Internacionalização

Petrobras estuda refinar petróleo e fabricar lubrificantes no Uruguai

Valor Econômico
04/10/2005 00:00
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Em sua onda de internacionalização rumo à América do Sul, a Petrobras está discutindo com a estatal uruguaia Administração Nacional de Combustíveis, Alcool e Portland (Ancap) a possibilidade de refinar petróleo no Uruguai, utilizando a capacidade ociosa da única refinaria do país, estimada em 8 mil a 10 mil barris de petróleo por dia. A refinaria La Teja, em Montevidéo, tem capacidade de processar de 50 mil barris ao dia e mesmo assim atende integralmente ao pequeno mercado uruguaio com folga.

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, explicou que se o projeto for adiante a companhia poderá trazer petróleo leve da África, não necessariamente produzido pela companhia, e processar em Montevidéo, devido a facilidades de logística. "Depois, nos interessa planejar e investir para processar óleo pesado, mas isso é um passo adiante", ponderou.

A Petrobras estuda ainda a possibilidade de fabricar no Uruguai lubrificantes com a marca brasileira Lubrax, também usando capacidade ociosa da Ancap, cuja planta de lubrificantes, junto à refinaria, opera com 40% de sobra na unidade. Uma fonte da Ancap explicou que atualmente a companhia tem acordo com alguns de seus fornecedores de petróleo para produzir derivados para exportação, mas esse contrato vence no próximo ano.

A Petrobras entrou no Uruguai com a compra da pequena Conecta, concluída em dezembro de 2004 por US$ 3,2 milhões. Ela é uma distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP) que atende o interior do país e que tem cerca de 4.500 pequenos e médios consumidores.

Até 2010, o país vai receber investimentos brasileiros de US$ 20 milhões, uma fatia pequena do investimento da estatal previsto no plano estratégico, de US$ 56,4 bilhões, mas o presidente da Petrobras Uruguai, José Carlos Cosenza, explicou que nenhum desses projetos está incluído no atual plano de investimentos. "Primeiro vamos ver se é economicamente viável refinar no Uruguai. Os US$ 20 milhões serão investidos unicamente na logística, suprimento e na distribuição de gás", frisou Cosenza.

De qualquer modo, a chegada da gigante brasileira no Uruguai desperta grande interesse no país. Ela já montou um escritório em Montevidéo. Mas são fortes as especulações sobre a possibilidade da Petrobras comprar a participação da Gaz de France em outra distribuidora de gás do país, a Gaseba, que atende a capital e também tem como acionistas a Pan American, controlada pela inglesa BP com sócios argentinos, e a uruguaia Acodik. Gabrielli evitou informar como estão as negociações para essa aquisição, assim como qual o tamanho da participação que a Petrobras quer ter na Gaseba.

A entrada da estatal brasileira no segmento de distribuição uruguaio abre uma nova frente para a expansão da companhia no cone sul, onde ela já atua em oito países: Argentina, Bolívia, Uruguai, Colômbia, Venezuela , México, Equador e Peru. Os uruguaios também estão ansiosos com a possibilidade de a Petrobras explorar petróleo no mar uruguaio, expectativa que Gabrielli procurou minimizar.

Segundo ele, a análise de dados sísmicos levantados por um navio russo que fez pesquisa sísmica na costa do país é parte de um convênio assinado com o presidente do Uruguai, Tabaré Vasques em uma visita anterior ao país. "Mas não há nenhuma definição sobre isso. A Petrobras está interessada em analisar os dados, mas eles não são precisos", explicou o presidente da Petrobras.

Gabrielli passou o domingo no no Uruguai, onde participou da cerimônia de 40 anos da Associação Regional de Empresas de Petróleo e Gás Natural da América Latina e Caribe (Arpel), que nasceu da associação entre empresas estatais e hoje tem 27 associados, incluindo multinacionais dos quais 24 são empresas e três são instituições que representam a indústria, como o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) e seus congêneres na Argentina e Equador.

Ontem, foi divulgada uma Declaração de Compromissos pela Arpel com foco na integração energética regional, responsabilidade social e meio ambiente, segurança e saúde ocupacional, comunicações e melhora contínua.

Sobre a integração energética do continente, principalmente no setor de gás, onde as maiores reservas se encontram na Bolívia, o secretário executivo da Arpel, Jose Felix Garcia deu um recado: "São necessários recursos, redes e regras para que a integração avance", destacou.

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