Promef

Presidente da Transpetro garante nacionalização de navios

Sérgio Machado, garante que o Promef vai manter os índices de nacionalização acordados nos contratos com os estaleiros brasileiros. Pelas regras, esse índice deve ser de 65% na primeira fase e de 70% na segunda etapa do programa. Na prática, isso quer dizer

Jornal do Commercio (PE)
19/11/2013 10:32
Presidente da Transpetro garante nacionalização de navios Visualizações: 1081
O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, garante que o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) vai manter os índices de nacionalização acordados nos contratos com os estaleiros brasileiros. Pelas regras do Promef, esse índice deve ser de 65% na primeira fase e de 70% na segunda etapa do programa. Na prática, isso quer dizer que, a cada R$ 100 aportados na construção do navio, R$ 65 têm que ser gastos, obrigatoriamente, no Brasil. A discussão sobre o cumprimento do índice foi suscitada pela importação, da China, de parte do casco do quarto navio do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), que atracou ontem no Porto de Suape. O descumprimento da meta coloca em xeque o renascimento da indústria naval verde-amarela, defendida a exaustão pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como oportunidade de geração de emprego, renda e capital tecnológico.

Em entrevista concedida ao JC na tarde de ontem (18), Machado garantiu que os cinco navios do Promef entregues pelas empresas à Transpetro cumpriram o conteúdo nacional de 65%, mas não especificou o percentual de cada embarcação. “Os estaleiros têm liberdade para decidir que componentes vão importar, desde que não ultrapassem o limite de 35% de compras no exterior”, explica. O executivo afirma que, até agora, o EAS foi o único a optar pela importação de cascos, usados na construção do terceiro petroleiro (Dragão do Mar) e agora do quarto navio.

O presidente da Transpetro afirma que a importação de componentes permite aos estaleiros desenhar melhor a composição do preço, contando com a alternativa de buscar melhores custos no mercado externo. Foi o que aconteceu várias vezes com a compra do aço. Embora o Brasil seja um importante produtor, muitas vezes foi necessário importar porque os preços eram melhores.

A decisão do Atlântico Sul de importar os cascos é uma alternativa atrativa do ponto de vista de preço e de celeridade na construção das embarcações. Os chineses despontaram no mercado mundial como importantes construtores, oferecendo custo competitivo. Com uma carteira de 22 encomendas para o Promef, o EAS precisa entregar os dez primeiros petroleiros suezmax até 2016 e o restante da encomenda em 2019.

O atraso de mais de 20 meses na construção do João Cândido (navio nº 1 do empreendimento) provocou efeito dominó no cronograma do restante do pacote. Em janeiro de 2014, o EAS vai entregar a terceira embarcação. Para cumprir o prazo dos dez primeiros até 2016 terá que entregar uma média de 2,3 navios por ano.

O Promef encomendou 49 embarcações e 20 comboios hidroviários a estaleiros brasileiros, somando investimento de R$ 11,2 bilhões. “Antes do Promef, o setor agonizava com menos de 2 mil empregos e agora soma mais de 70 mil postos de trabalho”, observa Sérgio Machado.

 
Divergência

Pelas contas da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a importação de grandes partes de cascos de navio pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS) pode comprometer o índice de nacionalização, apesar da negativa da Transpetro. No caso do petroleiro Dragão do Mar, a compra do casco custou US$ 40,7 milhões, de acordo com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Só essa importação já representa 34% do valor fixo (sem correções) de um petroleiro suezmax, restando apenas 1% do limite permitido pelo Promef.

“O EAS está seguindo as regras do jogo. Precisa entregar as encomendas e está importando os cascos. Mas será muito difícil cumprir o conteúdo de nacionalização. Na construção de um navio, 40% são os chamados custos não sólidos (mão de obra, engenharia, serviços, tarifas e encargos) e outros 25% são as chapas de aço. Pelo valor de importação do casco do terceiro navio já se percebe que vai extrapolar”, afirma o presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais e Offshore da Abimaq, César Prata.

O executivo também pondera que a fiscalização do cumprimento do índice é realizada pela própria Transpetro, que é a cliente da encomenda. “O descumprimento pode não ter consequência nenhuma, porque o cliente interessado em receber a encomenda pode perdoar uma possível multa”, diz. Prata destaca que a compra do casco na China significa importar caldeiraria pesada. Ele lembra que o País tem um grande parque industrial de caldeiraria pesada que está com capacidade ociosa e demitindo por falta de encomendas. Essas empresas poderiam fornecer tubulações, válvulas e blocos de aço.

“Apesar de ainda passar por acabamento quando chegar no estaleiro, o casco não vem oco (apenas com os blocos de aço). Ele já chegou pintado e com vários outros componentes embarcados. Também será necessário importar o motor principal da embarcação, que o Brasil não produz mais, como nos anos 80. Esse item é trazido da Coreia do Sul, China, Turquia e de países europeus”, enumera Prata. O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, faz questão de dizer que não se deve confundir o tamanho do componente importado com valor financeiro. Mas no caso do Dragão do Mar, só o casco chegaria próximo do limite de importação.

As três premissas do Promef são construir navios no Brasil, respeitar o conteúdo nacional de 65% e tornar a indústria naval competitiva em âmbito global. “O ano de 2014 será de eleições e pega mal politicamente que esses cascos sejam importados, levantando questionamentos sobre o comprometimento da geração de empregos no País e da indústria nacional. Vai ter muita chiadeira”, disse Prata.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Bacia de Campos
Brava Energia anuncia aquisição de 50% de participação n...
17/01/26
Resultado
Porto de Santos movimenta 186,4 milhões de toneladas em ...
16/01/26
Resultado
Ministério de Portos e Aeroportos realizou 21 leilões em...
14/01/26
Pré-Sal
Campo de Tupi/Iracema volta a atingir produção de 1 milh...
13/01/26
Indústria Naval
Marinha do Brasil inicia a construção do 4º navio da Cla...
12/01/26
Navegação
Shell obtém licença inédita como Empresa Brasileira de N...
09/01/26
Resultado
Petróleo é o principal produto da exportação brasileira ...
09/01/26
Investimento
Fundo da Marinha Mercante prioriza R$ 4,6 bilhões para p...
07/01/26
Resultado
Com eficiência portuária, Brasil consolida o melhor triê...
07/01/26
Bacia de Pelotas
TGS disponibiliza aplicativo de segurança marítima para ...
06/01/26
Resultado
Movimentação de cargas nos portos privados do Brasil cre...
06/01/26
ANP
Em novembro o Brasil produziu 4,921 milhões de barris boe/d
05/01/26
Pré-Sal
Seatrium conquista primeiro marco do escopo completo da ...
02/01/26
Pré-Sal
Com a FPSO P-78, Petrobras inicia produção de Búzios 6
02/01/26
Portos
Governo Federal aprova estudos finais para arrendamento ...
30/12/25
Leilão
Petrobras coloca em leilão online as plataformas P-26 e P-19
29/12/25
Royalties
Valores referentes à produção de outubro para contratos ...
24/12/25
Meio ambiente
PortosRio realiza mutirões de limpeza e conscientização ...
23/12/25
Apoio Offshore
OceanPact firma contrato de cerca de meio bilhão de reai...
23/12/25
Pré-Sal
ANP autoriza início das operações do FPSO P-78 no campo ...
22/12/25
Certificação
MODEC celebra 10 anos da certificação de SPIE
22/12/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23