Petróleo e Gás

Produção do pré-sal ainda é menos de 10% do total da Petrobras

Quase quatro anos após o início da produção do pré-sal pela Petrobras, o produto extraído das camadas mais profundas ainda representa menos de 10% do total da estatal. Dos quase 2 milhões de barris de petróleo por dia produzidos pela Petrobras

G1
03/07/2012 09:28
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Quase quatro anos após o início da produção do pré-sal pela Petrobras, o produto extraído das camadas mais profundas ainda representa menos de 10% do total da estatal. Dos quase 2 milhões de barris de petróleo por dia produzidos pela Petrobras em maio, aproximadamente 180 mil vieram do pré-sal, ou 9% da produção.

Desde abril, a produção de petróleo no pré-sal cresceu 10%, segundo dados da estatal, de 163,4 mil barris por dia para 180 mil barris.

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), Adriano Pires, a quantidade é irrelevante e aponta que a dificuldade de investimento da estatal atrasa a expectativa de maior produção na área. Diante disso, ele considera otimista a projeção de que vai haver aumento considerável da produção da empresa a partir de 2014 - conforme apontado no Plano de Negócios da empresa, divulgado na última segunda-feira (25).

“Acho que a evolução do crescimento após 2014 ainda é um pouco otimista. Depende de como o caixa da Petrobras evoluir e de como a questão do conteúdo local vai ser tratada, isso prejudica o aumento da produção da Petrobras”, avalia.

“Uma contribuição maior para a produção está prevista para ocorrer a partir de 2016, com a entrada de diversas novas unidades no pré-sal da Bacia de Santos e na área da cessão onerosa”, de acordo com o plano de negócios 2012-2016 da Petrobras. Segundo dados oficiais da estatal, a expectativa é de que a produção nacional de petróleo e gás alcance 2,5 milhões de bpd, em 2016. O maior crescimento é esperado para a partir de 2014, com expectativa de crescimento entre 5% e 6% ao ano entre 2014 e 2016. Em 2012 e 2013, a expectativa é que a produção se mantenha em linha com o nível de 2011, de cerca de 2%.

Os números da produção atual no pré-sal, de acordo com a Petrobras, não são definitivos, variam de um mês para outro por conta dos testes de produção. Como alguns sistemas operam em regime de teste de longa duração - ou seja, só produzem por um período determinado para coletar informações para os projetos definitivos de produção -, o volume produzido pode variar, para mais ou para menos, conforme os testes começam ou terminam.

A petrolífera não especificou de que campos e poços veio o petróleo produzido em junho. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção em abril veio de Jubarte, Lula, Caratinga e Barracuda, Marlim Leste, Marlim e Voador, e Barracuda.

De acordo com o plano de negócios, o segmento de exploração e produção vai receber US$ 131,6 bilhões em investimentos, sendo 69% no desenvolvimento da produção, 19% para exploração e 12% em infra-estrutura. Os investimentos no pré-sal correspondem a 51% do valor total na área.

Apesar do investimento previsto, Pires indica a exigência de conteúdo local é um dos principais entraves para uma maior produção, que dificulta e aumenta os custos de aquisição de plataformas, sondas, bens necessários para que a produção cresça.

“É preciso flexibilizar (a exigência de conteúdo local) porque dificulta atingir metas e o pré-sal é a área de expansão da Petrobras porque é a área em que a produção tem mais probabilidade de crescer mais rápido e com maior qualidade, daria maior taxa de retorno”, diz.


Produção no pré-sal

A produção de petróleo no pré-sal brasileiro começou, em forma de teste de longa duração, em setembro 2008, no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, segundo a Petrobras. Embora a plataforma tivesse capacidade para produzir 30 mil barris por dia, a produção em teste não é contínua, por isso não havia volume fixo diário.

A produção definitiva começou em outubro de 2010, quando entrou em operação o primeiro sistema definitivo de produção para o pré-sal, o navio-plataforma Cidade de Angra dos Reis, no campo de Jubarte. A produção começou em 15 mil bpd, e em novembro de 2010 chegou a 63.679 barris. Em dezembro do ano passado alcançou 133 mil barris.
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