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Pré-sal

Petrobras financiará fornecedores do setor

24/11/2009 | 09h52
A Petrobras vai oferecer a seus fornecedores financiamento com os recursos que obtiver a partir da capitalização que está sendo preparada para o desenvolvimento de projetos no pré-sal. O diretor financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, afirmou ontem que a companhia já está estudando modelos de operação com alguns bancos.


Os financiamentos poderão ser adotados não somente para atender diretamente fornecedores ligados à estatal, mas também os de terceira ou quarta ponta. "Nosso objetivo é que toda a cadeia tenha condições de crescer junto com a Petrobras", disse o executivo.


Barbassa prevê que o processo de cessão onerosa dos 5 bilhões de barris de petróleo da União para a empresa e a capitalização propriamente dita sejam concluídos no primeiro semestre de 2010. Depois disso, a Petrobras poderá oferecer o financiamento. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) ainda vai definir as áreas de onde sairão as reservas a serem anexadas à carteira da estatal. Para adquiri-las, a Petrobras vai lançar ações e elevar seu valor no mercado de capitais.


O anúncio da nova linha de financiamento vem reforçar a posição da empresa para explicar a analistas do mercado financeiro o processo de capitalização. Passados dois meses da apresentação do novo marco regulatório do setor de petróleo, o mercado ainda demonstra preocupação quanto à possibilidade de diluição da participação dos acionistas minoritários depois da capitalização. O Conselho de Administração da companhia aprovou aceitar títulos da dívida pública mobiliária federal para a integralização de ações pelos minoritários.


Na semana passada, executivos da empresa foram questionados sobre possíveis danos aos acionistas. Um dos pontos abordados foi o fato de os minoritários serem excluídos da operação de revisão do preço dos barris de petróleo a serem cedidos pela União e que servirão de base para a definição do valor da capitalização. O argumento da estatal para a exclusão é o de que a cessão onerosa assemelha-se a uma transação comercial, o que tornaria desnecessária a participação dos minoritários. Barbassa disse ontem que os minoritários estarão num comitê que vai acompanhar a cessão onerosa.


Já sobre a linha de financiamento aos fornecedores, ele negou que a companhia vá agir como um banco ou que tenha qualquer interesse nesta área. "Vamos emprestar os recursos, mas a operação toda vai correr por meio das instituições financeiras com experiência neste tipo de ação", disse. Segundo ele, os modelos testados junto aos bancos estão recebendo os "últimos ajustes".



BALANÇO. O diretor destacou ainda que estes financiamentos não deverão afetar o balanço financeiro da companhia, já que só serão contabilizados como dívida pelas agências de ratings. "Como isso vai aparecer como dívida, é bom que o valor da companhia seja maior, para permitir maior alavancagem", disse. Ele acredita que isso será mais um estímulo à indústria nacional, que se somará à exigência de conteúdo local nas encomendas da companhia, adotado desde 2003.


Fonte: Jornal do Commercio
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