Petroquímica

Pólo do Rio reduz lucro da Suzano

Jornal do Brasil
16/03/2006 00:00
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Resultado da empresa cai 86% em 2005

O atraso do início das operações do Pólo Gás-químico do Rio de Janeiro comprometeu, junto com a apreciação do câmbio, o resultado de 2005 da Suzano Petroquímica, uma das controladoras da Rio Polímeros, holding responsável pelo empreendimento. Diante de uma queda de 44% da geração de caixa da companhia (Ebitda) entre 2004 e 2005 - e de um aporte adicional de US$ 100 milhões dos sócios do projeto -, a empresa começou a negociar a dilatação das parcelas do empréstimo tomado junto a um consórcio de bancos (Exmbank, Sace e BNP-Paribas) para tornar viável o projeto.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Suzano Petroquímica, João Nogueira Batista, informou que a intenção é jogar para 2015 e 2016 o pagamento de duas parcelas do empréstimo que vencem, respectivamente, em 2006 e 2007. Ele justificou que, como o financiamento ocorreu pela modalidade project finance - que prevê como garantia a receita gerada pelo projeto -, haveria a necessidade de se readequar os prazos do empreendimento. Com o novo aporte de US$ 100 milhões, o custo total do projeto passou dos US$ 1,08 bilhão iniciais para US$ 1,155 bilhão.

O início das operações definitivas, que estava previsto para o primeiro trimestre do ano passado, só ocorrerá, segundo ele, no fim deste mês. Na ocasião, a Rio Polímeros assumirá integralmente a operação plena do Pólo, hoje ainda sob responsabilidade do consórcio ABB Lummus, contratado para o projeto. Desde o ano passado, porém, o Pólo já produz, em caráter experimental, uma quantidade abaixo das 540 mil toneladas originalmente previstas.

Embora Nogueira Batista tenha afirmado ontem, durante teleconferência com a imprensa, que a prioridade, agora, é cumprir o novo prazo para a operação plena do Pólo, ele admitiu que, passada essa etapa, os sócios do projeto (Unipar, Petrobras e BNDESPar, além da própria Suzano) discutirão com as empresas contratadas algum tipo de compensação para o atraso. Apesar disso, o executivo minimizou o impacto do atraso, ao afirmar que a complexidade do projeto justificaria a dilatação do cronograma.

A Suzano registrou, entre 2004 e 2005, uma queda de 86% no lucro líquido, que baixou de R$ 109 milhões para R$ 15,2 milhões. A receita operacional líquida, nesse mesmo período, apresentou ligeiro aumento de 1%, ao passar de R$ 2,516 bilhões para R$ 2,520 bilhões.

Além do atraso do Pólo, o diretor da Suzano atribuiu o resultado à alta dos juros no Brasil e do petróleo no mercado internacional. Não fosse o atraso do Pólo, a empresa, segundo o executivo, poderia ter minimizado todos esses impactos. O atraso, assim como o câmbio, reduziu em 44% a geração de caixa (Ebitda), que passou de R$ 414,4 milhões, em 2004, para R$ 232,8 milhões. A margem do Ebitda caiu, no mesmo período, de 16,5% para 9,2%.

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