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Etanol

Preço do etanol vai subir na entressafra, preveem usinas

18/11/2019 | 14h58
Preço do etanol vai subir na entressafra, preveem usinas
Divulgação Divulgação

Apesar das diferentes estratégias de comercialização de etanol adotadas até agora pelas empresas sucroalcooleiras listadas na B3 nesta safra (2019/20), todas acreditam que os preços do biocombustível, que já vêm registrado valores historicamente elevados em pleno período de safra, não deverão registrar a volatilidade inesperada observada na última entressafra, mas sim subir de forma sazonal nos próximos meses.

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No ciclo passado (2018/19), os preços do etanol recuaram nos primeiros meses após encerrado o período de moagem de cana, algo fora da tendência sazonal. O movimento de então refletiu o efeito da queda do petróleo sobre os preços da gasolina no Brasil e o consequente desespero de alguns players do segmento, que preferiram desovar o biocombustível que haviam carregado em seus estoques, o que gerou forte volatilidade de preços no período.

Em teleconferência sobre os resultados da Cosan, Phillipe Casale, gerente de executivo de relações com investidores da companhia - que é dona de 50% da Raízen -, observou que os preços do etanol "reagem de forma melhor" depois do fim da safra e ressaltou que a demanda doméstica pelo hidratado "está bastante alta". "Teremos resultados melhores até o fim da safra", afirmou.

A Raízen Energia alocou menos etanol produzido até agora para vender nos últimos dois trimestres da safra: no fim do segundo trimestre, havia em seus estoques 1,2 bilhão de litros, queda de 8,4% ante o mesmo período da temporada passada. Porém, a companhia só havia moído 47,4 milhões de tonelada de cana nos dois primeiros trimestres, enquanto a estimativa é de que o volume a ser processado até o fim da temporada alcance 61 milhões de toneladas, como indicou Casale, o que deverá aumentar a produção nos próximos meses.

A percepção de que os preços podem aumentar mais é compartilhada pelo Grupo São Martinho, embora a percepção da companhia é de que há limitações. Também em teleconferência com analistas, Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores, disse que o preço do hidratado ainda está abaixo do patamar de paridade ante a gasolina no país e, por isso, tende a subir na entressafra.

Porém, Vicchiato avaliou que o espaço para essa elevação não é muito grande porque, embora o consumo esteja forte, "os estoques hoje estão 5% acima do que um ano atrás". "Não esperamos que o preço continue subindo de maneira muito expressiva nos próximos meses, nem na entressafra", afirmou ele. "Tem bastante estoque para absorver", acrescentou. A São Martinho detinha em estoque R$ 1,5 bilhão em produtos (açúcar e etanol) no fim do segundo trimestre da safra, que deverão ser convertidos em caixa nos dois próximos trimestres.

A Biosev também aposta em um aumento dos preços de etanol mais ordenado nesta entressafra. "Estamos altistas e com estoque alto, igual ao ano passado", mesmo sem a produção das duas usinas do Nordeste que foram vendidas, observou Dorothea Soule, diretora comercial da companhia, em entrevista ao Valor.

Para a executiva, o risco para os preços do etanol nesta entressafra vem da combinação entre petróleo e câmbio. "Mas, em paridade, temos a expectativa de que o aumento de preço vai continuar nos próximos meses, como nas últimas semanas", afirmou.

A Biosev, controlada pela Louis Dreyfus mantinha em seus estoques no fim do segundo trimestre 420 milhões de litros, 8,4% menos que um ano antes. Porém, mais produção deve vir pela frente, já que a moagem de cana havia alcançado 22,7 milhões de toneladas - na safra passada, a companhia encerrou a moagem em 29 milhões de toneladas, embora contabilizadas as duas usinas do Nordeste que foram vendidas.



Fonte: Redação/Boletim SCA
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