Cotação

Petróleo tem novo recorde nos EUA

O corte de juros promovido pelo banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), resultou em um novo recorde do preço do barril de petróleo. Com a decisão de reduzir a taxa em 0,5%, o que deverá provocar aquecimento da economia americana, a mais forte do mundo, o contrato para outubro

Valor Econômico
19/09/2007 00:00
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O corte de juros promovido pelo banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), resultou em um novo recorde do preço do barril de petróleo. Com a decisão de reduzir a taxa em 0,5%, o que deverá provocar aquecimento da economia americana, a mais forte do mundo, o contrato para outubro deste ano na Bolsa Mercantil de Nova York alcançou o valor inédito de US$ 81,51, alta de 94 centavos de dólar.

O curioso é que na Bolsa Internacional do Petróleo de Londres a commodity manteve a distância nas cotações. E apesar de o contrato para novembro deste ano ter subido 61 centavos de dólar, alcançando US$ 77,59, o preço ainda esteve longe do recorde americano.

Analistas ouvidos pelo Valor ficaram surpresos com a disparada nos Estados Unidos. "O petróleo está em um movimento interessante, aproximando-se inclusive do preço registrado no fim da década de 70, quando aconteceu o segundo choque do petróleo no mundo", afirma David Zylbersztajn, diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) no governo FHC e presidente da consultoria DZ .

Para o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), a commodity tem grandes chances de ultrapassar o preço trazido a valor presente do choque do petróleo em 1979. "A preços de hoje, a cotação daquela época seria perto dos US$ 90. E penso que não há o que evite o crescimento do preço neste momento", diz Pires.

Além de creditar ao comportamento tímido da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) quando o assunto é aumento de produção, Pires lembra que a chegada do inverno no Hemisfério Norte e a demora no fim da temporada de furações na Costa Oeste dos EUA dão combustível ao preço do insumo. "Agora, se tivermos uma crise no Oriente Médio hoje, certamente o petróleo se aproximará dos US$ 100", diz o diretor do CBIE.

Atualmente, a Opep responde por 40% da demanda global por petróleo. E já há na entidade quem defenda um novo acréscimo de produção. Dias atrás a organização acrescentou 500 mil barris aos cerca de 27 milhões que produz diariamente. Hoje, contudo, a discussão gira em torno de um novo incremento de 500 mil barris, mas isso ainda depende do comportamento nos próximos dias.

A escalada global de preços do barril de petróleo também poderá promover efeitos colaterais. E um deles é a viabilização das fontes alternativas de energia, como os biocombustíveis. Tanto é assim que um estudo mundial recém-lançado pela consultoria Accenture sobre os biocombustíveis demonstra que a segurança energética, aliado à pressão ambiental e de preços, têm chamado a atenção de um bom número de companhias. O estudo, feito em 20 países, incluindo o Brasil, chegou a conclusão de que a corrida por etanol, por exemplo, poderá alcançar até 70 bilhões de litros por ano no mundo.
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