Energias renováveis

Recuo do petróleo ameaça investimento em biocombustíveis

Folha de São Paulo
23/01/2007 00:00
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Barril em queda pode desestimular procura por energia alternativa; preço maior de insumos agrícolas afeta lucratividade do produtor.

Os investimentos em biocombustíveis podem recuar devido ao aumento da concorrência das fabricantes de alimentos pelos produtos agrícolas necessários ao processamento dos combustíveis alternativos e à queda dos preços do petróleo, que está reduzindo a lucratividade associada à produção desses combustíveis, disse Matthias Fawer, analista dos setores de combustíveis e alimentos do Bank Sarasin & Cie AG.

Os investimentos mundiais em fontes de energia renováveis alcançaram US$ 70 bilhões no ano passado, 43% superiores ao registrado em 2005, segundo a New Energy Finance, de Londres. Em 2006, a produção mundial de biocombustíveis quase dobrou, passando a 38,8 milhões de toneladas, segundo o Rabobank Groep. Isso consumiu safras que cobriam quase 14 milhões de hectares de terra cultivável e elevou os preços de grãos como o milho.

"Estamos observando uma alta no número de pontos negativos vinculados aos biocombustíveis", afirma Fawer, que coordenou estudo sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis. "As pessoas pensarão duas vezes antes de investir agora."

A demanda por biocombustíveis fabricados a partir do milho, de sementes oleaginosas e da cana-de-açúcar está crescendo, em meio aos esforços por parte dos países para reduzir sua dependência do petróleo, do gás e do carvão. O aumento da demanda por milho por parte do setor produtor de etanol, aliado ao aumento do consumo mundial do grão, está elevando os preços e reduzindo as margens das refinarias.

Os preços do milho na Bolsa de Commodities de Chicago dobraram nos últimos 12 meses, passando a US$ 4,09 o bushel, e alcançaram na semana passada a maior alta em dez anos. Prevê-se que o consumo do grão para a fabricação de etanol deva disparar 46% no ano que inicia em 1º de setembro, disse o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). "Os alimentos estão ficando mais caros devido à concorrência pelas matérias-primas", disse Fawer. "Os produtores de biocombustíveis também estão pagando mais. Os tempos estão mais difíceis."

Atrasos

A FutureFuel, produtora americana de biocombustíveis, anunciou atrasos em expansão planejada de sua unidade em Batesville, no Arkansas. A empresa atribuiu os adiamentos à redução das margens.

"A queda nas margens afeta todo o setor e não se restringe a nossa empresa nem a sua unidade de Batesville", disse a empresa. O preço do óleo de soja, usado para fabricar biodiesel, subiu 14,8 centavos de dólar por galão (3,785 litros) desde 31 de outubro, enquanto o preço à vista do diesel recuou 10,75 centavos de dólar por galão.

O petróleo bruto para entrega em fevereiro na Bolsa Mercantil de NY caiu para US$ 49,90 o barril na quinta-feira, a menor cotação intradiária desde 25 de maio de 2005. "Investidores deviam se concentrar nos biocombustíveis de segunda geração, fabricados a partir de uma gama mais ampla de matérias-primas, como rejeitos orgânicos", recomenda Fawer.

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