Royalties do petróleo

Queda leva calamidade financeira a cidades turísticas do Rio

Redação/Agência Brasil
05/01/2017 15:49
Queda leva calamidade financeira a cidades turísticas do Rio Imagem: Divulgação Visualizações: 356

Na primeira semana do ano, importantes destinos turísticos do Rio decretaram calamidade econômica. Arraial do Cabo e Cabo Frio, a paradisíaca Angra dos Reis e a cidade histórica de Petrópolis, na região serrana, afirmam que estão sem recursos. E no início da semana, os prefeitos de Nova Iguaçu, Mesquita e São Gonçalo, na região metropolitana da capital, também decretaram calamidade, alegando dificuldade de pagar salários e contratos.

Em Rio das Ostras, a prefeitura dispensou funcionários em cargos de comissão, está propondo a renegociação de contratos e estuda outros cortes. A área mais afetada é a saúde, onde o atendimento está sendo prejudicado com a precarização e a falta de insumos para o atendimento.

Em Petrópolis, a dívida encontrada pela nova gestão é de R$ 565 milhões, incluindo o débito com serviços como energia elétrica, telefone e coleta de lixo. Somente os contratos com a companhia de limpeza, atrasados desde agosto de 2015, passam dos R$ 12 milhões. Ao decretar calamidade, o prefeito Bernardo Rossi (PMDB) espera adiar os pagamentos e organizar a cidade.

Tudo isto para evitar reflexos em uma das principais formas de arrecadação de Petrópolis: o turismo. Sede do Museu Imperial, a cidade deixou sem manutenção o Palácio de Cristal e a Casa de Santos Dumont. O mato também cresce nos parques e a ferrugem estraga estruturas.

Angra quer cobrar taxa

Em Angra dos Reis, município que possui ilhas e praias paradisíacas, cachoeiras e passeios de barco que atraem milhares de pessoas no verão, o déficit estimado é de R$ 374 milhões. O novo prefeito Fernando Jordão (PMDB), no terceiro mandato, abriu uma auditoria nas contas e prometeu aumento de impostos.

“É dívida de tudo, de fornecedor e de funcionário”, disse Jordão. Os pagamentos de três meses de salários atrasados e do 13º do funcionalismo só foram feitos este início de ano com recursos do fundo de previdência dos servidores, por força de decisão judicial. “Peguei um empréstimo para repor daqui a um ano, com pagamento em 60 parcelas”, disse.

Para aumentar a arrecadação e regularizar os pagamentos de serviços como coleta de lixo e energia elétrica, a prefeitura deverá cobrar uma taxa de turismo para quem visitar o município, além de aumentar a fiscalização de embarcações. “As pessoas vêm aqui e só deixam o lixo. Em Ilha Grande, é uma dificuldade danada”, afirmou. A ilha, que reúne quatro unidades de conservação, tem uma população de três mil habitantes e recebe cerca de 500 mil turistas por ano.

Lixo e hospitais fechados

Em Arraial do Cabo, que tem uma das praias mais bonitas do país, a coleta de lixo é um problema, agravado pelo fluxo de turistas que sobe no Verão. Segundo a prefeitura, a empresa que faz a coleta e a que administra o aterro sanitário estão sem receber e foi preciso contratar maquinário temporário e fazer mutirões para deixar a cidade limpa. A cidade ainda faz um levantamento das dívidas a fornecedores e o decreto de calamidade, que vale por 90 dias, pode ser prorrogado.

A limpeza também é uma das primeiras preocupações do novo prefeito de Cabo Frio, Marquinho Mendes (PMDB), além da regularização do atendimento hospitalar. Por falta de recursos, apenas dois dos sete hospitais da cidade estavam funcionando no fim de 2016. Ao decretar emergência financeira na segunda-feira (2), ele pretende acelerar a compra de itens básicos para os setores de saúde e educação. "Encontramos os hospitais e as repartições públicas em um estado deplorável. Há muito a ser feito", disse.

Já para receber salários atrasados, incluindo o 13º de 2015, os servidores de Cabo frio terão de esperar um pouco mais. Há funcionários há quatro meses sem receber regularmente.

Ajuda federal

O economista Mauro Osório, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que acompanha a situação no estado, lembra que a crise financeira é decorrente da queda de receitas do petróleo, cujos os preços despencaram no último ano. Ele cobra uma ajuda urgente do governo federal para ajudar as cidades cujas receitas vinham dos royalties, taxas pagas para compensar a exploração do petróleo, a fazer os seus pagamentos.

“O Rio de Janeiro está em situação de caos. O governo federal está insistindo no discurso do corte, mas não houve aumento da máquina, de contratações. Cortar mais é cortar em saúde e educação e, com a dengue a chicungunha à porta, os cortes vão sair mais caro”, afirmou Osório. Segundo ele, com os decretos de calamidade financeira, os municípios ficam desobrigados de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, podem adiar pagamentos de fornecedores e ganhar mais margem no orçamento para pagar os servidores.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
P&D
Centro de pesquisa na USP inaugura sede e impulsiona tec...
17/04/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 182 mil barris por ...
17/04/26
Reforma Tributária
MODEC patrocina debate sobre reforma tributária no setor...
17/04/26
E&P
Revisão de resolução sobre cessão de contratos de E&P é ...
17/04/26
Estudo
Consumo de gás natural cresce 3,8% em 2025 no Brasil
17/04/26
Apoio Marítimo
Mesmo com tensões globais, setor marítimo avança e refor...
17/04/26
Internacional
Petrobras assina participação em novo bloco exploratório...
17/04/26
PPSA
Petrochina arremata carga da União de Bacalhau em leilão...
17/04/26
Rio de Janeiro
Firjan calcula que, só em 2025, estado do Rio acumulou p...
16/04/26
Refino
Refinaria de Mataripe, da Acelen, reduz consumo total de...
16/04/26
Cana Summit
No Cana Summit 2026, ORPLANA e UNICA formalizam revisão ...
16/04/26
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Reconhecimento
3º Prêmio Foresea de Fornecedores premia melhores empres...
16/04/26
Cana Summit
Abertura do Cana Summit 2026: autoridades e especialista...
15/04/26
Gás Natural
TBG e SCGás inauguram nova estação em Santa Catarina e a...
15/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23