América do Sul

Protesto afeta produção de petróleo no Equador

Valor Econômico/ag.
19/08/2005 00:00
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O Equador declarou estado de emergência em duas províncias amazônicas, por causa de protestos contra a indústria petrolífera. Os manifestantes exigem que o governo renegocie contratos com multinacionais de petróleo, entre elas a Petrobras. A estatal PetroEcuador tem algumas de suas instalações na região ocupadas desde a segunda-feira. Ontem, a queda da produção de petróleo no Equador chegou a mais de 65%. O país suspendeu todas as exportações de petróleo alegando "força maior"
O Exército dispersou ontem manifestações nas duas províncias usando gás lacrimogêneo. No começo da noite, as informações faziam referência a mais de 50 feridos em confrontos violentos.
Os manifestantes querem que as petroleiras invistam mais em infra-estrutura, diretamente ou por meio de royalties. Fazem também exigências de proteção ambiental.
A Petrobras tem sido um dos principais alvos dos protestos por causa de seus projetos de exploração próximos ao parque nacional de Yasuni. Membros da tribo huaorani querem que as licenças de exploração da empresa sejam canceladas. Eles alegam que o início da exploração prejudicaria o ecossistema do parque.
"Para nós, a Petrobras tem de partir, porque Yasuni é o futuro de nossas crianças", disse Alicia Ehuenguime Enqueri, vice-presidente da associação dos Huaorani.
O estado de emergência declarado pelo presidente Alfredo Palacio restringe o direito de livre associação e expressão. A situação de exceção permite ainda que os campos de produção de petróleo sejam ocupados pelos militares.
As instalações da Petrobras não foram danificadas, segundo a empresa, que tem investimentos de cerca de US$ 400 milhões na área amazônica equatoriana. A empresa entretanto havia suspendido a sua produção de cerca de 20 mil barris diários na área. Já a canadense EnCana anunciou anteontem a suspensão das suas operações no país. A empresa produzia, antes dos protestos, 43 mil barris/dia. Um oleoduto secundário operado pela petroleira canadense sofreu um atentado a bomba que o tirou de serviço. O Transecuatoriano, maior oleoduto do país (transporta cerca de 350 mil barris por dia), foi fechado por manifestantes na terça-feira.
A produção da PetroEcuador caiu de cerca de 200 mil barris por dia para menos de 30 mil desde que os moradores das províncias de Sucumbios e Orellana começaram, na segunda-feira, a invadir as instalações petrolíferas e a bloquear as rodovias. Segundo a empresa, mais de 200 poços tiveram de ser fechados no leste do país.
Em época normal, a estatal e as empresas estrangeiras produzem juntas 530 mil barris por dia. As instalações petrolíferas nas regiões amazônicas ficam em áreas remotas, cercadas pela selva.
O chanceler brasileiro, Celso Amorim esteve ontem em Quito para discutir a situação dos investimentos brasileiros, entre eles a a construção da hidroelétrica Toachi Pilatón. A empreiteira Odebrecht obteve crédito de US$ 190 milhões do BNDES para participar da obra.
O Equador vive uma instabilidade política crônica. Palacio está no poder desde abril, quando o presidente Lucio Gutierrez, de quem ele era vice, foi deposto pelo Congresso. Os EUA acusam o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de financiar grupos de esquerda e estimular a instabilidade política no país.

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