Gás natural

Planos da Petrobras indicam revisão de investimentos

Valor Econômico
22/05/2006 00:00
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O plano da Petrobras de ampliar em 24 milhões de metros cúbicos/dia sua produção de gás natural em 2008 foi recebido com surpresa pelo mercado, já que o volume representa quase toda a importação atual de gás da Bolívia, sendo maior que a previsão inicial de produção do campo gigante de Mexilhão na bacia de Santos, que é de 14 milhões de metros cúbicos/dia em 2009, começando com um módulo de 7 milhões/dia.

Com isso, o suprimento para o Sudeste, que antes seria garantido pelo gás de Santos, ficará a cargo do Espírito Santo. Já Mexilhão, quando começar a produzir, será direcionado ao Nordeste e outros mercados.

Até meados da semana passada a companhia informava que a única forma rápida para aumentar o suprimento de gás para o mercado interno seria por meio da importação de Gás Natural Liquefeito (GNL). Isso porque a escassez de equipamentos e serviços no mercado mundial seria um freio à intenção de acelerar o programa de produção local de gás nacional.

Agora a Petrobras aposta no sucesso da empreitada, que ainda está em fase de orçamento. Só então o projeto será detalhado e incluído no Plano Estratégico 2007-2011. Para agilizar a produção de gás no país, a estatal pretende acelerar o desenvolvimento da produção de gás e óleo leve em dois campos descobertos recentemente na bacia do Espírito Santo e na bacia de Campos; acelerar o desenvolvimento do campo de Lagosta (operado pela El Paso na bacia de Santos); e contratar duas novas plataformas como a "Capixaba" - que acaba de entrar no campo de Golfinho, no Espírito Santo.

Também será preciso acelerar a conclusão do gasoduto ligando Cabiúnas (RJ) a Cacimbas (ES) e Vitória (ES). E, para dar vazão a tudo isso, será preciso aumentar a capacidade de processamento das Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGN) de Cacimbas e Cabiúnas. É lá que se extrai do gás sua parte líquida e rica em butano, propano e GLP, entre outros, antes de entregá-lo às distribuidoras.

Trata-se de uma tarefa de fôlego. A Petrobras ainda não declarou à Agência Nacional de Petróleo (ANP) a comercialidade desses campos, o que será feito logo, segundo informou o gerente-executivo da área de Exploração e Produção da Petrobras, Francisco Nepomuceno. Na ocasião, será dado nome às duas áreas, que hoje são conhecidas por siglas. Uma delas é o 1-ESS-164, que fica a noroeste do campo de Golfinho, no antigo bloco BES-100 na bacia do Espírito Santo. A outra é o 1-ESS-130, que fica a leste do campo de Jubarte, no antigo BC-60, no litoral capixaba da bacia de Campos.

Na área do 1-ESS-164 a Petrobras descobriu reservatório com 120 milhões de metros cúbicos de gás natural, que fica em cima de outro reservatório encontrado no local, que tem petróleo leve. Ali, a estatal planeja produzir 6 milhões de metros cúbicos/dia de gás em 2008, que vão se somar aos 8 milhões de metros cúbicos/dia de Peroá-Cangoá e aos 6 milhões de metros cúbicos/dia de Golfinho, que entrou em produção no mês passado com a plataforma Capixaba.

Apesar da produção de gás nesses três campos somar 20 milhões de metros cúbicos diários, a Petrobras está contabilizando uma produção total ali de 18 milhões de metros cúbicos/dia, devido a problemas de compressão, entre outros. Na área ainda denominada 1-ESS-130, a Petrobras planeja produzir outros 3 milhões de metros cúbicos por dia, que serão escoados pelo gasoduto que leva a produção do campo de Roncador, na bacia de Campos, até o campo de Namorado e, de lá, até a UPGN de Cabiúnas, no norte fluminense.

Para chegar aos 24,5 milhões de metros cúbicos adicionais, a empresa já contava com um aumento da produção do campo de Merluza, na Bacia de Santos, cuja estrutura de escoamento pode ser usada para transportar o gás produzido no campo de Lagosta ou em uma área adquirida na 7ª Rodada da ANP, chamada SSP-25.

Nepomuceno explicou que as duas UPGNs que vão receber o gás adicional deverão ter capacidade para processar, cada uma, 20 milhões de metros cúbicos por dia. Já as novas plataformas devem ser fretadas, seguindo o modelo de produção da Capixaba, que tem capacidade de processar 100 mil barris/dia de óleo e 3,5 milhões de metros cúbicos de gás. Ela é alugada da multinacional SBM.

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