Minério de Ferro

Queda no preço do minério afeta resultado de Vale e CSN

Momento negativo do mercado global da matéria-prima do aço.

Valor Online
01/10/2014 09:59
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A mineradora brasileira Vale e a siderúrgica CSN, grandes exportadoras de minério de ferro, terão seus balanços do terceiro trimestre impactados pela forte queda do preço da commodity.

Na comparação com o período de julho a setembro do ano passado, a desvalorização esta em torno de 32%, passando de US$ 133 por tonelada para US$ 91, considerando o preço médio do minério com teor de 62% de ferro, que é o mais usado como referência no mercado.

Em relação ao segundo trimestre deste ano, a queda é de 12%, já que de abril a junho a cotação média da commodity foi US$ 103 por tonelada. Neste ano, a cotação média está em US$ 105 por tonelada, 23% abaixo dos US$ 135 por tonelada na média de 2013.

Apesar de as companhias brasileiras trabalharem com minério de ferro de qualidades melhores, suas receitas e lucros refletem o momento mais negativo do mercado global da matéria-prima do aço.

Analistas estimam que para cada 1 ponto percentual a mais de qualidade, as companhias cobram em torno de US$ 1,60 por tonelada.

Nas contas do Citi, a Vale venderá 312 milhões de toneladas de minério de ferro em 2014 e, no terceiro trimestre deste ano, terá uma receita líquida total de US$ 9,6 bilhões, considerando também outros negócios, como de metais não ferrosos.

O valor é 25% menor do que no mesmo período do ano passado (US$ 12,9 bilhões). Para o Ebitda, a projeção é de queda de 41% e, para o lucro, de 59%.

Nas contas de um analista que preferiu não ser identificado, a cada 10% de queda da cotação do minério de ferro, o lucro líquido anual da Vale sofre um impacto de 31%.

No período de julho a setembro, isso pode significar uma queda de aproximadamente R$ 800 milhões no lucro da companhia, ou 23% abaixo dos R$ 3,5 bilhões do terceiro trimestre de 2013.

No caso da CSN, considerando neste um preço realizado de minério de ferro 36% inferior ao do ano passado, o BTG calculou em agosto que a companhia pode ter uma receita líquida de R$ 17,28 bilhões em 2014.

O valor é 0,2% inferior ao do ano passado, com aumento do preço do aço e de volumes de minério ajudando a compensar a queda da cotação da matéria-prima.

No ano passado, com cerca de 25,7 milhões de toneladas de minério de ferro comercializadas, a receita do negócio de mineração representou 27% do total do faturamento da CSN.

Para consumo próprio, produziu e consumiu 5,7 milhões de toneladas. Neste ano, a companhia poderá totalizar 31 milhões de toneladas em vendas.

Mesmo com o minério mais barato, o Citi considera que a Vale "pode confortavelmente" lidar com o preço do minério no patamar atual ou até inferior.

Ontem, o minério fechou a US$ 77,50, o mais baixo desde 11 de setembro de 2009. Analistas acreditam que esta é a nova realidade dos preços do minério.

A cotação da matéria-prima do aço vem sendo fortemente pressionada não apenas por fatores conjunturais, mas também estruturais.

A principal razão para a desvalorização de cerca de 11% em setembro e de 41% no ano é o aumento da oferta global, principalmente das quatro maiores mineradoras do mundo: a própria Vale e as australianas Rio Tinto, BHP Billiton e Fortescue Metals.

Com baixos custos de produção, já que possuem grandes escalas e bons teores de concentração de ferro no minério, essas empresas estão contribuindo para levar o preço médio da commodity para um patamar mais baixo em relação ao registrado nos últimos anos.

Analistas estimam um custo médio de US$ 28 por tonelada para a Vale no ano que vem, de US$ 34 para a Rio Tinto, de US$ 36 para a BHP Billiton e de US$ 47 para a Fortescue Metals.

Considerando também outros projetos, o mercado espera um adicional de cerca de 180 milhões de toneladas neste ano, de 150 milhões de toneladas no ano que vem e de 120 milhões de toneladas em 2016.

O que pode minimizar a queda do preço da commodity é o fim de operações de companhias com custos de produção mais altos.

Um terço da capacidade de produção de minério de ferro da China, por exemplo, fica inviável com o preço em um patamar de US$ 80 por tonelada, afirma o Citi em relatório.

A China produziu, no ano passado, aproximadamente 360 milhões de toneladas de minério com teor de 62% de ferro. Para este ano, a previsão do banco é de uma produção de 320 milhões de toneladas.

Os analistas estimam que novos cortes de produção serão verificados no ano que vem. Esses cortes podem totalizar mais 50 milhões de toneladas.

Nas últimas semanas, diversos analistas reduziram suas projeções para o preço do minério de ferro e também para as ações da Vale.

O Citi cortou a recomendação dos papéis da Vale negociados nos Estados Unidos (ADRs) para "neutra", baixando o preço-alvo de US$ 15 para US$ 12,50 - o que significa um potencial de valorização de 12% em relação aos atuais US$ 11,20.

Mas os analistas apontam a volatilidade do preço do minério como um fator de alta para as ações, dada a possibilidade de uma recuperação sazonal nos preços neste trimestre.

O Brasil Plural reduziu sua projeção para o preço do minério de ferro, entre 2015 e 2017, para uma faixa de US$ 80 por tonelada a US$ 90 por tonelada.

Antes, o banco estimava uma cotação variando de US$ 90 por tonelada a US$ 100 por tonelada.

Para o longo prazo, a previsão dos analistas do Brasil Plural passou para US$ 90 por tonelada, inferior aos US$ 95 por tonelada calculados anteriormente.

Considerando um novo patamar de preço do minério de ferro e riscos macroeconômicos, os analistas do Brasil Plural reduziram em 9% o preço-alvo para as ações da Vale, para R$ 36,50, o que significa um potencial de valorização de 34% em relação aos atuais R$ 27,20.

O Credit Suisse também cortou o preço-alvo (ADRs) da Vale de US$ 15 para US$ 12,50.

A recomendação permaneceu neutra.

A instituição explica que, em meio às preocupações dos investidores sobre os preços mais baixos das commodities, resolveu reavaliar a geração de fluxo de caixa da empresa em uma ampla gama de cenários, incluindo um teste de estresse sobre os preços do minério de ferro.

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