Minério de Ferro

Preço da matéria-prima pode afetar vários projetos no Brasil

O principal produto da pauta de exportações brasileira.

Valor Online
10/09/2014 09:47
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A forte queda nos preços do minério de ferro acentuou a preocupação do mercado de que mineradoras sem logística integrada possam ter comprometidos projetos de expansão e reduzam os embarques da commodity, o principal produto da pauta de exportações brasileira. Um grupo de empresas que inclui grandes siderúrgicas como Gerdau, Usiminas e ArcelorMittal, além das mineradoras Ferrous e MMX, comprometeram entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões para aumentar a produção de minério de ferro em Minas Gerais, segundo estimativas. Mas, no atual cenário de preços, essas empresas poderão ter que rever a sua posição se as cotações não se recuperarem e se não houver um ajuste nos preços dos serviços logísticos para exportar.
O banco Goldman Sachs divulgou ontem relatório no qual afirma que há projetos de pequenas e médias mineradoras para entrar em produção no país nos próximos cinco anos os quais têm potencial de produzir 45 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Mas o Goldman Sachs entende que vários desses projetos poderão ser interrompidos ou cancelados considerando a estimativa de longo prazo do banco para os preços do minério de ferro, de US$ 85 por tonelada, e a atual estrutura de custos para as mineradoras não integradas em termos logísticos.
A logística é fundamental na mineração. Empresas que não contam com uma estrutura própria de ferrovia e porto ligando-se às minas são obrigadas a operar com custos mais altos e, em cenário de queda nos preços, perdem competitividade. Nas contas do Goldman Sachs, as mineradoras sem logística própria gastam cerca de US$ 32 por tonelada para colocar o minério de ferro nos navios, na costa brasileira, mais US$ 24 por tonelada de frete marítimo. O custo total dessas empresas, incluindo investimentos em operação e manutenção, chega a US$ 62 por tonelada, dos quais US$ 32 por tonelada relacionados com custos internos de logístico, segundo o banco. A estimativa do Goldman Sachs é de que Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas e Gerdau gerariam perdas exportando no nível de preços atuais da commodity.
A Vale tem um custo de produção até o porto na faixa de US$ 22 por tonelada e seu minério chega aos portos da China, o principal mercado consumidor da empresa, em torno de US$ 50 por tonelada. Para o Goldman Sachs, só a Vale, entre as mineradoras brasileiras, poderá gerar fluxo de caixa operacional positivo com os atuais preços do minério de ferro.
O Citi afirmou que somente Vale e CSN têm logística integrada para cobrir todos os custos de maneira sustentável no atual patamar de preços abaixo de US$ 90 por tonelada. Ontem, o minério de ferro foi negociado a US$ 83,20 por tonelada no mercado à vista da China, considerando teor de 62% de ferro. O preço foi o menor desde 23 de setembro de 2009, quando estava em US$ 82,20 por tonelada. Em três semanas, a cotação do minério de ferro caiu US$ 10 por tonelada, ou 11%. O último dia que esteve acima de US$ 100 por tonelada foi 16 de maio. Até ontem, a cotação média do período de julho a setembro estava em US$ 93,10 por tonelada, 30% menos do que os US$ 133 por tonelada do terceiro trimestre de 2014.
Na BM&FBovespa, as ações das siderúrgicas estão entre as maiores quedas do Ibovespa em 2014. O baixo preço da commodity agrava a situação dessas companhias, que sofrem com a desaceleração da demanda por aço no país. As ações da Usiminas amargam perda de 42,5% no ano, os papéis da CSN caem 31,8% e os da Gerdau, 29,6%. A Vale acumula queda de 20,8%, enquanto o Ibovespa sobe 13,9%.
O Citi aponta que a entrada em operação do Porto Sudeste, em Itaguaí (RJ), poderá reduzir marginalmente os custos para MMX, Usiminas e Gerdau, entre outros exportadores. Segundo o Goldman Sachs, excluindo Vale e Samarco (controlada de pelotização), as pequenas e médias mineradoras representaram 16% das exportações de minério de ferro do país no primeiro semestre do ano.
Executivos do setor argumentam que a estrutura de custos logísticos precisa ser reposicionada, o que inclui também os serviços ferroviários. O Valor apurou que há demanda para que a MRS Logística, concessionária na região Sudeste, faça uma expansão de linha, chegando até a Serra Azul, em Minas Gerais, onde estão vários pequenos e médios produtores.
Se essa expansão ocorrer, haverá investimentos em novo terminal para carregamento do minério na região. Mas há preocupação entre executivos de que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) atue para evitar que um novo terminal ferroviário caía em mãos de empresas que já controlam portos na região Sudeste, caso de Vale e CSN. Um executivo do setor afirmou que com os atuais preços as empresas tendem a ser mais conservadoras na hora de investir, uma vez que aumentam os riscos sobre os retornos a serem obtidos. No cenário atual, várias empresas parecem colocar projetos de expansão em compasso de espera.
A Usiminas, que tem operações de mineração de ferro na Serra Azul, informou que mantém a declaração dada por seu presidente, Julian Eguren, um mês atrás: "O Projeto Compactos é uma segunda parte, um investimento grande e continuamos analisando. Deve ir para o Conselho no primeiro semestre do ano que vem". Esse projeto prevê produzir 17 milhões de toneladas de minério por ano. Segundo o executivo, em 2013 a expansão de 8 milhões para 12 milhões de toneladas ao ano.
A ArcelorMittal disse recentemente que o plano de expansão permanece aguardando as perspectivas de evolução do mercado.
Procurada, a Gerdau disse que não iria fazer comentários. A empresa trabalha com expansão de 11,5 milhões para 18 milhões de toneladas em 2016, com investimento de R$ 1 bilhão. Seu plano prevê alcançar volume superior a 24 milhões de toneladas em 2020.

A forte queda nos preços do minério de ferro acentuou a preocupação do mercado de que mineradoras sem logística integrada possam ter comprometidos projetos de expansão e reduzam os embarques da commodity, o principal produto da pauta de exportações brasileira.

Um grupo de empresas que inclui grandes siderúrgicas como Gerdau, Usiminas e ArcelorMittal, além das mineradoras Ferrous e MMX, comprometeram entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões para aumentar a produção de minério de ferro em Minas Gerais, segundo estimativas.

Mas, no atual cenário de preços, essas empresas poderão ter que rever a sua posição se as cotações não se recuperarem e se não houver um ajuste nos preços dos serviços logísticos para exportar.

O banco Goldman Sachs divulgou ontem relatório no qual afirma que há projetos de pequenas e médias mineradoras para entrar em produção no país nos próximos cinco anos os quais têm potencial de produzir 45 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Mas o Goldman Sachs entende que vários desses projetos poderão ser interrompidos ou cancelados considerando a estimativa de longo prazo do banco para os preços do minério de ferro, de US$ 85 por tonelada, e a atual estrutura de custos para as mineradoras não integradas em termos logísticos.

A logística é fundamental na mineração. Empresas que não contam com uma estrutura própria de ferrovia e porto ligando-se às minas são obrigadas a operar com custos mais altos e, em cenário de queda nos preços, perdem competitividade.

Nas contas do Goldman Sachs, as mineradoras sem logística própria gastam cerca de US$ 32 por tonelada para colocar o minério de ferro nos navios, na costa brasileira, mais US$ 24 por tonelada de frete marítimo.

O custo total dessas empresas, incluindo investimentos em operação e manutenção, chega a US$ 62 por tonelada, dos quais US$ 32 por tonelada relacionados com custos internos de logístico, segundo o banco.

A estimativa do Goldman Sachs é de que Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas e Gerdau gerariam perdas exportando no nível de preços atuais da commodity.

A Vale tem um custo de produção até o porto na faixa de US$ 22 por tonelada e seu minério chega aos portos da China, o principal mercado consumidor da empresa, em torno de US$ 50 por tonelada.

Para o Goldman Sachs, só a Vale, entre as mineradoras brasileiras, poderá gerar fluxo de caixa operacional positivo com os atuais preços do minério de ferro.

O Citi afirmou que somente Vale e CSN têm logística integrada para cobrir todos os custos de maneira sustentável no atual patamar de preços abaixo de US$ 90 por tonelada. Ontem, o minério de ferro foi negociado a US$ 83,20 por tonelada no mercado à vista da China, considerando teor de 62% de ferro.

O preço foi o menor desde 23 de setembro de 2009, quando estava em US$ 82,20 por tonelada.

Em três semanas, a cotação do minério de ferro caiu US$ 10 por tonelada, ou 11%.

O último dia que esteve acima de US$ 100 por tonelada foi 16 de maio. Até ontem, a cotação média do período de julho a setembro estava em US$ 93,10 por tonelada, 30% menos do que os US$ 133 por tonelada do terceiro trimestre de 2014.

Na BM&FBovespa, as ações das siderúrgicas estão entre as maiores quedas do Ibovespa em 2014. O baixo preço da commodity agrava a situação dessas companhias, que sofrem com a desaceleração da demanda por aço no país.

As ações da Usiminas amargam perda de 42,5% no ano, os papéis da CSN caem 31,8% e os da Gerdau, 29,6%. A Vale acumula queda de 20,8%, enquanto o Ibovespa sobe 13,9%.

O Citi aponta que a entrada em operação do Porto Sudeste, em Itaguaí (RJ), poderá reduzir marginalmente os custos para MMX, Usiminas e Gerdau, entre outros exportadores.

Segundo o Goldman Sachs, excluindo Vale e Samarco (controlada de pelotização), as pequenas e médias mineradoras representaram 16% das exportações de minério de ferro do país no primeiro semestre do ano.

Executivos do setor argumentam que a estrutura de custos logísticos precisa ser reposicionada, o que inclui também os serviços ferroviários.

O Valor apurou que há demanda para que a MRS Logística, concessionária na região Sudeste, faça uma expansão de linha, chegando até a Serra Azul, em Minas Gerais, onde estão vários pequenos e médios produtores.

Se essa expansão ocorrer, haverá investimentos em novo terminal para carregamento do minério na região. Mas há preocupação entre executivos de que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) atue para evitar que um novo terminal ferroviário caía em mãos de empresas que já controlam portos na região Sudeste, caso de Vale e CSN.

Um executivo do setor afirmou que com os atuais preços as empresas tendem a ser mais conservadoras na hora de investir, uma vez que aumentam os riscos sobre os retornos a serem obtidos. No cenário atual, várias empresas parecem colocar projetos de expansão em compasso de espera.

A Usiminas, que tem operações de mineração de ferro na Serra Azul, informou que mantém a declaração dada por seu presidente, Julian Eguren, um mês atrás: "O Projeto Compactos é uma segunda parte, um investimento grande e continuamos analisando. Deve ir para o Conselho no primeiro semestre do ano que vem".

Esse projeto prevê produzir 17 milhões de toneladas de minério por ano.

Segundo o executivo, em 2013 a expansão de 8 milhões para 12 milhões de toneladas ao ano.

A ArcelorMittal disse recentemente que o plano de expansão permanece aguardando as perspectivas de evolução do mercado.

Procurada, a Gerdau disse que não iria fazer comentários. A empresa trabalha com expansão de 11,5 milhões para 18 milhões de toneladas em 2016, com investimento de R$ 1 bilhão.

Seu plano prevê alcançar volume superior a 24 milhões de toneladas em 2020.

 

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