Gabrielli

Petrobras pagará crédito em dinheiro

Valor Econômico
20/05/2009 03:54
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A Petrobras concluiu ontem com o Banco de Desenvolvimento da China as negociações de um empréstimo de US$ 10 bilhões, um dos maiores que já obteve. Em contrapartida, aumentará o fornecimento de petróleo para a economia que mais cresce no mundo.

 


O presidente da empresa, Sergio Gabrielli, disse que a empresa garantiu financiamentos de US$ 30 bilhões só este ano, somando outras fontes, em plena crise financeira global, comparado à captação de US$ 10 bilhões no ano passado. Como precisava de US$ 18 bilhões para completar o pacote de investimentos deste ano, e o preço do petróleo está acima do que previa, esse volume significa que a empresa já garantiu também os recursos para 2010, de acordo com o executivo.

 


O contrato foi assinado no Palácio do Povo, na presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hu Jintao. O financiamento tem prazo de dez anos e custo abaixo de 6,5% ao ano, inferior ao que a empresa já pagou na captação de bônus, segundo Gabrielli. Pelo contrato, está previsto o incremento no volume de exportações de petróleo para a China, mas o executivo insistiu que o crédito será pago em dólares e não em óleo.

 


O presidente da estatal explicou que o contrato de exportação de petróleo foi feito entre a Petrobras e a Unipec Asia, uma subsidiária da China Petroleum and Chemical Corporation (Sinopec). Este ano, as exportações serão de 150 mil barris por dia, passando a 200 mil barris/dia no ano que vem e nos nove anos seguintes.

 


Gabrielli garantiu que, no contrato de 40 páginas, não há condicionalidade para compra de equipamentos chineses, mas que isso será possível dentro das necessidades da empresa e da relação econômica entre os dois países. Numa apresentação dos planos da Petrobras para os próximos anos, Gabrielli mostrou aos empresários chineses “as enormes oportunidades” de negócios com os investimentos da companhia. Citou a necessidade de mais 153 navios até 2013, 40 sondas de perfuração, e cinco refinarias, visivelmente impressionando alguns chineses.

 


Mais tarde, o presidente da Petrobras disse a jornalistas que a empresa quer atrair fornecedores de equipamentos para produzir no Brasil, porque terá de ser respeitado o percentual de conteúdo local. Segundo ele, várias empresas chinesas já manifestaram interesse em se instalar no Brasil, para pegar uma fatia dos gigantescos investimentos na exploração do pré-sal. Gabrielli insistiu que o empréstimo dos chineses não é destinado especificamente para o pré-sal. É um financiamento corporativo. A empresa usa o dinheiro como quiser. Além disso, terá credito ilimitado em remimbi, a moeda chinesa, para adquirir equipamentos do país.

 


Além do dinheiro chinês, a empresa captou este ano US$ 6,5 bilhões de um consórcio de bancos, US$ 2 bilhões do Eximbank americano e US$ 12 bilhões do BNDES.

 


O acordo entre China e Petrobras preocupa a indústria brasileira de fornecedores de equipamentos e serviços para a indústria de petróleo. O presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Elói Fernández vê risco de uma “invasão de produtos chineses” e acha que é preciso ter cuidado já que a exigência de que os equipamentos sejam fabricados naquele país pode se tornar um risco para os fornecedores brasileiros.

 


“A Petrobras também está negociando com a bancos da Coreia, Itália e Estados Unidos. E agora com a China, que ainda tem o agravante de se identificar por fatores não competitivos como a mão-de-obra, questões tributárias, subsídios indiretos e subsídios cruzados. E fatores como esses distorcem a estrutura de preços”, disse Fernández, que participou ontem de uma mesa-redonda sobre Regulação do Setor de Petróleo e Combustíveis no 6º Congresso Brasileiro de Regulação.

 


O presidente da Onip frisou que ainda não tinha conhecimento de nenhum detalhe do acordo da Petrobras com o banco estatal chinês, que prevê um financiamento bilateral de US$ 10 bilhões.

 


O financiamento de agências de crédito às exportações de países estrangeiros tem sido um importante instrumento na política de financiamentos da estatal para projetos de longo prazo, que tem como objetivo também evitar as taxas de juros bancárias. Em abril deste ano ela obteve US$ 2 bilhões do Banco de Crédito à Exportação e Importação dos Estados Unidos (Eximbank) para compra equipamentos e serviços americanos que pode ser sacado em dois anos. Em janeiro ela assinou um memorando de entendimento com a japonesa Marubeni Corporation para estudar o projeto da primeira fase da refinaria premium do Maranhão, que só foi divulgado mais tarde.

 


Já o projeto de modernização da Refinaria Henrique Lage (Revap) teve financiamento de US$ 750 milhões de um pool de bancos japoneses segurados pela agência de fomento à exportação daquele país, a Nexi (Nippon Export and Investment Insurance).

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