Petroquímica

Petroquisa deve retomar negociação com M&G

Gazeta Mercantil
31/10/2006 00:00
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Objetivo é unir os projetos petroquímicos previstos para região do porto de Suape. A Petrobras Química S.A. (Petroquisa), subsidiária petroquímica da estatal brasileira de petróleo, Petrobras, aguarda para qualquer momento uma retomada das negociações com o grupo italiano Mossi & Guisolfi (M&G) para união dos dois projetos petroquímicos, previstos por cada um dos grupos para a região do porto de Suape, no Recife. Interrompidas no início deste ano por conta de impasses societários, as negociações podem ser retomadas em breve se prevalecer a disposição manifestada a este jornal pelo presidente da Petroquisa, José Lima de Andrade Neto.
O executivo informou que considera mais do que natural a retomada dos entendimentos, devido às sinergias dos dois empreendimentos.

A Petroquisa formou um consórcio com a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste (Citene), uma associação dos grupos Vicunha, Polyenka e Filament Technology (FIT) para construir uma fábrica de PTA, matéria-prima para produção de resinas PET, com capacidade para 550 mil toneladas/ano, que deverá começar a produzir em 2010.
Esse mesmo consórcio, com participações societárias diferentes, também deve investir US$ 320 milhões na construção de uma outra unidade, voltada para filamentos de poliéster, cuja produção deverá começar em 2008. Para esse empreendimento, os sócios constituíram a Companhia Têxtil Integrada de Pernambuco (Citepe).

Ainda não foi definida, porém, qual será a capacidade de produção dessa nova fábrica.
Procurada por este jornal, a M&G confirmou, por meio de sua assessoria de comunicação, a possibilidade de continuar a negociar com a Petrobras. Sob argumento de sigilo comercial, a empresa não deu maiores detalhes sobre as negociações.
Segundo assessores do governo de Pernambuco, a M&G deverá começar a produzir resinas PET no município de Ipojuca, no entorno do Porto de Suape, até o final deste ano. Esses mesmos assessores informaram que será o maior complexo produtor de PET do mundo, com capacidade para produzir 450 mil toneladas anuais de resinas, que terão como destino principalmente o mercado externo. No total, o empreendimento deverá demandar investimentos de R$ 660 milhões.
A unidade vai gerar 200 empregos diretos, dos quais 170 terceirizados, além de 800 indiretos. A estrutura do Complexo de Suape, de acordo com a companhia italiana, foi determinante para instalação do projeto em Pernambuco. A empresa justifica que, além de facilitar o escoamento de parte da produção para o exterior, a estrutura é essencial para a entrada de matérias-primas. Também influenciou na escolha o fato do grupo já ter uma fábrica de fios de poliéster no estado de Pernambuco, localizada no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife.
Andrade Neto justificou a expectativa de acerto ao lembrar das sinergias dos empreendimentos dos dois grupos de investidores. A M&G, lembrou o executivo, vai necessitar do PTA que será produzido pelo consórcio da Petrobras para fabricar as resinas PET de seu complexo. Analistas do setor acrescentam, ainda, que a união dos dois empreendimentos também garantiria ganhos de sinergia que contribuiriam para reduzir os custos totais de operação dos empreendimentos.
A M&G teve aprovado este ano um projeto de incentivos fiscais estaduais para construção de uma unidade de pré-fôrma de PET, mas, de acordo com a empresa, há a intenção de repassar estes incentivos para uma outra organização que queira produzir pré-fôrmas. O grupo quer se manter centrado no seu negócio principal, que é a fabricação de resinas.

Infra-estrutura
O governo do estado de Pernambuco e grupos privados estão garantindo ao parque de PET toda a infra-estrutura necessária. Foram construídos um gasoduto da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) e uma adutora de água bruta da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), além de linha de transmissão e uma subestação da distribuidora Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), que integra a holding Neonergia.
O gasoduto de sete quilômetros, que vai atender exclusivamente a M&G, demandará investimentos de R$ 6,3 milhões, dos quais R$ 3,4 milhões em obras civis e R$ 2,9 milhões na aquisição de tubos e materiais. O ramal tem capacidade de até 1 milhão de metros cúbicos/dia, o suficiente para atender com folga ao projeto atual da M&G e futuros empreendimentos que venham a se instalar no porto de Suape.
O parque da empresa vai consumir 120 mil metros cúbicos/dia de gás. A adutora de água bruta da Compesa, com 2,5 quilômetros de extensão, vai transportar 600 litros/segundo. Contou com recursos da ordem de R$ 1,5 milhão. O sistema funciona por gravidade.
A distribuidora de energia Celpe, por sua vez, aportou R$ 9,5 milhões para as melhorias no fornecimento de energia.

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