América do Sul

Petrobras terá prejuízo na Bolívia, diz analista

Gazeta do Paraná
29/06/2005 00:00
Visualizações: 486

A Petrobras divulgou nota ontem afirmando que a cobrança dos impostos aprovados na nova Lei de Hidrocarbonetos da Bolívia "marca o início da nova realidade tarifária aprovada pelo Congresso boliviano".
A estatal informou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que não iria analisar as repercussões do aumento dos impostos sobre a produção de gás na Bolívia. "A Petrobras não comenta medidas internas dos países [nos quais atua]", diz a nota.
A Petrobras atua na produção de gás (explora as maiores reservas do país), no refino de petróleo e distribuição de derivados. É a maior companhia instalada na Bolívia e corresponde a cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) boliviano.
A estatal brasileira disse apenas que a medida de endurecer o controle das instalações petrolíferas por parte do governo boliviano "não preocupa a Petrobras". "A companhia sempre pautou sua atuação pela transparência e lisura. A fiscalização decidida pelo governo boliviano não traz maior preocupação à empresa", diz a Petrobras.

Impactos  - Mas, na avaliação de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, a entrada em vigor da Lei de Hidrocarbonetos na Bolívia deve prejudicar os rendimentos da Petrobras nas atividades de exploração de gás da empresa no país.
"Na prática, a lei provoca uma mudança nos contratos. As empresas deixam de ser proprietárias da sua produção gás, por exemplo, para se tornarem prestadoras de serviço do governo boliviano. É uma perda do controle econômico das empresas sobre a sua produção", avaliou.
Na última segunda-feira, o presidente da Bolívia, Eduardo Rodriguez, assinou três decretos para desenhar a participação do Estado na produção de hidrocarbonetos. Os decretos regulamentam a lei assinada em maio deste ano pelo Congresso boliviano.
Com a nova legislação, o governo boliviano estima que haja um incremento de 106% na arrecadação do Estado com a exploração de gás natural e petróleo, segundo declaração do ministro da Presidência, Iván Avilés.
Um dos decretos presidenciais manda que os ministérios da Defesa, de Hidrocarbonetos e do Interior coordenem as ações para o controle, a fiscalização e a segurança da atividade de exploração dos recursos energéticos do país. Também nesse decreto estão previstas auditorias periódicas das companhias do setor.
Mas o decreto que pode atingir mais duramente as empresas estrangeiras instaladas na Bolívia, entre elas a Petrobras, diz Pires, é a nova taxação da produção, que passou para 50% do valor produzido pelas empresas.
Com mais de US$ 1,5 bilhão já investido em operações no setor de gás e petróleo da Bolívia, ainda que a nova lei boliviana implique prejuízos para a Petrobras, não é recomendável que a estatal brasileira abandone as atividades na Bolívia. "Não vale a pena. Brasil e Bolívia são países vizinhos, têm relações comerciais fortes e uma saída da Petrobras [por ser estatal] poderia criar mal-estar diplomático", diz Pires.
Para além das possíveis rusgas diplomáticas, outra questão é que o Brasil, especialmente São Paulo, é depende do gás proveniente da Bolívia. Hoje, 40% do gás importado da Bolívia é consumido em São Paulo, sobretudo na região metropolitana da capital paulista.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Oportunidade
Por que formar profissionais para funções críticas se to...
09/04/26
Energias Renováveis
Crise energética global impulsiona protagonismo do Brasi...
09/04/26
Pessoas
Alcoa e Posidonia reforçam avanços na equidade de gênero...
08/04/26
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Curso
Firjan SENAI e Foresea assinam parceria para oferecer cu...
08/04/26
Posicionamento IBP
Taxação de 12% na MP1340 gera sobreposição tributária e ...
08/04/26
iBEM26
Entrevista exclusiva: Rosatom mira o Brasil e reforça pr...
07/04/26
Resultado
Porto do Açu garante R$ 237 milhões em royalties retroat...
07/04/26
Pessoas
Angélica Laureano é a nova Diretora Executiva de Logísti...
07/04/26
Biometano
ANP credencia primeiro Agente Certificador de Origem (AC...
07/04/26
ANP
Conteúdo local: ANP ultrapassa marco de 30 TACS
07/04/26
Cana Summit
Juros elevados e crédito mais restrito colocam fluxo de ...
07/04/26
PPSA
União recebe R$ 917,32 milhões por redeterminação de Tupi
07/04/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Preço médio da safra 25/26 supera o da tem...
07/04/26
Estudo
Brasil amplia dependência de térmicas, mas falta de esto...
06/04/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Partilha (OPP): ANP publica novo edital
06/04/26
Tributação
Infis Consultoria promove 4º Seminário Tributação em Óle...
06/04/26
Hidrogênio Verde
Estudo no RCGI mapeia regiões com maior potencial para p...
06/04/26
BRANDED CONTENT
Intercabos® lança novo site e concretiza presença no mer...
03/04/26
Diesel
Subvenção ao diesel: ANP inicia consulta pública de cinc...
02/04/26
GLP
Supergasbras realiza a primeira importação de BioGL do B...
02/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23