Empresas

Petrobras vale só quanto pesa

Valor Econômico
06/07/2011 10:35
Visualizações: 507
O indicador é uma maneira de medir o que o mercado coloca de expectativa em uma ação. Quanto maior a diferença, mais se espera da empresa no futuro.

Ontem, o preço sobre valor patrimonial (P/VPA) da ação preferencial da maior companhia do país e da bolsa fechou em 0,98 vez, ou seja, o papel vale menos na bolsa do que nos livros. Para a ação ordinária, a relação era de 1,08 vez.

O preço da ação, formado diariamente nas negociações em bolsa, é a base para o cálculo do valor de mercado. Já o valor patrimonial, o que sobra para os acionistas subtraindo-se as dívidas dos ativos, é calculado pela empresa e divulgado trimestralmente nos balanços.

Existem várias maneiras de se medir o "prêmio" que investidores pagam por uma empresa. O preço sobre valor patrimonial dá uma ideia do "intangível" de uma companhia, o ágio que o mercado está disposto a pagar por ela além do preço contábil, notoriamente conservador - mesmo com os recentes avanços da chamada contabilidade do "valor justo". Um valor de mercado constantemente abaixo do valor dos livros sugere, no mínimo, que não há ganho para os investidores até onde o mercado pode ver.

Entre as empresas do Índice Bovespa, a principal referência do mercado de ações, o maior P/VPA ontem era da Cielo, 23,91 vezes. O menor, da Eletrobras, a holding estatal do setor elétrico: 0,36 vez para a ordinária e 0,45 vez para a preferencial.

No caso da Petrobras, uma das maiores petrolíferas do mundo por valor de mercado, as ações, preferenciais ou ordinárias, eram negociadas desde 1999 com um ágio - substancial, em alguns momentos -, segundo dados da consultoria Economática.

Essa situação parece contraditória, dado o portfólio de descobertas, notadamente as do pré-sal - mas não só ali -, que a coloca em um patamar único entre seus pares. Com um plano de investimentos em marcha de US$ 224 bilhões, um dos maiores do mundo, a Petrobras tem presença dominante em um dos mercados que mais crescem no globo, o brasileiro, e é uma das poucas que pretendem dobrar a produção na próxima década.

Adicionalmente, com as áreas do pré-sal, as reservas de petróleo devem saltar dos atuais 16 bilhões de barris pelo critério da Society of Petroleum Engineers (SPE) ou 12,14 bilhões pelo critério americano para no mínimo 30 bilhões de barris. O índice de reposição de reservas da companhia aumentou 229% em 2010, o que significa que, se não descobrir mais nenhum barril, poderá manter a atual produção por 18,4 anos. Então, o que está acontecendo com a Petrobras?

Para Emerson Leite, analista de petróleo do Credit Suisse, não há surpresa. "Como o retorno sobre o capital [lucro líquido sobre o patrimônio, ou retorno patrimonial] está próximo do custo de capital, não surpreende que o valor de mercado da Petrobras esteja próximo do valor patrimonial", afirma. "Para essa dinâmica mudar, o retorno para o acionista tem que ser gradualmente maior que o custo de capital. À medida que isso acontecer, se acontecer, a ação deve reagir."

Comparada com seus principais pares nas Américas (a base de dados da Economática não tem europeias), a Petrobras tem hoje a pior relação valor de mercado/patrimônio. Na maior empresa do setor, a Exxon Mobil, a relação estava ontem acima de 2,5 vezes. Numa lista de 56 ações compilada pelo Valor, os papéis da estatal brasileira só ganham de quatro: entre eles, os da Petrobras Argentina e os da americana Dynegy, em negociação com credores para evitar a recuperação judicial. A melhor relação preço/patrimônio nesse grupo é da americana Continental Resources, acima de 6 vezes.

No auge da euforia do pré-sal, o valor de mercado da Petrobras ficou mais de quatro vezes acima do patrimonial. A estatal, que chegou a estar entre as cinco empresas de maior valor de mercado do mundo, marcava posição ontem, com US$ 209,38 bilhões, no décimo primeiro lugar, segundo levantamento da Bloomberg.

A Exxon segue inabalada na liderança, valendo US$ 420,51 bilhões, seguida não muito de perto pela Apple e pela Petrochina. Outra rival da Petrobras, a Royal Dutch Shell, estava em sétimo lugar.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
GNLink recebe autorização da ANP e inicia operação da pr...
02/02/26
Gás Natural
Firjan percebe cenário positivo com redução nos preços d...
02/02/26
Etanol
Anidro e hidratado fecham mistos na última semana de jan...
02/02/26
GNV
Sindirepa: preço do GNV terá redução de até 12,5% no Rio...
30/01/26
Descomissionamento
SLB inaugura Centro de Excelência em Descomissionamento
30/01/26
Apoio Offshore
Wilson Sons lança rebocador da nova série para atender d...
30/01/26
Gás Natural
Firjan lança publicação e promove debate sobre futuro do...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 terá programação diversa e foco na pro...
28/01/26
Internacional
Petrobras amplia venda de petróleo para a Índia
28/01/26
Offshore
Projeto Sergipe Águas Profundas tem plano de desenvolvim...
28/01/26
Royalties
Valores referentes à produção de novembro para contratos...
28/01/26
Gás Natural
Petrobras reduz preços do gás natural para distribuidoras
28/01/26
Gás Natural
Renovação das concessões de gás no Rio exige transparênc...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 antecipa grandes debates e inicia cont...
27/01/26
Gás Natural
Firjan: Rio de Janeiro consolida papel de "hub do gás" e...
27/01/26
Combustíveis
Petrobras reduz preços de gasolina em 5,2% para distribu...
26/01/26
Brasil-Alemanha
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos com f...
26/01/26
Etanol
Hidratado registra valorização no mercado semanal e diário
26/01/26
Logística
Terminais Ageo captam R$ 450 milhões em debêntures incen...
23/01/26
Petrobras
Alta eficiência amplia refino e aumenta produção de comb...
22/01/26
Combustíveis
IBP: Decisão da ANP garante segurança de abastecimento e...
22/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.