuros de álcool são negociados na BM&F desde março de 2000. Em 2004, foram negociados 40.453 contratos, 17,7% menos que em 2003, com a movimentação de 1,2 bilhão de litros de álcool anidro - 20% da produção nacional. Segundo Felix Schouchana, diretor de mercados agrícolas da BM&F, os contratos de álcool da bolsa têm condições de evoluir porque agregaram mais um participante - o exportador. Em janeiro, a BM&F negociou 4,6 mil contratos, 70% mais que no mesmo mês do ano passado.
Ao mesmo tempo em que a Nybot estuda reanimar os contratos de álcool, a Chicago Board of Trade (CBOT) anunciou que deverá lançar seus contratos de álcool, à base de milho a partir de 8 de abril. Mas o lançamento depende de certificação da Commodity Futures Trading Comission (CFTC).
Para Michael McDougall, vice-presidente da Fimat Futures, o mercado comporta os dois tipos de contratos de álcool. Atualmente, traders e fundos têm na BM&F os preços do álcool como referência. "Os contratos de álcool em Chicago vão funcionar como um balizador para o mercado doméstico americano, assim como acontece com os contratos 14 de açúcar. Os contratos da Nybot de álcool são como os contratos 11 de açúcar, que tem preços como referência para o mercado internacional".

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