Indústria Naval

Recuperação tecnológica da indústria naval será debatida na 62ª. Reunião da SBPC, em Natal

Depois de décadas em crise, a indústria brasileira de construção naval está passando por um momento de recuperação proporcionada, em grande parte, pelos investimentos que estão sendo realizados no setor de óleo e gás no pa&iacute

Redação
21/06/2010 10:40
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Depois de décadas em crise, a indústria brasileira de construção naval está passando por um momento de recuperação proporcionada, em grande parte, pelos investimentos que estão sendo realizados no setor de óleo e gás no país. E para fazer frente ao mercado internacional, será necessário investir em tecnologia. Esse será um dos temas debatidos na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será realizada de 25 a 30 de julho em Natal (RN).
 

O evento, cujo tema é “Ciências do mar: herança para o futuro”, contará com centenas de atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhos científicos e minicursos. Para o professor Floriano Carlos Martins Pires Junior, professor e chefe da área de Transporte Aquaviário do Programa de Engenharia Oceânica da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os estaleiros nacionais terão que reparar e não repetir os mesmos erros que cometeram no passado, quando também se apoiaram no mercado interno e em um único setor para viabilizarem seus projetos. 
 

“O Brasil já aprendeu a lição de que não se pode contar somente com a demanda doméstica e de um único setor para consolidar as atividades de uma indústria naval em longo prazo”, afirma Pires Junior. “É preciso diversificar a atuação para outros segmentos de transporte marítimo e aproveitar essa nova oportunidade para aumentar a competitividade internacional”, indica o especialista que abordará esse assunto em uma conferência durante o evento.
 

De acordo com o professor, o modelo de desenvolvimento da indústria de construção naval adotado pelo Brasil na década de 80, quando o setor viveu um de seus melhores momentos, provocou efeitos desastrosos e que perduram até hoje. Extremamente protecionista, o plano se baseou em uma política de substituição de importação que previa a construção de navios no país para atenderem à demanda interna da marinha mercante. Porém, com a desregulamentação do setor de navegação, a abertura do mercado nacional e a entrada de competidores internacionais, a maioria dos estaleiros brasileiros entrou em crise e fechou as portas por falta de encomendas no mercado interno e porque não tinham tecnologia para competir no exterior.
 

Nos últimos anos, com as encomendas que estão sendo feitas, principalmente pela Petrobras, os estaleiros começaram a vislumbrar a possibilidade de voltar a fabricar navios de grande porte e atender uma significativa demanda por embarcações mais sofisticadas, como plataformas e navios sondas, utilizados para perfuração de poços submarinos. Entretanto, para isso, o professor afirma que eles precisarão recuperar o atraso tecnológico em relação aos concorrentes internacionais.
 

Segundo ele, a capacitação profissional voltada exclusivamente para o setor naval e o apoio de instituições de pesquisa como a Coppe/URFJ, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), são fundamentais para ajudar a suprir essas demandas.par e se envolver diretamente nesse processo.

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