Paralisação

Porto perde oito escalas de navios e terminal fica 16 dias sem operar

Esta é a situação do Porto de Santos desde o início do protesto dos trabalhadores portuários avulsos (TPAs), que entra, nesta quarta-feira (13), em seu 16º dia. A ação dos trabalhadores é uma reação à determina&cc

A Tribuna
13/06/2012 10:53
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Oito escalas de navios perdidas e um terminal inoperante. Esta é a situação do Porto de Santos desde o início do protesto dos trabalhadores portuários avulsos (TPAs), que entra, nesta quarta-feira (13), em seu 16º dia. O Terminal de Exportação de Veículos (TEV), que fica na Margem Esquerda (Guarujá) e é administrado pela Santos Brasil, segue inoperante com 9.585 automóveis parados em seu pátio.

A ação dos trabalhadores é uma reação à determinação do Ministério Público do Trabalho, que exige um intervalo de 11 horas entre cada jornada. Desde então, a maioria dos terminais tem utilizado mão de obra própria para manter o complexo em operação, mesmo que parcialmente.

O atual levantamento dos prejuízos operacionais foi feito pelo Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar). De acordo com o diretor-executivo da entidade, José Roque, o protesto afeta a balança comercial brasileira e provoca impactos negativos na economia local. Por conta da paralisação das operações, o Sindamar solicitou à Codesp, Autoridade Portuária, a dispensa da cobrança da taxa de navios inoperantes. Conforme as regras da estatal, quando uma embarcação está atracada, mas não opera, o armador é obrigado a pagar em dobro a tarifa de permanência do cargueiro no porto. Até a noite de terça-feira (12), não havia resposta.

Este é o caso do navio Grand Cameroon, que tinha previsão de saída para as 13 horas do último dia 8 e permanece atracado, por opção do armador, na esperança de que as operações voltem à normalidade. Ao todo, são 13 dias de atracação sem operação.

Segundo o presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), Querginaldo Alves de Camargo, o número de navios parados é altamente preocupante. “Isso representa um prejuízo enorme à cidade e aos terminais. Os danos são incalculáveis e irreversíveis”, afirmou.

Camargo destacou os diversos comunicados de terminais e operadores portuários que recebeu sobre a dificuldade de operação. Segundo ele, a falta de mão de obra e os ternos incompletos são as principais queixas dos empresários.

Tanto o Terminal de Contêineres da Margem Direita (Tecondi) quanto o Tecon, que fica na Margem Esquerda, ainda não sentiram os reflexos da paralisação. Ambos operam contêineres.

Já o TEV está há 16 dias sem movimentar cargas. Segundo o diretor operacional da Santos Brasil, Caio Morel, os trabalhadores portuários avulsos são utilizados em grande quantidade no terminal. Eles são responsáveis pelo embarque ou pelo desembarque dos veículos nas embarcações.

“No Tecon, nós tivemos apenas um navio que cancelou escala, mas vai descarregar quando voltar da viagem sul, então é certo que ele vai voltar, mas estamos sofrendo muito no TEV”, destaca. No terminal que exporta veículos, os pátios estão lotados e toda a cadeia logística deve ser prejudicada.


Prejuízos

De acordo com Caio Morel, da Santos Brasil, o impacto dos 15 dias de paralisação nas operações obrigará a empresa a rever as expectativas de movimentação para o mês e para o ano. Já para José Roque, do Sindamar, além da queda da movimentação e da receita nos fretes, que atinge diretamente armadores e agentes marítimos, a capacidade física dos terminais é prejudicada com a paralisação.

Além do Grand Cameroon, o Grand Pionner, que fundeou na barra (região da costa fora da Baía de Santos) de Santos no último dia 5, teve sua rota alterada e postergou a escala em Santos para o próximo dia 16. Como consequência, teve de cancelar o embarque das cargas de exportação.

Assim como o Pionner, o Apollon Leader cancelou a escala onde efetuaria descarga, por conta da longa espera na barra. Já o Frisia Wismar, que faria apenas embarques em Santos, cancelou a escala prevista e não retornou para operar contêineres.

Os navios Saga Wind, Derby, Port Said e Grand Togo procuraram alternativas em outros portos e não atracaram no cais santista. E, de acordo com José Roque, outras embarcações partiram do Porto de Santos sem a quantidade de cargas prevista.

“A preocupação de os navios zarparem com metade das cargas ou não é que, às vezes (quando menos carregado), ele desenvolve maior velocidade de navegação, provocando um aumento considerável (no consumo) de combustível, que acaba sendo até três vezes o custo fixo por dia (hire) do navio”, explicou.
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