Bolívia
Embora o aumento dos impostos de 18% para 50% na Bolívia onere a produção, a Petrobras não deverá sequer reduzir investimentos substancialmente. "Para ser líder regional, o Brasil tem que suportar crises e investir nos países vizinhos", diz analistas.
Embora a lei do gás aprovada na Bolívia onere substancialmente os negócios de petróleo e gás no país, a saída da Petrobras do país andino e mesmo uma redução drástica de investimentos está fora de questão, segundo a opinião do analista do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos, João de Castro Neves.
Neves observa que a petroleira brasileira é a maior empresa da Bolívia, responsável por 15% do PIB do país andino e por grande parte da arrecadação de impostos do governo local. Nessa posição, qualquer movimento muito forte da companhia causaria o caos no país e este seria um efeito antagônico a toda a construção da política externa brasileira, que tem como principais objetivos a integração sul-americana e a liderança política e econômica do continente.
"O Brasil, que pretende ser líder regional, tem que arcar com os custos dessa liderança. No caso da Bolívia, o país pode até reduzir investimentos, mas a liderança política regional também supõe suportar as crises e investir nos países vizinhos", explica Neves.
O analista destaca, ainda, que no caso da Bolívia, além do aumento de impostos de 18% para 50%, a incerteza permanece na região. O partido do líder cocalero Evo Morales, o MAS (Movimiento al Socialismo), ainda considera pouco o aumento concedido. O objetivo do partido de Morales é estatizar as reservas. Depois eles encontrarão uma forma de transformar esse lucro do petróleo em riqueza.
Os movimentos indígenas tem se tornado muito fortes nos países andinos, principalmente Bolívia e Equador. Esses movimentos sociais, calcados na insatisfação devido a uma grande desigualdade econômica, adotam políticas radicais e ao longo dos últimos anos têm deposto todos os governos que não atendia a suas reivindicações.
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