Etanol de milho

Produção de etanol de milho pode atingir 15 bilhões de litros

Redação/Boletim SCA
21/06/2019 16:15
Produção de etanol de milho pode atingir 15 bilhões de litros  Imagem: Divulgação Visualizações: 1822

Diante da expansão da produção de milho no Brasil nos últimos anos e das áreas em que a "safrinha" ainda pode se expandir, o país tem potencial para produzir 15 bilhões de litros de etanol a partir do milho, afirmou Antonio Purcino, chefe geral da Embrapa Milho e Sorgo, em debate ontem no Ethanol Summit, em São Paulo. Na safra 2018/19, a produção de etanol de milho foi de 790 mil litros.

O crescimento dessa indústria dependerá da oferta doméstica de milho, que já excede as necessidades dos setores de ração e alimentos e possibilita uma exportação de mais de 30 milhões de toneladas por ano, ressaltou Purcino.

Institucional

A estimativa leva em consideração que o milho "safrinha", com a produtividade atual, pode avançar ainda por 6,5 milhões de hectares, principalmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Essa expansão seria factível em um cenário de preços do milho de R$ 20 por saca. Se o preço se mantiver acima desse patamar, o cultivo da "safrinha" pode avançar por 10,7 milhões de hectares, projetou. Essas áreas estariam espalhadas por Mato Grosso, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rondônia e Distrito Federal.

Ele observou que tem ocorrido uma expansão "inesperada" do milho no sul do Piauí e no sul do Maranhão, mas afirmou que os preços na região ainda são elevados - o que pressionaria o custo de produção do biocombustível.

Segundo Purcino, esse potencial de aumento da oferta de etanol de milho pode ser incentivado pelo RenovaBio - política cujas metas vão entrar em vigor no ano que vem - e pelo avanço do biocombustível em outros países. Nessa frente, a expectativa maior é com a China, que também começará no ano que vem a misturar 10% de etanol na gasolina. A partir de 2020, a China deve demandar 18 bilhões de litros de etanol por ano para atender ao mandato.

Mas apenas a existência de demanda por etanol e de oferta de milho no país não garantem decisões de investimento na indústria.

Ontem, o Grupo São Martinho anunciou que firmou um protocolo de intenção para investir R$ 350 milhões em uma usina de etanol anexa à sua unidade de cana em Quirinópolis (GO). A decisão para realizar o aporte pode vir após a empresa encontrar uma tecnologia viável e uma cadeia de fornecimento de milho na região que garanta uma produção competitiva, afirmou Fabio Venturelli, presidente da companhia, ao Valor. "Já somos os mais competitivos em cana, também temos que ser os mais competitivos em milho."

O aporte se torna mais viável com o compromisso do governo de Goiás de incluir o empreendimento no incentivo fiscal PRODUZIR, que financia parte do ICMS das empresas. "É um ponto absolutamente relevante para uma decisão de investimento", afirmou Venturelli.

Se o projeto for adiante, a São Martinho competirá por milho com a usina flex (à base de cana e de milho) da SJC Bioenergia, joint venture entre o Grupo USJ e a Cargill, também em Quirinópolis.

Atualmente, a companhia já paga um prêmio sobre o preço do milho para exportação. "Temos que pagar esse prêmio para reter a carga que passa pela região e vai para o porto", disse Maria Carolina Ometto, presidente do Grupo USJ, ao Valor, após participar do debate ontem no Ethanol Summit.

Para Henrique Ubrig, presidente do conselho da FS Bioenergia - joint venture entre o Summit Agricultural Group e a Tapajós Participações -, o "preço de equilíbrio" do milho para a indústria de etanol está entre R$ 20 e R$ 25 a saca. Preços menores não devem mais prevalecer, avaliou. Por outro lado, uma alta mais expressiva, para R$ 30 a saca, pode provocar "uma resposta na oferta" no ano seguinte, defendeu.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Combustíveis
Etanol encerra maio com mercado atento ao avanço da safra
01/06/26
Bacia de Sergipe-Alagoas
A SBM Offshore assinou contratos para as FPSOs SEAP-I e ...
31/05/26
BOGE 2026
Oil States reforça compromisso com inovação e excelência...
30/05/26
BOGE 2026
Bahiagás destaca protagonismo da Bahia na Transição Ener...
29/05/26
BOGE 2026
Benel marca presença no Bahia Oil & Gas Energy e anuncia...
29/05/26
Investimentos
Petrobras anuncia aportes de mais de R$ 70 bilhões em Se...
29/05/26
PPSA
PPSA publica Relato Integrado e Carta Anual
29/05/26
Royalties
Valores referentes à produção de março para contratos de...
29/05/26
BOGE 2026
PetroReconcavo discute futuro de Óleo e Gás na Bahia Oil...
29/05/26
BOGE 2026
Lumina Group marca presença na Bahia Oil & Gas Energy 20...
29/05/26
Gás Natural
Naturgy destaca importância do gás natural na matriz ene...
29/05/26
IBP
Manifesto em defesa da regulação adequada na valoração d...
29/05/26
BOGE 2026
Bahia reúne indústria, inovação e negócios na abertura d...
28/05/26
Biometano
Equinor, Embrapii, Unicamp e CNPEM lançam projeto para a...
28/05/26
Royalties
Valores referentes à produção de março para contratos de...
28/05/26
BOGE 2026
Expansão do óleo e gás amplia demanda por hubs de transf...
28/05/26
Combustíveis
ANP participa da "Operação Fluxo Oculto" para combater d...
28/05/26
Investimentos
Retomada dos investimentos da Petrobras no Amazonas
27/05/26
BOGE 2026
BRAVA Energia marca presença no Bahia Oil & Gas Energy 2...
27/05/26
IBP
Brasil pode ampliar protagonismo como fornecedor global ...
27/05/26
Etanol de milho
Etanol de milho avança no país e muda a dinâmica de merc...
27/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25